<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641</id><updated>2011-05-14T12:02:55.978+01:00</updated><title type='text'>filosofia.com.ciências</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-1383967010397856734</id><published>2011-04-15T23:44:00.005+01:00</published><updated>2011-05-14T12:02:55.986+01:00</updated><title type='text'>Islândia: economia rima com democracia ?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1. Foram os Gregos que inventaram, além da Filosofia (Sócrates, Platão, Aristóteles), tanto a democracia (Sólon, Clístenes, Péricles) para impedir que as casas poderosas eliminem as mais pobres, como a moeda do mercado quotidiano. Inventaram assim a Razão pública, de que Kant saudou o retorno no final do século XVIII, à Filosofia tendo-se juntado os laboratórios das Ciências. Sobrepondo-se às relações de força, a Razão procurará a liberdade: no caso do mercado, o dinheiro dá a liberdade de escolher o que comprar, em vez dum racionamento igualitário (como em Cuba). Note-se que a economia actual, que exige cada vez mais escolaridade a todos os níveis, só é viável com democracia, como à sua maneira asiática a China vai aprender.&lt;br /&gt; 2. É certo que o mercado não funciona sem lucros, mas também deveria ser claro que não há critério intrínseco (científico, aritmético) para na produção distinguir a parte dos lucros e a dos salários, o que ocorre sempre por razões politicas (concertação, greves). Há portanto um factor político, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;que deve ser de razão democrática&lt;/span&gt;, no coração da economia enquanto ciência. A especulação financeira (‘especular’ é funcionar em espelho, sem ver para fora) passa-se apenas entre capitais e lucros, ignora as economias que a suportam, como quem serra ramos de árvores neles sentado: a bolsa dela mesma não é democrática. Mas pode ser chamada à democracia, como os referendos islandeses mostram exemplarmente, propondo um bom teste à democraticidade dos dirigentes políticos (holandeses e ingleses) e dos nossos comentadores.&lt;br /&gt; 3. Assim como há ciências das línguas, das doenças, da agricultura, o direito, e por aí fora, a economia é só a ciência dos mercados, nem da produção (engenharias) nem dos usos caseiros das coisas compradas (a ecologia é a ciência dos efeitos da produção no ambiente da habitação dos vivos): a economia é apenas a ciência dum sector da sociedade. Mas as sociologias sendo especializadas em sectores diversos (educação, médias, religião, trabalho, etc.), na ausência da sociologia do conjunto da sociedade e menos ainda da globalização, a economia arroga-se esse papel, sem concorrentes à sua altura.&lt;br /&gt; 4. Tomando a moeda como unidade de medida que permite reduzir (metodologicamente) a imensa variedade de coisas que se trocam nos mercados, ela não pode senão ignorar a dimensão politica que está no seu coração e revelar-se portanto inadequada para resolver questões democráticas como a que vive a Islândia (os bancos da fraude são privados), situação a que o filósofo Derrida chamou aporia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;um beco sem saída teórica, apenas política&lt;/span&gt;, devida à conjugação indissociável na economia de duas leis contrárias, a das finanças internacionais e a da democracia (nacional), uma espécie de duplo laço esquizofrénico (Bateson) da economia. Marx teorizou no seu tempo esta aporia como contradição capital / trabalho e propôs como solução eliminar um dos factores, e com ele o mercado e a liberdade, veio a ver-se. O neo-liberalismo da escola de Chicago reinante ignora que o 'contrato' é a consideração do trabalhador como um humano que produz em relação de direito com outro humano, que detém o capital, ignora que foi a grande descoberta do liberalismo em termos de filosofia política europeia. Escondeu a dimensão política da economia reduzindo metodologicamente os salários à rubrica dos ‘custos’, com a consequência tornada evidente que em tempos de crise é a primeira ‘despesa’ a ser alvo de redução como desemprego em massa, sinal oposto ao marxismo e que condena a liberdade dos que não têm salário.  A chance única do que se intitula socialismo ou social-democracia é procurar obedecer às duas leis e vale a pena ver como vai evoluir o caso da Islândia.&lt;br /&gt; 5. Sem ter competência para dizer como, é necessária uma ‘economia política’ adequada aos tempos de hoje, uma ciência que tenha as duas componentes do seu nome, as regras (nomia) e a habitação (oikos, casa) das populações, que deva diagnosticar o lugar do político, que possa evitar o que em 2008 nos ameaçou e já parece esquecido, que a ganância da especulação financeira dê cabo das sociedades. É a falta desta ciência uma das razões mais fortes para as dificuldades estratégicas da esfera socialista, a economia de hoje dá de bandeja o poder à direita e precipita as gentes para a rua, se não houver referendos.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt; em 15 abril de 2011 (com um breve acrescento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-1383967010397856734?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/1383967010397856734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=1383967010397856734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/1383967010397856734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/1383967010397856734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2011/04/islandia-economia-rima-com-democracia.html' title='Islândia: economia rima com democracia ?'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-5599544119541598599</id><published>2008-02-19T16:39:00.008Z</published><updated>2008-06-26T14:07:27.092+01:00</updated><title type='text'>Manifesto duma Fenomenologia verdadeira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Manifesto duma Fenomenologia verdadeira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Artur Mário e à Inês&lt;br /&gt;à Leonor, ao César e ao Gonçalo,&lt;br /&gt;à paixão de compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em memória de Robert Davezies&lt;br /&gt;e de Michel Clévenot&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;« Dum médico que só sabe medicina,&lt;br /&gt;podes estar certo de que nem medicina sabe»&lt;br /&gt;(Letamendi, médico espanhol do século 19)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lei geral enunciar-se-á assim :&lt;br /&gt;um especialista que só sabe da sua especialidade,&lt;br /&gt;nem essa sua especialidade sabe bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um manifesto é um texto curto que proclama a eclosão dum movimento, no caso dum movimento de pensamento. A fenomenologia sendo uma das principais correntes filosóficas do século 20, este manifesto anuncia a sua viragem para uma filosofia com ciências, a saber, as dos domínios mais decisivos, que serão aqui tomadas na sua dimensão filosófica.&lt;br /&gt;O texto de referência de que este é uma abreviação intitula-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LE JEU DES CIÊNCIAS &lt;em&gt;AVEC&lt;/em&gt; HEIDEGGER ET DERRIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi publicado por l’Harmattan, em Paris. Os leitores que queiram saber mais, encontrarão aí demonstrações claras, citações, motivações para pensar, ou mesmo para escrever. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-5599544119541598599?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/5599544119541598599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=5599544119541598599' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/5599544119541598599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/5599544119541598599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/manifesto.html' title='Manifesto duma Fenomenologia verdadeira'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-3701293117712116001</id><published>2008-02-19T16:31:00.003Z</published><updated>2008-04-13T16:30:01.946+01:00</updated><title type='text'>Escândalos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Escândalos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1. Quais foram as principais descobertas científicas do século 20 ? Pode-se responder a esta pergunta sem ser por uma enumeração empírica dependente das escolhas de cada um, pode-se responder-lhe com um critério rigoroso, simultaneamente filosófico e científico ? Quantas ciências há ? Algumas centenas, recortadas por milhares de especialidades, com limites a passarem dentro das fronteiras das vizinhas ? Quem sabe responder, quem conhece suficientemente para poder dizer um número que tenha um mínimo de verosimilhança ? Tudo menos um ‘especialista’, que por definição não conhece – mas bem demais, talvez – senão o seu domíniozinho. Os filósofos ? Mas, divididos em duas grandes correntes bastantes separadas uma da outra - a filosofia analítica anglo-saxónica, dum lado, do outro a fenomenologia predominando sobre tendências pré ou pós-estruturalistas -, os filósofos também se encontram disseminados em múltiplas especialidades, segundo horizontes bastantes divergentes. Ninguém se pode gabar de ‘dominar’, por pouco que seja, o arquipélago indefinido destas especialidades. O que não é necessariamente um má coisa, já que isso anula o fantasma duma dominação do ‘mundo’ pelos ‘sábios’, já que eles não se controlam também entre si. Mas que os nossos saberes se achem assim espalhados é indecente justamente enquanto saber.&lt;br /&gt;2. As duas correntes que dominaram a história filosófica do século passado têm a sua fonte em Frege e Husserl, dois filósofos, lógicos e matemáticos, não muito longe um do outro, o segundo tendo inaugurado a fenomenologia com a mira na fundação das ciências e, talvez não tanto a sua unificação, pelo menos a sua articulação : o seu último grande título ainda andava em torno da « crise das ciências europeias ». Ora, segundo escândalo, a sua fenomenologia, que cem anos mais tarde está de razoável saúde – publicam-se livros e revistas, organizam-se congressos e colóquios, como todas as semanas se pode saber através dum semanário na Teia (Web) que tem numerosos assinantes -, parece ignorar quase totalmente a questão que era a obsessão do seu fundador. Procurar-se-á em vão artigos ou capítulos de livros sobre questões relevando de ciências, muito menos sobre a questão da sua articulação. Também do lado da filosofia das ciências, nos seus dicionários, as correntes da fenomenologia actual brilham pela sua ausência. &lt;em&gt;É este duplo escândalo que move este manifesto, o torna intempestivo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;3. Voltemos à insólita questão inicial. O século 20 foi indiscutivelmente palco duma renovação extraordinária das ciências ocidentais : quais foram as suas principais descobertas, tendo em conta a diversidade dos domínios ? Não se procura um ‘top ten’, mas se se tratasse de eleger nos cinco domínios principais – matéria e energia, vida, sociedades, línguas e psiquismo humano – a respectiva descoberta maior, como haveria de proceder ? Escusado seria de perguntar aos especialistas, é óbvio, cada um puxaria para a sua especialidade e com boas razões. Também, pela mesma razão, seria escusdao procurar fazer sondagens junto do público culto ou das administrações universitárias. Cada domínio deveria ter o seu próprio critério ? Já não seria simples escolher entre a física da relatividade e a mecânica quântica, embora fosse mais fácil em relação à biologia molecular, excepto que a neurologia ficaria de parte. E em seguida, quanto às chamadas ciências sociais e humanas, como ter um guia ? Teriam elas tido descobertas que se possam colocar ao lado das que habitualmente são chamadas ‘ciências’ sem se acrescentar nenhum adjectivo ?&lt;br /&gt;4. E se um dos critérios fosse o da articulação entre estes domínios, as maiores descobertas sendo as que a tornassem possível ? Por exemplo, a teoria do átomo e da &lt;em&gt;molécula&lt;/em&gt;, por um lado, a biologia &lt;em&gt;molecular&lt;/em&gt; do outro, estas duas teorias tendo tornado possível dar conta, a nível microscópio, dos dois grandes tipos de ‘matéria’ do universo, a inerte e a viva, e de os articular.&lt;br /&gt;5. Um outro critério seria uma maneira de permitir ultrapassar o determinismo (que os cientistas tanto prezam) e o relativismo (que eles detestam). A primeira questão levar-nos-ia a perguntar aos cientistas porque é que eles têm necessidade, de forma essencial, dum laboratório. Que condições se criam nele que a chamada realidade não tem ? Condições de determinação ? Que não existem fora dos seus muros ? Então o determinismo não seria uma extrapolação indevida ? A segunda questão inquieta a ‘verdade’ do trabalho deles que, enquanto historicamente situado, não escapa à relatividade : será certo que aquilo que se procura, o que valha a alguns prémios Nobel invejados, está destinado a ser um erro daqui a algumas gerações ? Que as verdades das ciências, as que Newton descobriu, por exemplo, que triunfaram durante mais de dois séculos, seriam erros futuros ? Que não temos nenhuma maneira de tornar firmes algumas descobertas maiores, susceptíveis de durar enquanto a civilização actual durar ?&lt;br /&gt;6. Ainda uma questão que não é costume pôr nestes domínios : como é que se aprende ? Como é que se forma um cientista ? Como é que se pode compreender, científica e filosoficamente, que alguém seja ‘formado’ a certas regras, teóricas e práticas, que ele terá de repetir escrupulosamente, e que, por outro lado, a sua meta seja descobrir algo de ‘novo’, em parte ao menos, em relação a essas regras teóricas que o formam ? Trata-se dum paradoxo interno ao motivo do &lt;em&gt;paradigma&lt;/em&gt; proposto por Kuhn, não apenas entre ciência normal e crise, mas também entre repetição de rotina no laboratório e paixão de descobrir. Ele pede uma teoria da aprendizagem que vê-se mal sair duma qualquer especialidade científica, que parece pedir o concurso articulado de vários domínios.&lt;br /&gt;7. O que nos possibilita interrogar agora do lado fenomenológico. O tipo de questões que acabámos de colocar não parece susceptível de ser respondido à maneira husserliana dum inquérito reflexivo sobre a consciência e os seus actos, partindo da intuição sensível da percepção até à intuição eidética das essências científicas. Se o motivo da &lt;em&gt;redução&lt;/em&gt; parece continuar a convir ao arsenal científico – ele corresponde em parte à boa velha &lt;em&gt;definição&lt;/em&gt; inventada pela escola socrática de filosofia -, teremos que seguir os dois dissidentes mais importantes da abordagem husserliana que largaram a « região consciência » do mestre, Heidegger e Derrida, e tentar encontrar neles o que nos possa ajudar a reelaborar uma fenomenologia adequada às descobertas científicas do século que se foi. Por um lado, eles introduziram a linguagem, o &lt;em&gt;logos&lt;/em&gt;, no discurso fenomenológico (a qual linguagem, vinda de fora, trabalha portanto a ‘voz’ da consciência), dando assim aos ‘conceitos’ um peso histórico que a &lt;em&gt;ideia&lt;/em&gt; europeia clássica ignorava. Ora, esta foi uma das invenções maiores, cartesiana, do século 17 de Galileu e Newton, preciosa na tarefa, não apenas de criticar o aristotelismo medieval, mas também de arrancar os fenómenos ao seu chamado contexto real para os trazer à experimentação laboratorial. Cortava-se assim o ‘sujeito’ – que teve a ideia – do ‘objecto’ que ela representava : do exterior das coisas (&lt;em&gt;extensio&lt;/em&gt;) ao interior do pensamento (&lt;em&gt;cogito&lt;/em&gt;). A linguagem, a escrita, os instrumentos do laboratório, tudo isso permanecia de fora, secundário, como ainda muitas vezes hoje se pensa. É o que a nova fenomenologia deve avaliar, como é que essa &lt;em&gt;representação mental,&lt;/em&gt; criticada pelos filósofos desde algumas décadas, permanece o obstáculo ignorado no discurso e no pensamento dos cientistas. Ser-se-á assim levado a pôr em questão a própria noção de ‘mental’, o ‘mind’ anglo-saxão.&lt;br /&gt;8. Por outro lado, Heidegger e Derrida alargaram as problemáticas do pensamento a toda a história do Ocidente, filosófica mas também científica (e literária), o que permitiu a Derrida contestar o papel preponderante do discurso filosófico em relação às ciências : desde o início, desde Platão e Aristóteles pelo menos, que ele sofreu o impacto (não logocêntrico, gramatológico) do jogo das ciências. O discurso filosófico é histórico, escrito em línguas diferentes, cuja tradução entre elas é também uma questão filosófica que pede recurso aos filólogos linguísticos e à história, sem que ele possa controlar esse recurso em última instância, como ele quereria. Há que generalizar : é a noção husserliana da fenomenologia como ciência filosófica rigorosa que deveria fundar as outras ciências, segundo uma posição teórica herdada pelo menos de Kant, que tem que ser recusada. Não mais filosofia &lt;em&gt;das&lt;/em&gt; ciências, mas filosofia &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; as ciências, sem que nenhuma esteja em posição de última instância.&lt;br /&gt;9. Tratar-se-á com efeito de &lt;em&gt;dar um passo além do de Kuhn&lt;/em&gt;, de ir dentro dos paradigmas disciplinares de cada ciência para discernir nele a intromissão do discurso filosófico clássico. Se se tomar o motivo de epistema de &lt;em&gt;Les Mots et les Choses&lt;/em&gt; de Foucault, pode-se distingui-lo do nível mais estritamente paradigmático onde se articula teoria e experimentação ; este nível epistémico seria o nível que reúne teoricamente os fragmentos da experimentação laboratorial e pensa o retorno aos fenómenos da chamada realidade, que se tornam assim fenómenos ‘conhecidos’ cientificamente. Se for verdade que toda a experimentação é fragmentária, é justamente a reconstituição do seu conjunto que constitui &lt;em&gt;o gesto fenomenológico em cada ciência&lt;/em&gt;. É esse gesto, em grande parte ‘filosófico’, no sentido em que Althusser, numa perspectiva filosófica bem diferente, falava da « filosofia espontânea dos sábios », é nesse gesto que age subrepticiamente &lt;em&gt;a representação mental, separando sujeito e objecto segundo o velho dualismo da alma e do corpo&lt;/em&gt;, correlativo da oposição interior / exterior ou dentro / fora, é esse gesto que se tratará de questionar criticamente, recorrendo à literatura de divulgação científica de que se dispõe hoje em dia em língua francesa.&lt;br /&gt;10. Trabalhou-se assim cada uma das seis disciplinas, as cinco científicas e a fenomenológica, para tentar fazer delas uma &lt;em&gt;composição articulada&lt;/em&gt;, susceptível, além disso, de esclarecer a nossa história greco-latino-europeia. O que foi todavia fonte de surpresas constantes, foi como cada disciplina mudava pelo efeito de composição com as outras e, por outro lado, como essas mudanças a deixavam ser duma maneira nova que sublinhava as descobertas maiores de que se partira ; os próprios Heidegger e Derrida deixavam ver dimensões inéditas dos seus pensamentos. Sem pretender reduzir o pensamento destes dois autores ao que deles retive, &lt;em&gt;chamo fenomenologia esta filosofia &lt;strong&gt;com&lt;/strong&gt; ciências&lt;/em&gt;, que é susceptível, quer-me parecer - além de regressar às próprias coisas -, de dar conta, de pensar e de conhecer muitas das questões que nos interessam hoje, algumas até que nos fazem mal. Mas tem que se acrescentar que é mais difícil do que ficar na sua especialidade.&lt;br /&gt;11. A astúcia consiste em restituir à filosofia a amplidão que ela tinha antes do corte kantiano – que deu autonomia às ciências, libertando-as da metafísica (o que foi um grande bem !) e especializou a filosofia nas tarefas gnosiológicas -, a astúcia de fechar dois séculos mais tarde o parêntesis kantiano e de &lt;em&gt;fazer a nova fenomenologia aproveitar da dimensão filosófica das diversas ciências e das suas descobertas&lt;/em&gt;. Do que temos uma grande necessidade, antes de mais pensando nos graves problemas pedagógicos do nosso ensino, devidos em boa parte ao caos disciplinar, à dificuldade, para os jovens alunos, de ligar as coisas diversas que aprendem em vasos compartimentados. É um escândalo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-3701293117712116001?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/3701293117712116001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=3701293117712116001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3701293117712116001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3701293117712116001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/escndalos.html' title='Escândalos'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-2476233044732303973</id><published>2008-02-19T16:20:00.003Z</published><updated>2008-08-02T19:29:17.778+01:00</updated><title type='text'>Alargar a redução fenomenológica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Alargar a redução fenomenológica&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;12. Uma das possibilidades da linguagem dos humanos é a de permitir ‘suspender’ o contexto situacional do falante e do ouvinte (do escritor e do leitor) em vista de ‘criar’ um acontecimento de palavra trazendo consigo o seu contexto : dois bons exemplos são, quer o contar uma narrativa do passado ou uma ficção, quer o que se chama pensar, incluindo sonhar, desejar, imaginar outras possibilidades do que as do contexto situacional, do ‘aqui e agora’. O ‘discursivo’ (que Benveniste distinguiu do ‘narrativo’) permite dois modos dos verbos : o indicativo presente que, com outros índices de locução (‘eu’, ‘tu’, ‘aqui’, ‘agora’, e outros), reenvia ao seu contexto, ‘indica’ o que está ‘presente’, e o conjuntivo, que reenvia a esta capacidade de pensar a outra coisa, guardando todavia o suporte do ‘eu’ da enunciação (e a relação ao ‘tu’). Da mesma maneira, a narrativa evocada pode guardar este suporte (auto-narrativa, a respeito do locutor), que no entanto estruturalmente ele exclui. Que nome dar a esta possibilidade das nossas palavras de ‘suspenderem’ o nosso contexto situacional e de nos arrebatar para algures, absorvidos por exemplo na leitura dum romance apaixonante ? Bifurcação ? Jogando com dois dos sentidos da palavra ‘sentido’, poder-se-ia com efeito falar de bifurcação do sentido : o que nos orienta no espaço, direita, esquerda, à frente, atrás, em cima, em baixo, o que, sentido do discurso, nos dá uma outra possibilidade ao nosso ser-o-aí, a de se ser algures, num outro aí. &lt;em&gt;Bifurcação : ao mesmo tempo aqui-presente e algures&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;        13. Esta bifurcação far-se-ia entre o nosso contexto situacional, o nosso ‘aqui e agora’, e o contexto contado pela palavra ou pelo escrito. Este tem a potência de nos raptar daquele, de nos absorver, de nos bifurcar&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Pode-se presumir que seja necessário normalmente um ponto de partida no contexto situacional para que haja esse ‘ir-se’ da bifurcação, algo, acontecimento mínimo, que faça interrupção, que faça ‘associação’ entre um elemento do contexto e o que está em jogo na palavra, dita ou silenciosa : um encontro com alguém, tal coisa que acene à memória, ou muito simplesmente uma associação de ideias. Esta é tão frequente que temos que admitir que o&lt;em&gt; nosso estado normal seja o de estar sempre já em bifurcação de sentido&lt;/em&gt;, digamos assim, entre a situação do contexto e a do discurso&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, a chamada consciência. Prevenção dum ‘acidente’, a expressão ‘dá atenção !’ lembra com insistência que há que estar atento ao contexto quando se está algures, nas nuvens.&lt;br /&gt;        14. O que chamamos filosofia no Ocidente arrancou mais fortemente a partir da literatura chamada pré-socrática por uma bifurcação excepcional, ligada à &lt;em&gt;invenção da definição&lt;/em&gt; pela escola socrática. No &lt;em&gt;Ménon&lt;/em&gt; (71c), por exemplo, a questão da definição – « o que é que tu dizes que é a virtude ? » - é colocada assim : « por muito diversas e numerosas que sejam, [as virtudes] têm todas uma certa forma (que é) a mesma (&lt;em&gt;hen ge ti eidos tauton&lt;/em&gt;), que faz com que elas sejam virtudes. É nela que convém fixar os olhos para responder à questão e mostrar em que é que consiste a virtude ». Admitindo que haja uma ‘visão’ do comportamento virtuoso, a sua definição consiste em encontrar esse &lt;em&gt;eidos tauton&lt;/em&gt;, esta forma que é a mesma em todos esses comportamentos virtuosos ; para isso, haverá que as despojar do que Aristóteles chamará os seus acidentes, do que há de particular em cada um desses comportamentos virtuosos e retirar deles a « forma (que é) a mesma ». O que implica que a definição seja, dela própria, (assente sobre) bifurcação : por um lado, está-se &lt;em&gt;aqui&lt;/em&gt;, numa discussão filosófica a dois, pelo menos, portanto no registo da palavra, por outro lado « convém fixar os olhos » sobre esses comportamentos, &lt;em&gt;lá&lt;/em&gt; aonde eles estão, nas suas situações ou contextos. A definição retira – desses contextos « sob os olhos » - um &lt;em&gt;eidos&lt;/em&gt;, que é o mesmo em todos os contextos considerados, mas que só o pode ser porque desligado das suas particularidades : quer dizer que &lt;em&gt;o eidos não é o mesmo senão na palavra filosófica&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. Cada um desses comportamentos pode ser contado numa narrativa ou dito num discurso, ambos respeitando ao contexto particular dele, comportamento. Pelo contrário, o texto gnosiológico, esse novo texto das definições – dos &lt;em&gt;eidê&lt;/em&gt; (formas ideais) em Platão, das &lt;em&gt;ousiai &lt;/em&gt;em Aristóteles -, rompe com esses discursos do particular, que ele qualifica de &lt;em&gt;doxa&lt;/em&gt; (opinião, seja verdadeira ou não). Este corte, relevando da violência da definição (a violência pedagógica a que chamamos &lt;em&gt;abstracção&lt;/em&gt;, arranque) foi instituída : a Academia, o Liceu, a escola &lt;em&gt;em retracção&lt;/em&gt; das opiniões da cidade. Quer dizer que ela implica a alteração daquele que define : ele ‘fixa os olhos’ sobre as coisas da cidade e da natureza de maneira muito diferente dos outros que lá vivem (ver a descrição do pensamento do filósofo enquanto arrancado ao contexto em &lt;em&gt;Teeteto&lt;/em&gt; 174-175). Foi este arranque – esta abs-tracção violenta&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; sobre a bifurcação – que foi retomado por Platão como &lt;em&gt;separação&lt;/em&gt; entre as Formas ideais celestes, saídas das definições, e as coisas definidas no seu contexto terrestre. Umas, foram contempladas pela alma quando ela estava separada do corpo, antes do nascimento, as outras, conhecidas através do corpo e dos seus órgãos, são geradas e corrompem-se como ele ; esta alteração do filósofo foi teorizada na imortalidade da sua alma virtuosa (&lt;em&gt;Fédon&lt;/em&gt;). Enquanto que Aristóteles, pelo contrário, atenuou o mais que pôde a separação ( a sua &lt;em&gt;ousia&lt;/em&gt; é tanto &lt;em&gt;eidos&lt;/em&gt; quanto coisa, essência como substância). Mas, grande utilizador de definições, ele reforçou o corte institucional entre o Liceu e a cidade, entre o seu texto gnosiológico&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt; e as narrativas e discursos da &lt;em&gt;doxa&lt;/em&gt; ; abandonando a imortalidade da alma, não deixou de guardar a alteração do seu olhar de filósofo, arrancado cada vez mais à &lt;em&gt;doxa&lt;/em&gt; quotidiana, colocado fora de jogo.&lt;br /&gt;        15. Pode-se pensar que a &lt;em&gt;redução&lt;/em&gt; de Husserl consistiu, no essencial na retomada do gesto da definição da escola socrática&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;, numa espécie de refundação de filosofia em relação à tradição escolar da sua época enquanto &lt;em&gt;doxa&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt; académica, digamos. Com efeito, esse ensaio teve lugar após a muito longa história da instituição que é a escola, a história das universidades medievais e europeias, sobretudo após os séculos 17 a 19 e a proliferação inaudita de toda a espécie de ciências. A sua insistência sobre a intencionalidade tentava reencontrar a bifurcação inicial, se dizer se pode, indo da percepção à intuição de essência : ‘esquecendo’ o discurso, privilegiando na percepção o que chamava ante-predicativo, tentou regressar à ‘coisa’ para suspender ou reduzir o seu empirismo contextual, o que a liga ao mundo das outras coisas usuais, para tirar dela, abstrair, o eidos ou essência. Reduzir a coisa aparecendo para reter apenas o seu aparecer fenomenal, estrutural. Saudando esse retorno às coisas, foi aquele ‘esquecimento’ que Heidegger criticava em &lt;em&gt;Ser e Tempo&lt;/em&gt;, colocando o humano como &lt;em&gt;Dasein&lt;/em&gt;, ser-o-aí, exterioridade no mundo&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt;, foi esse esquecimento que ele visava no seu gesto de reclamar o ser-no-mundo &lt;em&gt;antes&lt;/em&gt; do discurso filosófico (o da definição) : o que sublinharia como a redução repetia a definição e falhava as próprias coisas, vistas imediatamente como ‘objectos’, fora do contexto. O começo de Husserl situava-se já &lt;em&gt;depois&lt;/em&gt; do corte (gnosiológico, em prol do conhecimento) com o mundo quotidiano em que todos nos movemos. É certo que era esse mundo que era reduzido, mas Heidegger dava a ver o que Husserl parece não ter compreendido : que essa redução, procurando encontrar o &lt;em&gt;eidos&lt;/em&gt;, a essência das coisas a que ele convidava a regressar, tinha incidências também sobre ele, que a consciência que reduzia era já a dum ‘filósofo’, de alguém já arrancado ao quotidiano, que já estava na escola. Retornando ao mundo de antes dos objectos, Heidegger não regressou no entanto aos discursos particulares da literatura, de que se aproximou bastante, no entanto ; ele guardou cientemente a maneira filosófica da escola, mas deslocando o empírico do mundo a reduzir para a história ocidental do ser, tentando reduzir nela o substancialismo do aristotelismo medieval e europeu : há que o destruir, dizia.&lt;br /&gt;16. Nele o ser tornar-se-á a diferença ontológica com as coisas, regressa ao mesmo que Parménides tinha formulado como o dizer-(que)-pensa-o-ser. O ser é o ser das coisas, do mundo, do universo, mas não é dado nem aos olhos nem às mãos : ele é dito e pensado pelo pensador, &lt;em&gt;é o mesmo que o seu dito, o seu pensado&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[9]&lt;/a&gt;. &lt;em&gt;A história do ser é assim a história dos motivos que, dos Gregos aos Europeus, o pensaram&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;[10]&lt;/a&gt;. Longamente ele busca pensar este ser que dá as coisas, os entes, até vir, em 1962, a formular o motivo do &lt;em&gt;Ereignis&lt;/em&gt; (acontecimento, em alemão) que lhes dá - às coisas que ‘acontecem’ - quer o ser quer o tempo, mas apagando-se, &lt;em&gt;retirando a sua doação&lt;/em&gt;. Aqui é de Heraclito que dependia : « A natureza (o ser) gosta de se esconder ». &lt;em&gt;Esta doação &lt;strong&gt;faz ser&lt;/strong&gt; a coisa, o seu retirar-se&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;deixa-a ser&lt;/strong&gt; ela mesma, no seu ser e tempo próprios&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;17. Derrida continuará na sua peugada. Encontra-se diante da tarefa de pensar o ser-no-mundo heideggeriano e a pré-compreensão (os preconceitos) que &lt;em&gt;Ser e Tempo&lt;/em&gt; lhe tinha outorgado : donde é que ela vem (vêem eles) ao &lt;em&gt;Dasein&lt;/em&gt; ? Para o saber, retomará a redução de Husserl, mas deslocando-a também. Já não na direcção do ser, mas na da palavra, que ele contestará que seja posterior à chamada percepção&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;[11]&lt;/a&gt;. A redução, tal como ele a reelabora, atravessando uma célebre diferença saussuriana entre os sons da voz e os significantes (só estes pertencem à língua), permitir-lhe-á dar conta da aprendizagem da fala&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;[12]&lt;/a&gt;, do aparecer duma voz inédita de criança : esta só é possível por uma ‘suspensão’ dos sons empíricos das vozes dos outros que retém apenas as suas diferenças significantes&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn13" name="_ftnref13"&gt;[13]&lt;/a&gt;. Chamemos a esta nova redução &lt;em&gt;gramatológica&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn14" name="_ftnref14"&gt;[14]&lt;/a&gt;. Mas há que a complexificar, de maneira a ter em conta a dupla articulação da linguagem (§ 27), o que ele fará, implicitamente, num outro texto da mesma época. Os significantes escutados, as palavras e as regras das frases, são aprendidos e ditos pela nova voz como língua cultural da comunidade nas suas relações aos outros, por uma lado, mas também em relação aos usos de habitação que a criança aprende juntamente com a linguagem. Ora, é esta língua – que fala na sua voz e pela qual a criança é auto-afectada, con-sciente de si – que, pré-compreensão heideggeriana, a eleva ao nível, digamos, do paradigma desses usos de habitação (receitas, regras, leis, jogos, sonhares, etc.) : pode-se dizer que ele reencontra assim a redução fenomenológica de Husserl&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn15" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn15" name="_ftnref15"&gt;[15]&lt;/a&gt;, mas à maneira duma nova volta ou dobra da redução gramatológica. Esta dupla redução - em &lt;em&gt;double-bind&lt;/em&gt;, para usar a sua terminologia posterior – será repetida a cada nova aprendizagem quer da voz quer do fenómeno. Se comecei por propor uma ‘bifurcação do sentido, vê-se, agora que voltamos a ele, que ela se dá como sempre já duplamente articulada, sem que se possa separar um dos ‘sentidos’ do outro, aquilo que se vê ou mexe do que se pensa ou compreende dele (com as mesmas palavras que os outros).&lt;br /&gt;18. Mas esta palavra ‘redução’, permitindo compreender tanto quanto é possível esta aprendizagem tão enigmática a partir dos outros, pode tornar-se fonte de confusão, pode ignorar o aspecto ‘construtivo’ do saber-fazer do novo humano habitante da sua tribo. A redução da empiricidade dos outros, da voz deles e do saber-fazer dos mestres que se apagam, é com efeito correlativa da construção ou crescimento do saber, do preenchimento ‘substancial’, ‘empírico’, da voz e saber-fazer do que aprende os usos da sua gente. O que cada um de nós sabe é o rasto (trace) daqueles com quem, de quem aprendemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; É aonde residiria, parece-me, a ‘verdade’ de ce o que se chama idealismo, cujo erro consise em dividir ou separar a bifurcação entre ‘corpo’ e ‘alma’, extensio et cogito, finalmente objecto et sujeito. Em Husserl : região natureza e região consciência.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Limito-me aqui ao discurso, mas este ‘lá’ pode ser também música, jogo de imagens, cálculo matemático.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Pode-se dizer que o nome das coisas é o seu início, já que o facto de numeorosos cães de raças tão diferentes serem nomeados, nos discursos, pelo mesmo nome ‘cão’ implica a suspensão dasparticularidades de cada um, para não reter senão um &lt;em&gt;eidos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Ela não será completa enquanto se guardarem na escola as palavras da cidade. Sê-o-á com a tradução latina em palavras estranhas ao quotidiano.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Sem os tempos e os modos dos verbos, apenas cópulas. A base de definições de essências intemporais e da argumentação coonsequente, ele já não dialoga e torna-se cada vez mais incompreensível para os não-iniciados.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Para ser mais preciso, a redução seria uma classe de operações de pensamento de que a denominação, a definição, a epoché e as diversas reduções científicas de que será questão mais adiante (§ 89) seriam espécies.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; A sua tese da posição natural do mundo, a suspender pela épochê, corresponderia à doxa dos Gregos. O pensamento ‘naturalizou-se’ na escola, é preciso fazer uma nova ‘separação’ dentro da velha separação, um novo paradigma, uma nova maneira de ‘fazer’ a separação-definição : « com uma atitude completamente diferente », dizia ele no início das Ideen.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; Criticando Husserl, o velho Heidegger disse que a consciência é fechada, não se sai dela ; acrescentou paradoxalmente que o seu Dasein estava ‘próximo’ das mónadas leibnizianas, porque ele também não tinha janelas.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[9]&lt;/a&gt; Nos Europeus, o corte cartesiano separará o pensamento (o sujeito) e o ser (o objecto), fazendo do dizer um instrumento subordinado.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;[10]&lt;/a&gt; Esta historicidade dos motivos filosóficos, que se encontra já em Nietzsche e será retomada pela gramatologia de Derrida, é um dos pontos decisivos da viragem heidegeriana. Há que a ter em conta para valaiar bemo pardigma kuhniano, qualquer que seja a explicitação do próprio Kuhn (por exemplo, é a condição duma sua tese que chocou muita gente, sobre o olhar e a sua dependência do que o orienta, memória ou pardigma, do que se aprendeu).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;[11]&lt;/a&gt; Chegará a dizer que o que se chama a percepção não existe.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;[12]&lt;/a&gt; Quer dizer que a consciência não pode ‘sozinha’ fazer e garantir a redução. Que Derrida encontre diferenças-repetições e o ses espaçamento-temproalização como ‘resultado’ da redução implica que, em vez dum Wesenverhalte (estado de essências) husserliano, este ‘resultado’ seja sem mais estrutural e temporal.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref13" name="_ftn13"&gt;[13]&lt;/a&gt; Estas diferenças. Vindas dos outros inscreverem-se nas crianças, são espacializadas e temporalizadas : é o que Derrida diz différance. O verbo ‘diferir’ diz as diferenças espaciais e o adiamento temporal. O a acrescentado a ‘différence’ introduz esse sentido temporal do verbo que o substantivo ignora.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref14" name="_ftn14"&gt;[14]&lt;/a&gt; De ‘gramma’, escrita em grego, inscrição. São estas diferenças significantes que se inscrevem nos ouvidos-cérebro-garganta da criança.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn15" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref15" name="_ftn15"&gt;[15]&lt;/a&gt; Já que a aprendizagem quer das palavras quer dos gestos dos usos quer das respectivas relações mútuas se faz por redução fenomneológica, as palavras supondo todavia também a redução gramatológica. É esta aprendizagem que traz o filho da mulher e do homem ao ‘mundo’, faz dele um ser-no-mundo da sua tribo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-2476233044732303973?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/2476233044732303973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=2476233044732303973' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2476233044732303973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2476233044732303973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/alargar-reduo-fenomenolgica.html' title='Alargar a redução fenomenológica'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-7432599702562542122</id><published>2008-02-19T16:16:00.000Z</published><updated>2008-02-19T16:20:42.790Z</updated><title type='text'>O jogo : regras e aleatório</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O jogo : regras e aleatório&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;19. « O jogo das ciências », título do ensaio que é aqui manifestado, junta ‘jogo’ e ‘ciências’ duma maneira que pode surpreender. A questão que um tal título põe é a do estatuto das regras que os cientistas descobrem nos fenómenos que estudam. Regras, leis, teses, teorias, todo este pesado calão científico se opõe à frivolidade infantil que a palavra ‘jogo’ evoca imediatamente. O que é um jogo ? De futebol, por exemplo, que o velho Heidegger apreciava. Por um lado, cada desafio é um acontecimento, já que o aleatório lhe é essencial, mas tem regras pré-estabelecidas, estabelecidas de maneira a tornar possíveis desafios apaixonantes entre duas equipas do mesmo nível, permitindo campeonatos, jogadores profissionais, treinadores (com um outro tipo de regras, as das estratégias), jornais e por aí fora. Toda esta gente anda em volta dos desafios, dass suas regras concebidas em vista do aleatório das competições. Por exemplo, que um dos jogadores tenha direito a jogar com as mãos na área da baliza impede que haja golos a mais (como há no basquet), assim como a regra do fora de jogo, enquanto que os &lt;em&gt;penalties&lt;/em&gt;, pelo contrário, impedem que haja poucos de mais, etc. Estas regras não se encontram tais quais nos outros desportos de bola, são imanentes ao próprio jogo. É claro que o futebol supõe leis físico-químicas, biológicas, sociológicas, psicológicas, mas tal como os outros desportos, o que significa que nenhum deles é determinado por essas leis : &lt;em&gt;o jogo é imotivado&lt;/em&gt; em relação a elas. Nem o físico nem o biólogo nem o antropólogo podem deduzir as regras do jogo a partir das leis das suas ciências&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, ele não tem outra razão a não ser a que lhe é imanente. Que o conjunto seja imotivado, basta comparar com outros jogos, com bola (basquet, ténis) ou não (atletismo, corridas de automóveis, de cartas (bridge) ou xadrez, que têm todos as mesmas características : espaços-tempos concebidos segundo regras tornando possíveis desafios essencialmente aleatórios, podendo portanto apaixonar quer os jogadores quer os espectadores eventuais. Todos diferentes entre eles, os desportos são organizados estavelmente na sua duração. &lt;em&gt;A unidade indissociável das regras e do aleatório, do acaso e da necessidade, eis a essência do jogo&lt;/em&gt;, segundo Derrida. Ora, o que a palavra ‘futebol’ designa não &lt;em&gt;é&lt;/em&gt; uma coisa, não é &lt;em&gt;nada&lt;/em&gt;, não são os desafios nem os jogadores que ele ‘dá’ dissimulando essa doação : o futebol é um &lt;em&gt;Ereignis&lt;/em&gt;, este releva do jogo.&lt;br /&gt;20. O exemplo não é digno das ciências ? Então tomemos um outro que releva delas muito claramente, o dum automóvel. Questão simplista : um automóvel é determinista, como acabamos de ver que os jogos não são ? Por um lado, dir-se-ia que sim, já que ele é regrado em grande minúcia, teórica e experimental, segundo as leis de várias regiões da física (mecânica, aerodinâmica, electricidade, termodinâmica, etc.) e da química (carburante, óleos, cauchu, etc.). Mas por outro lado, a finalidade dessas regras diz respeito à produção dum trabalho que é essencialmente aleatório. Com efeito, um carro só serve na condição de ser comandado pelas exigências do tráfego, da circulação nas estradas : andar mais depressa ou mais devagar, travar ou recuar, virar à direita ou à esquerda, etc., em cada instante podendo apresentar-se uma situação pedindo a alteração da condução seguida até esse momento. Reencontramos, como no jogo, as regras e o aleatório, este sendo tanto o do destino do condutor como o dos outros carros que circulam perto.&lt;br /&gt;        21. Ora, esta &lt;em&gt;lei do tráfego&lt;/em&gt;, essencialmente aleatória e dizendo respeito a uma grande quantidade de carros, comanda a construção do carro em todos os seus detalhes mecânicos, até aos que só dizem respeito ao conforto. Excepto num ponto : a explosão da gasolina que dá o movimento, obedece por seu turno a uma &lt;em&gt;lei da termodinâmica dos gases&lt;/em&gt; que é totalmente incompatível com a lei do tráfego : não seria possível andar-se a passear nas ruas provocando explosões de gasolina. Após a máquina a vapor de J. Watt, o automóvel é a invenção fabulosa da maneira de tornar indissociáveis duas leis inconciliáveis, a da termodinâmica com a do tráfego : é preciso que o &lt;em&gt;motor &lt;/em&gt;seja&lt;em&gt; retirado&lt;/em&gt; (motivo heideggeriano em oblíquo), fechado hermeticamente, blindado, fortemente repetitivo, já que ele não faz senão rodar um eixo, enquanto que o resto do carro, digamos o seu &lt;em&gt;aparelho&lt;/em&gt;, é pensado em vista das manobras de circulação e adequação ao tráfego de que se falou. Este exemplo ilustra o motivo derridiano da &lt;em&gt;différance&lt;/em&gt; entre duas forças antagonistas, do ‘&lt;em&gt;double bind’&lt;/em&gt; indissociável entre duas leis inconciliáveis. Eis um dos principais critérios de descrição fenomenológica dos domínios das diversas ciências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Se é isso o sonho do fisicalismo, mais vale dizer que é uma estupidez. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-7432599702562542122?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/7432599702562542122/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=7432599702562542122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7432599702562542122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7432599702562542122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/o-jogo-regras-e-aleatrio.html' title='O jogo : regras e aleatório'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-6900548209596179270</id><published>2008-02-19T16:09:00.001Z</published><updated>2008-02-19T16:16:27.598Z</updated><title type='text'>Os mamíferos e as línguas humanas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Os mamíferos e as línguas humanas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        22. Tratemos agora dum outro critério que a máquina não pode ilustrar, porque tocante aos fenómenos de doação que dizem respeito aos seres vivos, que só encontramos em quatro domínios científicos, com exclusão da física e da química. Ele é de tal maneira importante que explica porque é que elas não têm aqui o lugar preponderante que tinham em filosofia das ciências. Em relação a elas, com efeito, será preciso ‘adaptar’ à fenomenalidade dos seus inertes e aos campos respectivos as descobertas dos outros cinco domínios da nova fenomenologia.&lt;br /&gt;        23. Procuremos articular as descobertas biológicas da genética e da neurologia. Seja uma espécie de mamíferos que, dados pela natureza, se reproduzem. O casal duma fêmea e dum macho tem que gerar duplos, machos e fêmeas, que por um lado sejam &lt;em&gt;os mesmos&lt;/em&gt; (da mesma espécie) e que por outro lado &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; &lt;em&gt;idênticos&lt;/em&gt; (são outros indivíduos). Para se reproduzirem, estes indivíduos têm que habitar um território ecológico propício à sua alimentação e à sua segurança. Para estes dois tipos de reprodução, da espécie e do indivíduo, a natureza joga da mesma maneira, ensinou-nos a biologia molecular : a &lt;em&gt;mesmidade&lt;/em&gt; da espécie e do conjunto organizado dos comportamentos dos indivíduos é garantida pelo mesmo programa genético. Este todavia – contra o que parece que alguns genéticos pensam, se se der crédito às declarações que fazem aos jornais – não pode &lt;em&gt;determinar&lt;/em&gt; os comportamentos de forma estrita, já que cada indivíduo em que agir em função do aleatório das presas a apanhar, das fugas para não ser presa de outros, etc. : encontramos o aleatório como no caso do tráfego automóvel. Mas aqui é mais complicado : a &lt;em&gt;mesmidade&lt;/em&gt; tem que jogar essencialmente com a possibilidade de &lt;em&gt;alteração&lt;/em&gt; devida ao outro que se come e ao ambiente em geral, mas sem perder a mesmidade da espécie ; para isso, é necessário que o programa genético possa, ao mesmo tempo, regular o jogo químico do metabolismo da sua célula&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; e guardar as suas moléculas de serem alteradas quimicamente : tem que ficar &lt;em&gt;retirado&lt;/em&gt; (em linguagem heideggeriana) no núcleo da célula, o que é o resultado desse admirável mecanismo da duplicação dum segmento do ADN em ARN mensageiro, o qual opera a síntese química da proteína requerida e degrada-se em seguida (Monod e Jacob), enquanto que o ADN permanece guardado como o mesmo em vista da próxima vez. Por outro lado, ele tem que conter em si todas as regras necessárias às sínteses de proteínas de cada um dos cerca de 200 tipos celulares dum mamífero, segundo o aleatório também da comida que chega à célula e os teores do sangue, sobre cujo equilíbrio vigia o jogo hormonal.&lt;br /&gt;        24. Uma visita rápida pela anatomia do nosso mamífero mostraria facilmente como ela é orientada para assegurar o metabolismo de todas e de cada uma das suas células : a circulação do sangue traz-lhes oxigénio e nutrientes, enquanto que os aparelhos digestivo e respiratório se encarregam da alimentação do sangue ; os músculos e as patas, o cérebro e os respectivos órgãos de percepção, têm que agir no território em vista de encontrar o que comer, beber, respirar. Como o consegue ? Tem que ser aguilhoado pelo jogo hormonal que, atento ao equilíbrio homeostático do sangue entre dois limiares&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, tem que o assegurar, accionado por via genética. Se o sangue tem falta de nutrientes, o paleo cortex segrega hormonas da fome que movem o sistema da mobilidade que o neo cortex governa. Ora, ele não poderá caçar nem fugir a um eventual predador sem que algo do território seja inscrito duravelmente nas sinapses do seu cérebro, segundo os &lt;em&gt;grafos&lt;/em&gt; do neurologista J.-P. Chan&amp;shy;geux. Estes grafos, por seu lado, são também regrados para que acções aleatórias sejam possíveis, comportamentos regrados a partir dos órgãos de percepção até aos músculos da mobilidade, depois de terem atravessado o duplo cérebro, o paleo cortex emocional herdado dos peixes e répteis e o neo cortex das aves e mamíferos, mais desenvolvido em nós, humanos. Tudo isto implica portanto nos mamíferos uma certa aprendizagem e a respectiva memória. O que tem como consequência que nada do que, num comportamento, implica algum conhecimento do território ecológico e das suas situações (de caça e outras) não pode ser estritamente determinado geneticamente. No caso dos humanos, as regras desses comportamentos são os usos sociais (que deverão ser objecto de estudo das ciências das sociedades), mais gerais ou mais especializados consoante, que são inscritos nos nossos cérebros de maneira a que sejamos mais ou menos hábeis na sua efectivação, &lt;em&gt;de maneira que esses comportamentos se façam espontaneamente, a partir de dentro, como nossos, apesar de serem originados de fora, aprendidos&lt;/em&gt;. Seja um exemplo simplista desta não determinação genética : se tenho fome, trata-se dum efeito genético devido à fraca taxa de nutrientes no meu sangue, mas se devo comer uma sandes, fazer uns ovos mexidos ou ir a um restaurante, é uma decisão sobre comportamentos que não tem nada de genético.&lt;br /&gt;        25. Da mesma maneira, o leão com fome só se sacia se tem a sorte de encontrar uma presa e que esta não tenha, por sua vez, a sorte de lhe escapar. É por isso que, na evolução dos vertebrados, o olfacto (que joga quimicamente, à maneira das hormonas) teve que dar lugar estratégico à vista, audição e tacto e respectivas aprendizagens : quer dizer que o jogo químico de tipo hormonal, motor dos comportamentos (de fome, no nosso exemplo) também está cada vez mais &lt;em&gt;retirado&lt;/em&gt; do território, à medida do desenvolvimento do neo cortex. Retirados assim do território, tanto os genes como as hormonas são &lt;em&gt;cegos&lt;/em&gt; em relação a ele (como o cilindro do motor em relação ao tráfego), não podem pois determinar nenhum dos comportamentos, apesar do jogo genético sobre as hormonas que permanecem o ‘motor’.&lt;br /&gt;        26. Chega-se assim às duas leis indissociáveis e inconciliáveis das espécies animais. Uma dela é a autonomia do destino de cada indivíduo, regida a partir do retiro dos seus genes e do seu jogo hormona, que não busca senão a sua própria reprodução&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;, a sua vida, o adiamento da sua morte, sendo para isso obrigado a comer outros vivos, vegetais ou animais ; a outra lei, equivalente à do tráfego, é a lei do conjunto de todos os outros animais que procuram o mesmo, já que nenhum sobrevive sem o sacrifício de outros vivos : á a lei da vida, a &lt;em&gt;lei da selva&lt;/em&gt;. O que é coisa de grande espanto, é que esta lei – inconciliável com a de autoreprodução de cada um daqueles que fazem parte dela (são portanto indissociáveis) – seja eficaz, que a sua eficácia seja o segredo último da evolução, do que Darwin chamou selecção natural&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;. Com efeito, assim como a lei do tráfego comanda a engenharia do automóvel, também a anatomia de cada espécie é comandada pela lei da selva, anatomia muito precisamente adequada à melhor maneira de caçar e de não ser caçado : tantas milhões de espécies, que panóplia imensa de tão diferentes astúcias, leque inesgotável das artes de capturar e de se defender, venenos, garras, mandíbulas e dentes fortes, tromba e cornos, ferrões e teias de aranha, refúgio em tocas ou subindo às árvores, até às asas para voar. O &lt;em&gt;jogo da alteração&lt;/em&gt;, tanto na sexualidade como na nutrição, é assim estrutural à reprodução do mesmo, é isso que não existe na máquina : o que eu como, é o outro ser vivo, animal ou vegeta, que se torna em mim mesmo ; sendo isto verdade desde a primeira célula, cada animal é ‘feito’, substancialmente, se se quiser, em cada uma das suas células e moléculas, de outros seres vivos de outras espécies. Espantosa lei da alimentacionalidade.&lt;br /&gt;27. Ora, sucede o mesmo no que diz respeito aos meus usos, que aprendo de outros e se tornam meus, de maneira tal que sem eles não sou ninguém, nem sequer ‘eu’ : o processo de aprendizagem, por exemplo, da maneira de conduzir um automóvel, ‘fabrica’ o seu useiro, se se me permite a feia palavra, dando-lhe a espontaneidade dum talento singular. Também assim com a linguagem. Deste mecanismo, recorde-se como a linguística de inspiração saussuriana explicitou a dupla articulação das línguas humanas (A. Martinet) : as palavras são por um lado constituídas por fonemas (ou letras), por outro articulam-se em frases. Aqui, o que é que é retirado ? Os gritos elementares dos hominídeos nossos antepassados, mudados para fonemas, isto é para sons sem significação, que não são imagem de nada, não querem dizer nada (como as letras), &lt;em&gt;retirados&lt;/em&gt; portanto do campo da significação e da troca directa : a partir deles, as línguas formam milhares de palavras com as quais se pode comunicar, encadeando-as em frases muito regradas, segundo regras sintáctico-semânticas (M. Gross) a que ninguém escapa, que se exercem em nós espontaneamente sem a gente saber como, segundo regras que são as mesmas para todos os falantes duma mesma língua (é este automatismo que se perde quando há ablação da área cortical de Broca). Estas frases, encadeadas por sua vez em discursos, permitem também que o sentido das palavras mais frequentes conheça uma variabilidade polissémica relativa e regrada, aumentando assim o leque das possibilidades de dizer. Esta dupla articulação, Martinet mostrou-o há mais de 50 anos, é correlativa, dum lado da economia fisiológica da nossa fonação, que não chega a articular de forma distinta senão algumas dezenas de sons simples (como as teclas dos nossos teclados), do outro lado da nossa capacidade de memória cerebral verbal, já que se diz que nós só utilizamos 3 a 5000 palavras, embora capazes de reconhecer até 30000. Como é que funciona esta linguagem assim adequada à nossa anatomia ? De tal maneira que, por um lado, as palavras e as outras regras da língua são comuns a todos, vêem-nos dos outros, e por isso nos podemos entender, enquanto que, por outro lado, essas frases integralmente regradas saem de nós muito espontaneamente - sem se pensar, sem que se possa pensar em todas as regras linguísticas utilizadas nelas, raramente alguém se engasga para encontrar uma palavra precisa – de maneira adequada à situação aleatória de conversa ou outra em que se fala. Com efeito, numa conversa – em que cada um toma o fio da palavra que acaba de ouvir para lhe acrescentar outra coisa, de acordo ou em contradição – só tem sentido porque cada um dos interlocutores é mais ou menos surpreendido pelo que o outro diz, não sabe de antemão o que o outro vai responder, tem por isso que ser capaz de improvisar segundo o fio aleatório da conversa, mas sempre seguindo as regras da língua, comuns a todos. Tal como um carro no tráfego da estrada. Paremos um pouco para pensar esta coisa extraordinária : &lt;em&gt;nós pensamos &lt;strong&gt;espontaneamente&lt;/strong&gt; com as palavras dos outros, com as palavras de toda a gente&lt;/em&gt;. É uma das maiores questões do pensamento ocidental, nunca bem colocada, que conheceu, desde Platão – a sua reminiscência (Ménon) e a sua maiêutica (Teeteto) -, as respostas mais diversas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. É que há aqui duas leis inconciliáveis que jogam indissociavelmente : a do senso comum, que todos partilham, por um lado, no comércio ou tráfego da chamada comunicação, e a da pulsão a falar singularmente de cada um, a se destacar pelo que diz como inédito, pulsão essa que levaria à loucura se não fosse constrangida desde a infância a conformar-se à pertinência do senso comum, a dissimular o que vem espontaneamente à cabeça (Flahault, § 63) e que, se estivesse constantemente em contradição com a lei de todos lhe valeria a reputação de ser estúpido, ou doido, e a ser marginalizado socialmente. Pelo contrário, em sonhos por vezes a loucura triunfa.&lt;br /&gt;        28. Estes mecanismos de autonomia não funcionariam de maneira autónoma, justamente, se não houvesse um outro tipo de retiro a não ser o do ‘motor’ : o retiro daqueles que &lt;em&gt;dão &lt;/em&gt;o próprio mecanismo, as suas regras iguais à de todos os indivíduos, da espécie ou da língua consoante. A mãe dum mamífero que o traz no seu ventre (o pai tendo-se retirado logo após a cópula) retira-se de maneira progressiva : gravidez e parto, retiro que mantém a alimentação pelo seio, novo retiro com o desmame, aprendizagem dos gestos de ver e mexer, de andar e falar, e por aí fora, até que, adultos, deixam a casa paterna. Este retiro dos pais manifesta-se eloquentemente na morte destes, os filhos permanecendo autónomos sem eles : tanto no que diz respeito ao ADN que regula a sua alimentação e crescimento como pelo uso da fala. Os próprios poetas não dispõem para fazer um poema das palavras dos outros (Ma&amp;shy;nuel Gusmão) : a linguagem é este mecanismo fabuloso vindo totalmente de fora, duma tradição bem ancestral que – enigma dos enigmas – tornou possível o talento singular dum Borges, dum Char, dum Dostoiewski ; os rastos dos outros, daqueles com quem aprendemos tal ou tal palavra, tal ou tal saber, têm que estar &lt;em&gt;totalmente apagados&lt;/em&gt; para que esses rastos falem em nós a nossa palavra autónoma. Se escutássemos as vozes dos outros nesses vestígios (traces), como nos sonhos eles se manifestam por vezes, se ouvíssemos os nossos mestres a ditar-nos ao ouvido o que dizer em tal ou tal situação, seríamos alucinados, loucos.&lt;br /&gt;        29. Já que a lei é heteronómica, dada por outros, esta doação tem que se apagar absolutamente. Dir-se-á que se trata de &lt;em&gt;mecanismos de autonomia com heteronomia apagada&lt;/em&gt;. Tanto é verdade da comida que nos é dada todos os dias para se tornar a nossa substância vital como de tudo o que se aprende ao longo de toda a nossa vida ; ainda que saibamos aonde aprendemos isto ou aquilo, quando usamos o nosso saber ao falar ou escrever, a recordação dessa doação está absolutamente apagada. E é sem dúvida esse apagamento absoluto que explica que ela tenha passado, ainda em nossos dias, segundo parece, desapercebida dos cientistas dos diversos domínios que se ocupam dela. O próprio Heidegger, cujo pensamento sobre o ser e o &lt;em&gt;Ereignis&lt;/em&gt; permite esclarecer isto de maneira tão espantosa, não parece ter-se apercebido de todo o alcance do seu trabalho, inclusive ao nível dos seres vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Variável segundo os tecidos especializados e o aleatório do que se come, dos teores atmosféricos, as necessidades da célula em moléculas gastas, etc.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Tensão, temperatura, pH, teor de oxigénio e outras moléculas essenciais, etc.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; E a da espécie nas épocas do cio.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Ao contrário do que se diz habitualmente, esta não é um ‘mecanismo’, mas uma ‘lei’ da evolução.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Trata-se duma longa história. No que nos diz respeito, os Europeus clássicos do século 17, na sequência de Occam, ocuparam-se de ‘pensamento’, deixando à linguagem o papel instrumental da sua ‘expressão, do interior para o exterior. Trata-se tipicamente do logocentrismo que Derrida desconstruiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-6900548209596179270?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/6900548209596179270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=6900548209596179270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/6900548209596179270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/6900548209596179270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/os-mamferos-e-as-lnguas-humanas.html' title='Os mamíferos e as línguas humanas'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-2691751529810376923</id><published>2008-02-19T16:07:00.001Z</published><updated>2008-02-19T16:09:28.267Z</updated><title type='text'>Um exemplo de obstáculo epistemológico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Um exemplo de obstáculo epistemológico&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;        30. Gostaria de saber se a leitura do capítulo precedente trouxe alguma compreensão nova ao leitor informado no que diz respeito à biologia ou à linguística. O esboço de fenomenologia aí exposto, não o encontrei em nenhum dos livros de especialistas que me ensinaram o que posso saber nesses domínios&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Se o que avanço se revelar esclarecedor ao nível da divulgação, então terá que haver algures um obstáculo do lado dos cientistas, que não poderá ser senão de ordem epistemológica ou filosófica, deverá ter a ver com o nível em que este ensaio se situa. Com efeito, se esta proposta de filosofia com ciências tem algum cabimento, as ciências, filhas rebeldes da filosofia, devem ter guardado nelas – sem o saberem – algo da mãe. Tendo-o contactado por correio electrónico após uma passagem recente em Portugal, a réplica de Edgar Morin ao meu projecto esclareceu-me bastante : « há disjunção completa entre filosofia e ciências ». É de prever que seja uma visão das coisas, de índole positivista, bastante partilhada pelos cientistas. Tenho pois que insistir : não tenho nenhuma pretensão de ensinar a ninguém o que quer que seja de científico, tudo o que conto aprendi com eles. Tenho, sim, a pretensão de ensinar, inclusive aos cientistas, algo de filosofia que lhes poderá ser útil.&lt;br /&gt;        31. Retomemos então o exemplo da biologia. A grande descoberta da biologia molecular, quando se a compara com os outros domínios científicos retidos aqui, é o retiro estrito do ADN no núcleo da célula. Porquê este retiro ? A resposta é óbvia : tem que ser o mesmo ADN em todas as células (donde que muitos genes sejam inibidos, correspondendo a especializações de outras células), há que evitar que ele seja alterado, poupá-lo do metabolismo bioquímico. Ao nível deste, só o ARN mensageiro é utilizado e se degrada de seguida. É desta degradação que o ADN é retirado. Isto tem duas consequências. Por um lado, que o verdadeiro ‘motor’ das sínteses das proteínas seja o que o notabilíssimo biólogo italiano, Marcello Barbieri, chama o ribotipo, as diversas moléculas ribonucleicas do citoplasma, que têm que recorrer ao ADN a dado momento, sem que seja este a tomar a iniciativa (são necessários os mecanismos de regulação da expressão genética). Não há portanto que fazer do ADN o determinante de tudo o que sucede no funcionamento do organismo (no fenotipo, calão antigo que Barbieri retoma). É aí, creio, que os biólogos caiem na armadilha duma causalidade mecânica de origem filosófica e física. A segunda consequência : o papel do ADN e do conjunto do ribotipo limita-se&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; ao metabolismo, ao que se passa dentro da membrana celular (e nos seus arredores aquosos). Acima do nível celular, são os órgãos, segundo os dois grandes sistemas do organismo (o da alimentação e o da mobilidade, o cérebro regrando e articulando ambos num duplo sistema&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;), que se encarregam das diversas funções deste, as quais acabam por convergir na alimentação das células. O que significa que a lógica da evolução dos animais consiste no seguinte : no início da vida, as células, sozinhas ou em colónias, revelavam-se muito frágeis em ambientes com fortes variações, a evolução tendo consistido na junção delas e respectivas especializações de maneira que, ‘organizadas’, pudessem alimentar-se melhor, deixar o mar para a terra e até para os ares, etc.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Onde estará então o obstáculo epistemológico ? Julgo que numa espécie de visão ‘antropomórfica’ dos animais, opondo-os como ‘sujeitos’, ao mundo exterior, sujeitos que têm neles a sua dinâmica, que F. Varela chamou auto-poética ; ao contrário das máquinas, eles far-se-iam a si mesmos. Como se a nutrição fosse uma função do sujeito que se nutre (como a nossa maneira ‘civilizada’ de nos sentamos à mesa). Creio que se ignora assim a lei da selva (§ 26) que depende do que se pode chamar o princípio da conservação das moléculas de carbono. Estas não sendo infinitas, cada organismo tem que as ir buscar aonde elas estão : as plantas à atmosfera, os herbívoros às plantas, os carnívoros aos herbívoros. Não há pois auto-fabricação, mas uma cena de vida que fabrica os seus seres vivos, segundo uma lei geral de que cada um depende essencialmente e à qual tem que escapar o melhor que puder&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. A biologia molecular, é o próprio Barbieri que chama a atenção para isso, imitou os filósofos das ideias do século XVII que colocaram a linguagem em posição secundária, instrumental&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt; : aqui, foram os ribonucleicos que foram instrumentalizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Com diferenças, sem dúvida : a minha formação de base é de engenheiro civil e depois tive uma licenciature em teologie em Paris ; no que diz respeito às outras ciências, defendi uma tese de doutoramento sobre a epistemologia da semântica saussuriana, enquanto que só conheço a biologia, a antropologia e a psicanálise por leituras de curioso. É notável que nenhum dos livros de biologia que li fazem referências significativas à anatomia, como se esta não contasse para a biologia molecular. A minhaa evocação dos §§ 23-24 não teria sido possível sem a &lt;em&gt;Biologia das paixões&lt;/em&gt; de J.-D. Vincent.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Salvo em casos excepcionais, as células das glândulas que produzem hormonas por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Eis uma lei que se repetirá noutros domínios : não são dois sistemas articulados, mas trata-se sempre de uma dupla articulação. É aonde Prigogine é importante : uma dada cena, quando está peltórica, desdobra-se numa outra cena que sresolve, segundo outras leis, o caos que a tornou necessária.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; O chamado ‘meio interior’ (Claude Bernard), sangue e linfa, assim como a seiva nas plantas e o líquido amniótico dos ovos e fetos, correspondem à necessidade estrutural do ‘mar’ como meio ambiente das células.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Igualmente para os carros : a lei do tráfego (da cena) é primeira, não se fazem estradas nem fábricas ºpara ‘um’ carro, mas para milhares. Cada um dde nós, todavia ‘pensa’ no seu carro, condu-lo para o seu destiono escapando aos outros.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Foi por a grande descoberta de Saussure, « na língua não há senão diferenças », ter permitido aos linguistas libertarem-se em parte deste obstáculo, que esta ciência teve no estruturalismo o papel de farol das outras ciências sociais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-2691751529810376923?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/2691751529810376923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=2691751529810376923' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2691751529810376923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2691751529810376923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/um-exemplo-de-obstculo-epistemolgico.html' title='Um exemplo de obstáculo epistemológico'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-4588772781069774494</id><published>2008-02-19T16:04:00.000Z</published><updated>2008-02-19T16:07:28.460Z</updated><title type='text'>As descobertas científicas mais importantes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As descobertas científicas mais importantes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        32. É agora mais fácil dizer quais são, do ponto de vista fenomenológico proposto aqui, as principais descobertas científicas do século XX, que revolucionaram os respectivos domínios. Estes são os campos dos ‘fenómenos’ (duma palavra grega que diz o que se manifesta, o que &lt;em&gt;aparece&lt;/em&gt;). Campos e fenómenos estavam já mais ou menos bem delimitados, entregues havia muito tempo à azáfama científica. A novidade – independentemente uns dos outros, excepto no que diz respeito a Lévi-Strauss – consistiu na descoberta do que se poderia chamar &lt;em&gt;não-fenómenos&lt;/em&gt; : retirados, retraídos da fenomenalidade e tornando-a possível. Primeiro, o núcleo dos átomos, cujos protões e neutrões são retirados do campo de gravitação e do das transformações químicas (de que a física e a química respectivamente se ocupam), os quais núcleos tornam possíveis quer as moléculas quer os graves. Em seguida, o ADN retirado no núcleo da célula, de que se acabou de falar, relacionado com o sangue que vem alimentar cada célula. Em seguida, também já falámos dos fonemas (ou letras) da linguagem, tornando possíveis as palavras e as frases inesgotáveis das nossas conversas e textos, justamente porque retirados do campo da significação. Viremos mais à frente a contrastá-los com os seus parentes próximos, a escrita matemática, a música e as imagens. Depois a psicanálise, de que teremos que renunciar aqui a justificar a sua cientificidade retorcida, atravessada, diagnosticou imediatamente o domínio retraído, o recalcamento das pulsões sexuais e agressivas em relação ao parentesco próximo, como condição das ‘relações psicológicas’ com outrem, oscilando entre o amor e a rivalidade. Enfim, a descoberta por Lévi-Strauss da correlação entre o interdito do incesto – o retiro das relações sexuais de consanguinidade, universal de todas as sociedades humanas – e a estruturação exogâmica da sociedade segundo o seu sistema de parentesco, cuja lógica não consciente decifrou ; sem ser, nem de perto nem de longe, a primeira pedra da cientificidade no domínio das sociedades&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, ela parece-me ser a decisiva, aclarando de maneira luminosa o núcleo social que tece qualquer sociedade humana, quaisquer que sejam as complicações posteriores, devidas às invenções técnicas e às escritas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;        33. Foi este o esquema primitivo desta fenomenologia, tal como o compreendi nos meados dos anos 80, em que o motivo decisivo era o &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; que Derrida tinha ido buscar a G. Bateson : um ‘duplo laço’ que ainda não conhecia a existência de duas leis indissociáveis e inconciliáveis, nem sequer o de retiro (mas já incluía o automóvel). Com efeito, este não é senão uma das três formas de retiro que vim a diagnosticar mais tarde, que chamei &lt;em&gt;retiro estrito&lt;/em&gt;, aquele que retira algo que fazia parte da cena precedente caótica. Tornado mais complexo, ver-se-á depois, com a descoberta de dois outros tipos de retiro correlativos do primeiro&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;, este esquema veio a estender-se, com a experimentação da escrita, a estados intermediários, quer da evolução biológica, quer da história dos humanos.&lt;br /&gt;        34. Quanto ao obstáculo epistemológico que me parece impedir os cientistas de abraçar melhor o conjunto do seu domínio e de os articular aos dos vizinhos, pode-se dizer que ele tem o mesmo perfil no que diz respeito às ciências dos seres vivos, das suas línguas, sociedades e ‘psiquismos’. Trata-se da separação dualista, ainda que atenuada, da oposição entre sujeito e objecto, que os biólogos transpõem aos animais. Digamos que é importante aqui o passo de Heidegger em ruptura com Husserl, propondo em 1927 que &lt;em&gt;os humanos são ‘seres-no-mundo’, estão no exterior deles mesmos&lt;/em&gt; ; mas há que levar mais longe esta proposta espantosa, há que dizer que eles recebem-se do exterior, que, tal como os mamíferos, eles são estruturados a partir da cena e para poderem circular na cena, tornearem os obstáculos e sobreviverem. Quer dizer que a diferença entre mim e o mundo que me é exterior não é originária, mas construída, duma maneira que a psicanálise permite abordar, na medida em que ela conta como o ‘eu’ é desligado do dual imaginário com a mãe pelo recalcamento, vindo a opor-se ao outro que lhe dita a lei, a aprender e a cultivar a sua ‘interioridade’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;. Voltaremos sobre este obstáculo nas ciências das sociedades, em linguística e na neurologia.&lt;br /&gt;        35. No que diz respeito à física, a questão é mais delicada, maior o risco do aprendiz de fenomenologia se enganar. O que me incomoda no discurso físico, é a expressão ‘mundo quântico’ ou ‘mundo das partículas’, a maneira como se fala desse ‘mundo’ como se se tratasse do que chamamos ‘a matéria’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. Porque me dá a ideia de que se trata sempre de coisas fabricadas em laboratório e nos grandes aceleradores, com existência muito fugitiva, portanto incapazes da estabilidade que nós atribuímos aos termos ‘mundo’ e ‘matéria’. O que a teoria do átomo e da molécula nos ensina, é que eles só se aguentam &lt;em&gt;por forças atractivas que atraem&lt;/em&gt; : quer os protões e os neutrões, no caso dos núcleos e das suas forças nucleares propriamente ditas ; quer dos protões e dos electrões no caso dos átomos, primeiro, e em seguida das moléculas e dos graves macroscópicos, a cargo das diferentes forças electromagnéticas enquanto atractivas ; quer enfim dos graves nos astros, no nosso sistema planetário, a cargo das forças da gravidade. São essas forças atractivas, muito enigmáticas, que dão estabilidade ao nosso mundo e ao que chamamos matéria (sólida, líquida e gasosa, nos casos tradicionais). Já Newton não conseguia figurar-se essa atracção, no caso à distância (« hypothesim non fingo », escreveu ele, não ficciono nenhuma hipótese, não a consigo imaginar), creio que a sua multiplicação por três não contribuiu para dissipar o enigma que permanece total. Pode ser que aqui o obstáculo epistemológico seja a &lt;em&gt;separação&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt; entre força e energia : esta sendo por essência dissipativa, explosiva, não serão as forças atractivas que a retêm (em retiros : estes são todos de ordem entrópica, à maneira de Prigogine) de forma a que possa haver a estabilidade do mundo e da matéria ? Se o percurso dos átomos para as partículas é a explosão nuclear, como conceber o percurso inverso, das partículas livres aos átomos ? Nomeadamente como é que é ultrapassada a barreira das forças nucleares ? A explosão dita Big Bang, não seria já ela uma desligação, forças atractivas que rebentaram, à maneira das explosões que nós conhecemos ? Seja como for, o motivo físico das &lt;em&gt;forças atractivas e constitutivas&lt;/em&gt; (dos átomos, moléculas, graves e astros) ser-nos-á útil noutros domínios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; O contributo de Hegel e sobretudo de Marx, na época deles, ficou confinado às sociedades modernas industriais.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; O livro O Processo civilizacional de Norbert Elias esclareceria o prolongamento deste núcleo, nas sociedades modernas, às unidades sociais onde mulheres e homens não ligados pelo interdito do incesto estão lado a lado várias horas por dia.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Um retiro regulador (da homeostasia do sangue, por exemplo, segundo os acasos da cena da selva) e um retiro doador (dos progentopres, dos mestres).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Todos temos experiência de que esta nos não é dada de bandeja, que pede um longo trabalho intelectual e espiritual.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Felizmente que também falam de ‘anti-matéria’, o que parece sublinhar que, tratando-se do mesmo ‘mundo’, não é nem o nosso ‘mundo’ nem a nossa ‘matéria’.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; É certo que aqui não se trata da separação sujeito / objecto, mas qualquer ‘separação’ exclusiva é suspeita a olhos derridianos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-4588772781069774494?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/4588772781069774494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=4588772781069774494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4588772781069774494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4588772781069774494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/as-descobertas-cientficas-mais.html' title='As descobertas científicas mais importantes'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-6587625730892953431</id><published>2008-02-19T16:01:00.000Z</published><updated>2008-02-19T16:03:55.541Z</updated><title type='text'>Cena e laboratório</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Cena e laboratório&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        36. Os exemplos do carro, do mamífero e da palavra ilustraram diversas cenas de circulação estruturalmente aleatória. As ‘coisas’ que circulam nelas, máquinas, animais, discursos, são estruturadas – por fabrico no primeiro caso, nascimento e crescimento no segundo, aprendizagem no terceiro – de maneira a poderem ser autónomas. E parece óbvio que foi sempre essa autonomia que levantou problemas aos que se interrogaram e perguntaram ‘porquê ?’ A dificuldade dos nosso antepassados em curiosidade era a complexidade das interacções nas cenas, havia muitos factores, o mais astucioso, Aristóteles, distinguiu os factores acidentais dos que eram específicos ou essenciais, tornou possível e operatório o nosso motivo de ‘espécie’, foi tão longe quanto era possível só com a ‘observação’. O que nós, modernos, chamamos ciência, surgiu no século XVII com a invenção do laboratório a partir dos arsenais, estaleiros e outros ofícios mecânicos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. O laboratório é, após a definição, uma outra espécie de redução, de retiro suspensivo, como operação de conhecimento : já que a cena e as suas entidades são muito complicadas, é preciso retirar-lhe uma parte e criar à parte, de forma muito precisamente delimitada, uma experimentação, um ‘movimento’ digamos, medindo-o no início e no fim. Depressa se compreendeu que, nessas condições bem determinadas, se encontravam sempre repetições, permitindo pouco a pouco formular « leis da natureza ». Sem que eu saiba dizer aonde e como tal se passou, aconteceu que uma das palavras latinas para ‘definição’ ou ‘delimitação’, a de ‘determinação’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, veio a coincidir com a que se tinha herdado de Aristóteles, a saber a de ‘causa’ como o que &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; natureza, é a ‘razão’ do movimento analisado no laboratório. É claro que os sábios só se interessavam pelo laboratório por causa dessa ‘natureza’ móbil que queriam compreender. E assim como a linguagem que permitia pensar foi relegada pela &lt;em&gt;ideia&lt;/em&gt;, pela representação mental, à função subalterna dum instrumento, &lt;em&gt;também o laboratório foi esquecido&lt;/em&gt; : o sujeito sábio tinha a ver de imediato com o objecto natural, o que se passava no laboratório era como o que se passava na ‘natureza’ ; as determinações que o laboratório operava, excluindo outros factores, passava-se assim, sem mais, na cena&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;, o determinismo da ‘natureza’ impôs-se aos sábios&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;, pois essa era toda a razão de ser deles : descobrir regularidades, leis científicas aceitáveis por toda a gente.&lt;br /&gt;        37. Será um tanto grosseiro, tenho receio que muitos cientistas se sentirão injustamente apreciados. É claro que não se trata de querelas entre especialistas, entre cientistas e filósofos, apenas me espanto de não encontrar este tipo de questões levantado mesmo nos últimos dicionários de filosofia das ciências, nem nas obras de divulgação devidas a cientistas. Aquilo que pretendo poderá ser ilustrado pelos engenheiros de automóveis : trabalhando sempre sobre experimentações fragmentárias, não as podem ligar entre elas para terem uma máquina (trabalho teórico) senão tendo sempre os olhos voltados para a cena do tráfego e para as suas injunções (em ‘bifurcação’). As relações de causa e efeito são o essencial do trabalho dobre cada fragmento no laboratório, mas a concepção teórica do conjunto tem a ver com as tais ‘leis da natureza’ : a composição das regras encontradas só se pode fazer em função do aleatório da cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Foi assim que Newton concebeu a sua ‘ciência’ como filosofia usando geometria e mecânica.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Fines (definição), termo (determinação), limes (delimitação), são palavras latinas mais ou menos sinónimas, para designar fronteira, fim, termo, limite.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Tendo posto a um amigo físico o exemplo do automóvel, vi-o com surpresa objectar-me as pequenas causalidades das diversas espécies umas sobre as outras. Raciocinava no laboratório.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Também houve nesta história ‘determinações’ filosóficas, e mesmo teológicas. O determinismo de Sto. Agostinho foi retomado no debate entre protestantes (Lutero e Calvino eram agostinianos) e católicos, os sábios pertencendo sobretudo aos países dominados pelos primeiros. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-6587625730892953431?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/6587625730892953431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=6587625730892953431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/6587625730892953431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/6587625730892953431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/cena-e-laboratrio.html' title='Cena e laboratório'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-7142979007131306773</id><published>2008-02-19T15:56:00.001Z</published><updated>2008-02-19T16:01:12.862Z</updated><title type='text'>Unidades sociais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Unidades sociais : usos, aprendizagem, ‘envies’&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        38. Será primeiro necessário distinguir as &lt;strong&gt;ciências das sociedades&lt;/strong&gt;, as cujo domínio é, &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;jure&lt;/em&gt;, o do conjunto duma sociedade, a saber a antropologia (sociedades pouco complexas), a história (sociedades agrícolas em torno de cidades) e a sociologia (sociedades modernas em que os cientistas intervêm), com uma indecisão entre as duas últimas no que diz respeito aos últimos séculos como período de transição, distingui-las pois das &lt;em&gt;ciências sociais especializadas&lt;/em&gt; em certas estruturas sociais (e respectivas estatísticas) : demografia, economia, linguística, ciência jurídica, medicina pública, etc.&lt;br /&gt;        39. A análise das estruturas elementares do parentesco por Claude Lévi-Strauss depende da &lt;em&gt;sexualidade&lt;/em&gt;, um dos mais estranhos fenómenos biológicos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; : um &lt;em&gt;inacreditável desperdício&lt;/em&gt;, o excesso de produção de gâmetas e, cada vez mais quando se sobe a escala dos vertebrados, de pulsões sexuais para o coito (delimitadas todavia pelos ciclos do cio) ; com efeito, a organização da sexualidade para a reprodução das espécies foi inventada pela evolução em função das probabilidades dum encontro casual entre duas células fêmea e macha. A biologia animal contradiz assim todos os princípios de economia da anatomia e da fisiologia dos seus organismos. Ora, entre os humanos, o desaparecimento do cio levou esse desperdício a um excesso tal que parece que a universalidade do interdito do incesto se justifica como condição estrita da convivialidade quotidiana dos humanos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. Seria com efeito uma consequência da lição de Lévi-Strauss, &lt;em&gt;o interdito do incesto é a exogamia&lt;/em&gt; : tudo se passa como se não pudesse haver unidades locais de habitação estáveis a não ser que a sexualidade seja &lt;em&gt;estritamente &lt;/em&gt;restringida, por um lado, o que leva, por outro lado, as diversas unidades locais&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; a trocarem as suas filhas e portanto a criarem relações sociais de aliança entre elas. Estas relações de aliança &lt;em&gt;fazem&lt;/em&gt; a sociedade : com a troca das mulheres, estabelecem-se as condições de dimensão demográfica que torna possíveis a invenção e a transmissão dos usos tribais, língua, mitos e rituais, e ainda a solidariedade em situações mais difíceis, nomeadamente as de guerra&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;        40. Só que, dum ponto de vista fenomenológico, as ciências das sociedades estão menos avançadas do que as outras. Os humanos sendo animais de que a biologia se ocupa, que se devem alimentar e que são mortais, a sua dupla reprodução, no dia a dia e de geração em geração, tem que ser a questão crucial de qualquer sociedade, por onde deveria começar a sua abordagem, no sentido de se encontrar uma definição geral de sociedade, que seja válida desde as tribos à nossas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. Pode-se com efeito tentar encontrar uma analogia entre disciplinas sociais e biológicas : no passado, sucedeu que se metaforizassem por vezes as sociedades como organismos. As unidades destes são as células, compostas por sua vez de moléculas diversas, assim como os discursos linguísticos, que também se reproduzem, têm palavras enquanto unidades, compostas por sua vez de fonemas ou letras. Ponhamos que as unidades sociais de residência duma sociedade são as suas ‘células’ – cuja finalidade fundamental é a sua dupla reprodução, dia a dia e de geração em geração – aonde habitam segmentos da sua população, e que elas são compostas, na sua actividade quotidiana e ao longo do ano, pelos usos a que os seus habitantes se dedicam (as ‘moléculas’ sociais). Não será difícil de aceitar que, sendo mortais, tenham que ter como preocupação vital a de fazerem aprender esses usos às novas gerações que os substituirão. Uma sociedade não é a sua população, que não é empiricamente a mesma de 50 em 50 anos : será necessário definir sociedade pelo sistema de usos que ela reproduz incessantemente na Terra geográfica que habita e que a alimenta. O que se faz nas suas unidades locais de habitação.&lt;br /&gt;41. E o que é um &lt;em&gt;uso&lt;/em&gt; ? Uma espécie de ‘gene’ social, um elemento essencial da dupla reprodução da unidade de habitação : trata-se de &lt;em&gt;qualquer coisa muito difícil de inventar mas mais ou menos fácil de aprender&lt;/em&gt;. Seja o exemplo duma receita culinária na &lt;em&gt;sequência dos seus gestos e dos materiais utilizados&lt;/em&gt; : ela pede um certo tempo para ser aprendida, implica, caso a caso, um certo aleatório a fazer face segundo as circunstâncias concretas, uma habilidade a ganhar, ou até uma especialização, uns são mais capazes, outros menos. São portanto susceptíveis de avaliação pelos outros habitantes da unidade social. Os usos seriam a chave do que os sociólogos chamam a « socialização dos indivíduos » : o interesse científico deste motivo, em contraste com o de « acção » (Touraine) ou de ‘prática’ (Althusser), e até de ‘consciência’ (Husserl)&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;, é de evitar a oposição sujeitos / objectos, aqueles sendo supostos autónomos, com saber, poder, deveres, sei lá, estes não sendo senão os instrumentos daqueles. No caso dos usos esta oposição não existe : o sujeito que aprende um uso torna-se outro (um useiro), é mudado por ele. Tanto o que aprende a cozinhar como a que aprende a conduzir um automóvel, a falar ou a escrever, a tocar piano. O useiro faz parte intrínseca do uso, da sua definição, não lhe é exterior, assim como os usos são essenciais para a reprodução do useiro. L’usager fait partie intrinsèque de l’usage, de sa définition, ne lui est point extérieur, de même que les usages sont essentiels à la reproduction de l’usager Estes usos poderão ser de tipo técnico, mas também os há que dizem respeito a castigos e recompensas, os rituais e as festas, a caça colectiva e a guerra, os jogos de amor e os partos. Não é isso que os antropólogos buscam conhecer, descrever, relacionar uns com os outros ? Os historiadores do passado ? Uma vez que esses usos se repetem em todas as unidades sociais, são ditos e pensados em receitas, a grande função da linguagem em qualquer sociedade sendo antes de mais poder dizer e pensar os gestos que se fazem em cada uso e a sua sequência, ensiná-los aos outros. Não se trata duma visão ‘utilitarista’ : contar um sonho ou um poema também é um uso social regulado.&lt;br /&gt;42. Os usos socializam, os indígenas parecem-se uns com os outros, diferem dos estrangeiros. Mas, precisando de tempo e habilidade diante do aleatório, eles também singularizam o seu useiro. A voz de qualquer pessoa permite identificá-la socialmente (região, camada social, sexo) mas também individualmente (reconhecem-se as vozes ao telefone). As ‘performances’ singulares são assim avaliadas pelos outros, cada um deve provar que ocupa o seu lugar social da melhor maneira possível, o que se torna motivo de ‘&lt;em&gt;envie&lt;/em&gt;’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt; para os pequenos, que querem ser como este ou aquela, motivação essencial para as aprendizagens deles e, de forma geral, para a dinâmica social que pede que se tenha ‘envie’ de ocupar os poucos lugares de grande prestígio social, seja em termos de talento, luxo, de saber, de coragem, de generosidade, e assim. Mas em razão das pulsões hormonais que os humanos herdaram da evolução biológica, de fome, sexo, agressão, que são ‘cegas’ na sua raiz biológica, estas ‘envies’ podem tornar-se invejosas e precisam por isso de serem disciplinadas socialmente, mas de maneira a não quebrar o dinamismo. As maneiras de regular as ‘envies’ variam com as sociedades, sem dúvida, que têm prémios e castigos, contam histórias de heróis e de maus. Haverá todavia regras morais que qualquer sociedade tem que ter : não matar, não roubar, não violar, não difamar, para citar o velho decálogo bíblico. Mas poder-se-á precisar a lei moral de qualquer sociedade com a seguinte fórmula : &lt;em&gt;as ‘envies’ não se devem satisfazer senão segundo os usos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Incluindo as plantas, de que me não ocupo.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Isto tem afinidades com as análises de K. Lorenz, mas nele trata-se sobretudo de pulsões de fome que devem ser inibidas para que os membros duma sociedade animal não se comam uns aos outros.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Ou melhor, as linhagens masculinas, nas sociedades patrilineares. A relação entre as estruturas de parentesco e as unidades locais de residência conhece muitas variações.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Que, segundo P. Clastres, é bastante frequente nas sociedades ditas primitivas : segundo ele, as fronteiras das trocas (no interior) são também as da guerra (com o exterior).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Foi um dos meus grandes espantos : não há uma definição geral de sociedade.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; É justamente pela aprendizagem que nos tornamos ser-no-mundo, que se adquire a precompreensão que dá possibilidades nesse mesmo mundo. A aprendizagem implica a ‘redução’ do empírico, substancial, do mestre com quem se aprende e o ‘preenchimento’ do aprendiz pelo saber-fazer respectivo (§ 18). Derrida deslocou a redução fenomenológica para a aprendizagem da linguagem mas ela vale para qualquer aprendizagem, em que se tem que chegar a ser-se capaz de repetir sozinho o que se está a aprender com outro.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; Trata-se dum motivo da antropologia francesa que não sei traduzir adequadamente em português : diz uma ‘ânsia’ não ansiosa, desejo, vontade de, apetite, fome, sêde e outras precisões, mas sendo prévio à ética, também pode dizer inveja. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-7142979007131306773?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/7142979007131306773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=7142979007131306773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7142979007131306773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7142979007131306773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/unidades-sociais.html' title='Unidades sociais'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-1591214809067388052</id><published>2008-02-19T15:53:00.000Z</published><updated>2008-02-19T15:56:15.750Z</updated><title type='text'>O double bind social</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; social&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43. As sociedades têm que se alimentar (a cargo das unidades locais de habitação) e de se defenderem das outras (a cargo do conjunto). Com efeito, de maneira geral, em qualquer tipo de sociedade mas com concretizações mais ou menos complexas consoante, têm que se distinguir estas unidades locais de habitação – residências tribais, casas antigas, unidades de emprego (ou instituições) e famílias na modernidade – do conjunto social, digamos &lt;em&gt;público&lt;/em&gt;, que diz respeito a toda a população (festas, guerras, legislação, etc.) Qualquer unidade local é retirada deste comum social, que é &lt;em&gt;privado&lt;/em&gt; dela, esta palavra dizendo com felicidade o &lt;em&gt;retiro estrito social&lt;/em&gt;. Que essas unidades sejam privadas, é uma condição elementar da habitação quotidiana, a retracção necessária para que os seus usos não sejam estorvados pela multidão exterior. Mesmo as unidades que recebem clientes têm sempre uma zona privada, ligada aos seus usos de ‘produção’. Ora, estes usos não foram inventados por aqueles que os aprenderam, repetem-se mais ou menos os mesmos nas diversas unidades sociais, são quinhão comum da sociedade. A privação diz que é este ‘comum’ que é apropriado pela unidade privada. Duma forma geral, fora do sentido jurídico, qualquer propriedade privada é uma retracção do comum, uma desapropriação&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, que é apropriada para que a habitação (os usos) seja possível de forma dinâmica, organizada em autonomia, livre. A unidade social privada liga os seus habitantes no sistema dos usos, com um laço que é social por si mesmo, muito semelhante ao das outras unidades.&lt;br /&gt;        44. Mas como a razão de ser desta privação é a dinâmica da sua apropriação, que ela seja ‘própria’ às pessoas da unidade, as suas ‘envies’ seguirão a regra geral de qualquer ‘envie’ : ‘envie’ de ser a melhor, de ser invejada (‘enviée’) pelas outras. As vestes e outros enfeites, o luxo, os presentes, a generosidade das festas dadas, desde os ‘potlachs’ aos casamentos riquíssimos, encontra-se sempre a mesma lógica, que cristaliza no culto do ‘nome próprio’ da unidade, da honra da casa ou da família, do prestígio da instituição. É óbvio que uma tal dinâmica ameaça o conjunto social de desagregação, impedindo as solidariedades necessárias em caso de catástrofe e nomeadamente de guerra. É por isso que &lt;em&gt;as diversas unidades sociais são ligadas por um laço social global, por uma lei de regulação das trocas e da resolução dos conflitos&lt;/em&gt;, garantida por uma instância de autoridade.&lt;br /&gt;        45. O laço social é portanto duplo, ligando por um lado os useiros de cada unidade social e por outro as diversas unidades em uma sociedade, pensemos nas sociedades chamadas primitivas, tem que assegurar a reprodução de cada um, nomeadamente a sua alimentação, tem que ter em conta a boa dimensão da unidade em função da demografia, dos nascimentos, e das condições ecológicas ; é a fecundidade da terra, incluindo a das mulheres, que dá a regra da segmentação : não deve haver habitantes de mais nem de menos, nem ‘envies’ a mais nem a menos. Ora, como a fecundidade é a riqueza que todas as unidades locais procuram e que portanto atrai as ‘envies’ de umas sobre as outras, compreende-se que o laço de cada unidade seja &lt;em&gt;inconciliável&lt;/em&gt; com aquele que rege o conjunto e tem que conter todos os excessos ; por outro lado, sozinha, nenhuma unidade se poderá defender das outras tribos estrangeiras guerreiras, donde que estas leis sejam também &lt;em&gt;indissociáveis&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; O que taqmbém e verdade de tudo o que nós temos de mais ‘próprio’, a nossa singularidade, o nosso ‘eu’, o nosso pensamento, que nos vêm dos usos comuns desapropriados dos outros e apropriados (aprendidos) por nós (ou foram eles que nos apropriaram). As palavras dos outros com que nós pensamos, já se disse, ‘tornam-se’ as nossas próprias palavras. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-1591214809067388052?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/1591214809067388052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=1591214809067388052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/1591214809067388052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/1591214809067388052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/o-double-bind-social.html' title='O double bind social'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-3948145180923979615</id><published>2008-02-19T15:49:00.001Z</published><updated>2008-02-19T15:53:21.599Z</updated><title type='text'>O retiro doador dos antepassados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O retiro doador dos antepassados : sagrado e cultura&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;        46. Aqui chegados, é tempo de fazer intervir um outro tipo de retiro, já indicado no § 28. A reprodução sexual faz-se duma forma espantosa, por miniaturização e lentíssimo crescimento. Nos mamíferos, em vez de ovos postos no exterior, este processo foi internalizado na anatomia das fêmeas, o útero dela primeiro, o aleitamento depois. No invisível ovo resultante do coito é colocado, é dado o programa genético da espécie ; um dos doadores vai-se logo de seguida, enquanto que a doadora do óvulo se retirará muito lentamente, para que ele possa ganhar a autonomia dum futuro adulto. Já ao cabo de três ou quatro semanas, o embrião alimenta as suas células com o seu próprio sangue, carregado no entanto pelo sangue materno. Outro passo da retirada é o parto, em que os aparelhos digestivo e respiratório do bebé entram em funções, embora com alimentação do leite materno, cujo desmame representa um novo passo de retiro da doação. Durante longos anos, dar-se-lhe-á alimento, antes que ele o saiba fazer de forma autónoma. Igualmente, já se o sugeriu, aqueles que os ensinam a fala e os saber-fazer se retiram, num processo também de miniaturização, em que se dão as palavras, os gestos, as suas regras em conta-gotas, à medida deles, o saber de adulto retido em reserva. À medida que a criança fala e usa, há retraimento dos que a ensinaram, que podem muitas vezes serem surpreendidos pela habilidade manifestada. Aqui, o dado é o saber social que torna possível a reprodução da sociedade, os doadores que retiram a doação são legião, já que até aos últimos dias se aprende.&lt;br /&gt;        47. Porquê chamar &lt;em&gt;retiro doador&lt;/em&gt; (ou da doação) a este fenómeno tão corrente e banal ? É uma linguagem heideggeriana, que Derrida retomou no seu motivo do rasto (trace). Torna possível compreender aspectos das sociedades que são menos bem conhecidos. Falar de retido doador para a herança da língua da tribo, implica que aquele que está retirado (no seu rasto ou vestígio apagado) não está totalmente ausente, que ele permanece grafado no cérebro do aprendiz, apagado mas susceptível de voltar inopinadamente à memória, ou então em sonho. &lt;em&gt;Ele está lá, sem estar : retirado&lt;/em&gt;. Ora, é esse, de forma geral, o estado dos antepassados de qualquer sociedade : ausentes, visto que mortos, mas ‘lá’, retirados, na eficácia dos usos que eles transmitiram (e alguns raros inventaram). É esta eficácia da doação retirada que manifestam dois tipos importantes de fenómenos sociais : o &lt;em&gt;sagrado&lt;/em&gt; e a cultura. Ambos são por essência ancestrais. Os cenários dos deuses e outros seres imortais variam muito, mas têm em comum de conseguirem trazer os antepassados de novo, ainda que ausentes, repetindo mitos e rituais o mais escrupulosamente possível (‘religio’ é ‘relegere’), tal qual eles também repetiam. Que antepassados ? Todos : o sagrado é holístico, vem de todos os antepassados e diz respeito a todos os habitantes actuais. O seu papel é estrutural&amp;shy;mente ‘conservador’, impedir as inovações que modificariam os sistemas de usos ancestrais&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, Lévi-Strauss mostrou-o dos mitos amerindianos que analisou soberbamente. Ou então, « a sociedade contra o Estado » de P. Clastres.&lt;br /&gt;48. Pelo contrário, pode-se chamar &lt;em&gt;cultura&lt;/em&gt; a maneira como este fenómeno se apresenta nas sociedades de escrita e em que a invenção técnica de novos usos é frequente. Um novo texto importante, a invenção do comboio ou do automóvel, alteram aquilo que vem dos antepassados, acrescenta a herança, incita os habitantes a escolherem entre várias possibilidades. A partir dum certo limiar de inovação, o holismo sagrado desfaz-se, muitas obras culturais são referidas nominalmente àqueles que as criaram, não se pode aceder a todas (que muitas vezes se excluem mutuamente), há que &lt;em&gt;criticar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;avaliar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;escolher&lt;/em&gt;. É esta a significação da palavra grega ‘heresia’, fenómeno estrutural aonde há multiplicidade de textos. A que se opõe a ortodoxia como tentativa de guardar o holismo do sagrado. Mas acontece com a cultura algo de comum com o sagrado : quando leio Sartre, leio o que ele escreveu, durante o tempo da minha leitura coincido no significante do seu texto, digamos, com a sua escrita, com ele a escrever, leio as palavras e frases que ele escreveu, torno-me o mesmo que ele durante esse tempo, mais ou menos capaz de compreender as suas argúcias, é claro. E naquilo que aprendo dele, ainda que eventualmente crítico, &lt;em&gt;ele fica lá, meu antepassado, retirado em mim&lt;/em&gt;. Contra o empirismo míope, os antepassados fazem parte das sociedades : todas as sincronias actuais permanecem incompreensíveis se não se os têm em conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Que deram as suas provas, já que estamos cá, graças aos usos deles.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-3948145180923979615?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/3948145180923979615/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=3948145180923979615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3948145180923979615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3948145180923979615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/o-retiro-doador-dos-antepassados.html' title='O retiro doador dos antepassados'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-8144509659603651803</id><published>2008-02-19T15:45:00.001Z</published><updated>2008-02-19T15:49:38.083Z</updated><title type='text'>As duas modernidades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As duas modernidades e as suas violências : conquista e revolução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;49. Se o &lt;em&gt;gesto moderno&lt;/em&gt; é a invenção de novas técnicas e a proliferação da escrita, há que dizer que, no Ocidente, houve duas modernidades, a dos Antigos, que teve o seu cume no helenismo e no império romano em redor do mar Mediterrâneo, e a nossa, que, saída da chamada Idade Média, chegou à Europa industrializada e científica e à civilização mundial actual, sob égide americana.&lt;br /&gt;50. A grande invenção, sem dúvida extremamente lenta, que separa as sociedades chamadas sem história das que a fazem, foi a da agricultura e da criação de herbívoros, ao mesmo tempo saída dos humanos da lei da selva e a domesticação desta, das suas energias vegetais e animais, em favor deles. Este recurso energético biológico, incluindo os próprios músculos dos humanos, será praticamente a única até à invenção das máquinas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Este ofício agrícola, que será o da grande maioria das populações, criou excedentes que libertaram uma parte das gentes para três outros tipos de ofícios. Os dos artesãos com progressiva especialização do trabalho e consequentes formas de troca, em regiões autárcicas feitas de cidades envoltas de campo. Os dos guerreiros que terão o cargo de defenderem essas regiões dos ataques de guerreiros vizinhos invejosos e das também tentativas de os vencerem e conquistarem, numa lógica de guerra de conquista que tornará possível a formação de reinos mais ou menos vastos, e até de impérios mais ou menos duráveis. Esta &lt;em&gt;lógica da conquista&lt;/em&gt; durará também até à industrialização, Napoleão sendo a última grande figura de general conquistador&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;51. Estes três tipos de novos ofícios modificaram as unidades locais de habitação em função dos novos dados ecológicos, conduzindo a fazer coincidir as condições da actividade económica com a maneira de regular as alianças de parentesco e as trocas de mulheres : casa é o nome das novas unidades sociais em que economia e família, hereditariedade e herança, fazem um, pelo menos como núcleo (se se pensa nos escravos e nos criados das grandes casas de nobres guerreiros). Pelo contrário, o quarto tipo de ofício, o da escrita, mais lento sem dúvida a de desligar dos palácios reais e dos seus templos, deu origem na Grécia a um novo tipo de unidade social, a &lt;em&gt;escola&lt;/em&gt;, desligado das funções de parentesco, que instituiu uma outra maneira de transmissão entre gerações do que a das casas, já não entre pai e filho, mas entre mestre e discípulo (instituição). Já não é a herança que é o critério, mas a ‘vocação’ testada na aptidão à leitura e à escrita&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;52. Se as sociedades chamadas primitivas foram, na maioria e segundo P. Clastres, sociedades que faziam habitualmente a guerra entre elas, parece óbvio que o facto das sociedades agrícolas e de ofícios de cidade terem em todo o lado guerreiros de ofício como classe nobre mostra como elas foram essencialmente sociedades guerreiras, que se libertaram da lei da selva para se submeterem à &lt;em&gt;lei da guerra&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;, sob a forma de conquista para impor vassalagem e tributação, condição dos reinos (através da garantia de defesa contra os guerreiros de fora, a guerra sendo, juntamente com a fome e a peste que muitas vezes traziam com ela, o flagelo dos camponeses). A escravatura é sem dúvida uma grande evidência da dominação desta lei : o enigma da implosão do império romano e da consequente ‘ruralização’ dos séculos que se seguiram explica-se com facilidade pelo facto de que a economia imperial era suportada pelos escravos (laço das grandes casas latifundiárias) e que a unidade do império (laço social global) dependia dos exércitos vigiando as fronteiras, que portanto o &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; era de infra-estrutura guerreira : esta cedeu porque contraditada pela ‘pax romana’ que o império tinha imposto – eram os guerreiros que suspendiam a lei da guerra – e que o justificava enquanto império.&lt;br /&gt;53. Venhamos à nossa modernidade. Ela também teve origem nas sociedades guerreiras de casas agrícolas e algumas cidades de ofícios especializados, mas com uma grande diferença em relação à primeira modernidade : ela herdou quer uma religião (holística, sem dúvida, mas referindo-se a um livro, o que fomentou incessantemente ‘heresias’ no seu seio), quer uma cultura literária e filosófica com que poude, muito cedo, criar escolas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. A Bíblia e a filosofia no seu berço, eis uma primeira grande diferença em relação à Grécia, a outra tendo sido o lento desenvolvimento de burguesias que, em certas regiões livres de potentados reais (na Itália e nas costas setentrionais), puderam desenvolver um cruzamento entre invenção técnica e capital mercantil&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt; : com a invenção da imprensa e o consequente desenvolvimento de escolas além dos clérigos e dos filhos dos nobres, é aonde estaria o segredo do chamado ‘milagre europeu’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;. Foram assim as heranças de antepassados gregos, judeus e romanos, jogando de forma crítica umas contras as outras e misturando-se, que tornou possível a modernidade europeia, cuja invenção decisiva – se houve alguma que fez a viragem – foi a pela qual este texto começou, a do &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; da máquina por Watt.&lt;br /&gt;54. Esta representa uma nova forma de domesticação da energia : já não biológica mas a do calor – mais tarde eléctrica, da explosão dos gases e dos núcleos dos átomos – que a máquina transforma em energia mecânica ou térmica, luminosa, etc., ligando de maneira indissociável e inconciliável duas leis, uma física, outra social, dizendo respeito a usos, a trabalho. E isto com altíssimos rendimentos, em comparação com a energia biológica, portanto com a promessa de muito maior abundância e riqueza a jusante, mas pedindo a montante capitais disponíveis. É por isso que a máquina é indissociável do capital, quaisquer que sejam os regimes políticos, os quais ela obrigará a transformar por revolução (no sentido de ‘industrial’). Esta manifesta-se na quebra das casas de antanho e na criação dum (quase) novo tipo de unidade social a que chamo &lt;em&gt;instituição&lt;/em&gt; : onde não se entra por nascimento ou casamento. Como nas casas de outrora, mas por contrato com aquele que tem a propriedade jurídica das máquinas e por um número limitado de horas por dia. Isto supõe portanto outras unidades locais, as &lt;em&gt;famílias&lt;/em&gt;, invenção moderna especializada no que diz respeito à ordem do parentesco e à habitação fora das horas de trabalho, mas também dois outros grandes tipos de instituições que asseguram os laços entre instituições e famílias. Por um lado, a escola generalizada que concede os saberes necessários aos empregos e faz portanto a ponte entre as famílias (onde nascem as pessoas) e as instituições (onde elas vão trabalhar) e, por outro lado, o mercado&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt; que assegura, por um lado as trocas de mercadorias entre instituições especializadas, por outro, entre instituições e famílias, os salários dando a estas o orçamento que tornará possível aos mamíferos humanos alimentarem-se e em geral, habitarem, aproveitando da nova abundância criada pela máquina.&lt;br /&gt;55. Os guerreiros nobres de antanho foram substituídos pelos engenheiros e pelos capitais, a violência da conquista pela da revolução, com uma lógica totalmente diferente. Primeiro, trata-se, com a máquina, de substituir um uso ancestral (de transporte, de fabrico) por outro totalmente diferente, que vem de fora (de novos antepassados, em geral estrangeiros, por vezes ainda não mortos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[9]&lt;/a&gt;) e pede um saber-fazer completamente diferente, que portanto há que aprender, se ainda se tem idade para isso&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;[10]&lt;/a&gt;. Em seguida, ela joga com as promessas de abundância (o progresso material, dado em espectáculo, sob forma de luxo, pelos médias&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;[11]&lt;/a&gt;) e com as necessidades de salários para habitar. Quer dizer que, &lt;em&gt;de jure&lt;/em&gt;, a violência já não se exerce, como dantes, pela lei visível do Outro, a heteronomia do pai e patrão ou do rei e senhor pela força muscular ou das armas, mas sobre as autonomias que devem ser atraídas e submetidas a heteronomias mais ou menos apagadas : ‘é pelo meu interesse que eu devo trabalhar’. Isto não diz respeito apenas aos operários ou aos assalariados, mas qualquer miúdo ou miúda depressa percebe que a escola recompensará mais tarde os seus esforços para estudar, que os seus talentos serão susceptíveis de rentabilidade, esta se tornando a norma, a produtividade (medida em números pelo capital).&lt;br /&gt;56. As revoluções políticas são os efeitos, com toda a espécie de diferenças temporais, desta lógica : a sua violência política, os seus partidos únicos, leninistas ou nacionalistas, nos países importadores de modernidade (de técnicas e de ideias), relevam desta violência. As revoluções de libertação colonial dos anos 50 e 60, tão simpáticas, revelaram em seguida, hélas !, não serem senão a transição da lógica colonial de conquista pela lógica neo-colonial da revolução industrial&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;[12]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; O que justifica a preponderância da filosofia aristotélica da phusis nas escoals europeias até ao século 18.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; As duas grandes guerras mundiais do século 20, desencadeadas pelos exércitos alemães, terão sido nesse sentido anacrónicas (por falta de anticipação do neo-colonialismo ?), o último sobressalto (da mais poderosa nação) da Europa, na véspera da subida dos engenheiros e dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Houve dois momentos históricos excepcionais em que a escrita alfabética teve efeitos notáveis sobre os laços sociais de tipo global,através da proliferação de textos e das discussões que eles geraram, a suscitação nomeadamente dum cepticismo novo : a multiplicação de manuscritos na segunda metade do século 5º A.C. e os conflitos a respeito do ensino dos jovens (de que a condenação de Sócrates dá testemunho) ; a divulgação dos livros impressos no século 16, em que os testemunhas são a ruptura estrondosa da religião da civilização que encaminhou as nações protestantes para a modernidade e a sinistra inquisição nos países latinos não libertados.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; O canibalismo, onde existiu, foi talvez o efeito do cruzamento destas duas leis.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; O filósofo espanhol O. Market disse que a universidade foi a mais bela invenção da Europa. Se se pensa que a Europa só saíu da Cristandade medieval com o Renascimento, o Protestantismo e a descoberta pelos Portugueses dos caminhos dos oceanos, haveria que inverter a afirmação e dizer que foi a Europa a mais bela invenção da Universidade (e das burguesias.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Que nunca se poude impor nas sociedades antigas com dominação imperial do comércio, em que o trabalho das mãos e do comércio foi sempre considerado ‘servil’ (de escravos ou metecas) e ‘indigno’ (de mecernários). Impossível também a futura experiência científica.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; Na ‘solução’ pelo historiador E. Jones haveria portanto, além dos critários económicos , que tere em conta tanto a escola, os livros e a filosofia como a burguesias, cujo maior elogio paaradoxalmente é o do 1º capítulo do Manifesto do Partido Comunista de 1848.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; O mercado é uma sub cena social que, como a política e a escola com os médias, atravessa todas as outras cenas (alimentação, saúde, transportes, construção, famílias) ; ela é succeptível também de análise em double bind, a partir da teoria da moedad e da mercadoria do 1º livro de O Capital (Goux, 1969), assim como a instância política a partir de Hegel.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[9]&lt;/a&gt; Da mesma maneira que aleitura do livro dum mais jovem que eu e que me modifica faz enrtar os eu autor no panteão dos meus antepassados.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;[10]&lt;/a&gt; Os velhos perdem o estatuto privilegiado de anciãos, dos que têm o saber maior ; este, renovando-se depressa, pertence muitas vezes a mais jovens. ieux perdent leur statut privilégié d’anciens, de ceux qui ont le plus grand savoir : celui-ci, se renouvelant vite, est souvent le fait des plus jeunes.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;[11]&lt;/a&gt; Sic : é a forma correcta em português, vinda do latim e não do inglês ‘media’ (que os ignorantes dizem, e os brasileiros escrevem ‘mídia’).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;[12]&lt;/a&gt; O conceito de colónia vem desde os tempos dos Fenícios e dos Gregos : estrangeiros mais civilizados chegam e criam, usando a força contra os indígensas sensdo necessário, unidades socaiis análogas às dos seus países, segundo os seus usos e em exclusivo proveito deles e das suas metrópoles. Nas Américas,em África e na Ásia (excepto o Japão e a China), o colonialismo que seguiu a descoberta dos itinerários marítimos foi uma conquista semelhante. Hoje, uma exploração mineira de petróleo ou outra, com técnicas ocidentais e os indígenas empregados nos trabalhos que não exigem saber, com a cumplicidade das autoridades que beneficiam disso, é o mesmo modelo, a violência revolucionária que exclui os indígenas devido à suaignorância tendo substituído a da conquista. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-8144509659603651803?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/8144509659603651803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=8144509659603651803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/8144509659603651803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/8144509659603651803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/as-duas-modernidades.html' title='As duas modernidades'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-4098293437009821795</id><published>2008-02-19T15:41:00.001Z</published><updated>2008-02-19T15:45:27.733Z</updated><title type='text'>Da autarcia à heterarcia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Da autarcia à heterarcia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;57. As lógicas das duas modernidades, das sociedades de casas e das sociedades de instituições e famílias, são portanto muito contrastadas, tanto quanto as suas formas de energia. Aonde reina a energia biológica, há que aprender a guiá-la e fazê-la frutificar, sem se ter nunca o controle suficiente : nem da fecundidade agrícola nem do gado, nem de que haverá herdeiros machos. Os mitos religiosos, que contam sempre que a fecundidade é o segredo dos deuses, parecem ser correlativos desta dependência das sociedades em relação à ‘natureza’, à &lt;em&gt;phusis&lt;/em&gt; de Aristóteles. Com uma espécie de compensação, todavia : as casas agrícolas, quando tudo corre bem, bastam-se a si mesmas, são autárcicas, assim como as cidades na sua região envolvente. O comércio (como a escola aliás) foi sempre marginal a essas populações, coisa das cidades, e sobretudo do rei e dos nobres, comércio de luxo. O saber-fazer, dos camponeses e dos pastores como dos artesãos e dos guerreiros, aprende-se em casa, de pai em filho e de mãe em filha, com eventuais segredos das casas, pedindo habilidade diante das circunstâncias aleatórias. Este saber-fazer, tão desprezado pelos modernos, tem no entanto o selo do seu valor : foi ele que permitiu à casa chegar aonde chegou, há pois que o repetir o melhor possível. Quer dizer que a herança é a trave-mestra das casas (e não os afectos) : do nome e da sua honra, das terras, rebanhos e edifícios, dos saber-fazer e até das virtudes. O preço desta autarcia é que nestas sociedades não há indivíduos, em sentido moderno : as pessoas pertencem às casas, em que a vida toda delas está integrada e submetida à lei paterna. Mesmo o pai, fora de casa, não vale senão pelo peso dela.&lt;br /&gt;58. A lógica das sociedades contemporâneas é a inversa, ponto por ponto, ou quase. Rapidamente cada um se torna indivíduo na medida em que é habitante de mais duma unidade social (família e escola, emprego mais tarde), sem portanto ser ‘integrado’ inteiramente por nenhuma&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. A especialização das unidades sociais, numa rede imensa que as fronteiras não param, já que as máquinas não as conhecem e que as moedas estão a encontrar maneiras de se aguentarem juntas, ou até de se unificarem. Foi o que Heidegger pensou no motivo do &lt;em&gt;Ge-stell&lt;/em&gt;. Uma fábrica implica fazer antes de mais um organigrama e os respectivos cálculos, isto é re-presentar, colocar diante (&lt;em&gt;darstellen&lt;/em&gt;) o conjunto, programá-lo. Depois há que requisitar (&lt;em&gt;bestellen&lt;/em&gt;) as máquinas, as matérias-primas, etc., e colocá-las (&lt;em&gt;stellen&lt;/em&gt;), incluindo os em&amp;shy;pregados (&lt;em&gt;stellung&lt;/em&gt;, em&amp;shy;prego). Trata-se das condições - de razão – prévias ao pôr a fábrica a andar pelo capital investido (colocado), condições do seu ‘controle’ sobre cada ‘coisa’ que ele interpela para a obrigar a ‘dar razão’ (também &lt;em&gt;stellen&lt;/em&gt;) e poder portanto comandá-la, requisitá-la, seguir de perto. Ora, isto é verdadeiro também de todas as outras fábricas já em marcha e das outras instituições. &lt;em&gt;Foi a esta&lt;/em&gt; &lt;em&gt;heterarcia programada por uma razão que calcula e prevê que Hei&amp;shy;degger chamou Ge-stell&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; : o que reúne (&lt;em&gt;ge&lt;/em&gt;-) as diversas ‘colocações’ e ‘empregos’ e as directivas das ‘re-presentações’ que se fazem da marcha do conjunto e que, a partir da ciência física, « põe a natureza em intimação (&lt;em&gt;stellt&lt;/em&gt;) de se mostrar como um complexo calculável e previ&amp;shy;sível de forças” (1958, p. 29). Enquanto tal, a rede não tem controle ; com efeito, ela não pode parar (sem perdas e desperdícios de toda a ordem, de lucros mas também de salários, claro), o que implica uma espécie de imperativo : ‘Isto tem que andar’. Cada um – administrador, banqueiro, ministro, tanto como o operário e o servente – tem que estar no seu posto, no seu ‘emprego’ no sistema, sem que haja lugares ‘de fora’, nem divinos nem transcendentais. Quando há crise, preço da heterarcia, toda a gente é atingida, mesmo se alguns se podem defender melhor do que outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Outro exemplo de individuação impossível mas sociedades antigas, em que aprender era tornar-se equivalente e futuro substituto do mestre : aprende-se a utilizar máquinas que não se sabe como são feitas, assim como se lêem livros muito diferentes, sam ter a especialização dos seus autores.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Sem ser fácil de traduzir, corresponde no entanto etimologicamente ao grego sín-tese ou ao latino com-posição. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-4098293437009821795?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/4098293437009821795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=4098293437009821795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4098293437009821795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4098293437009821795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/da-autarcia-heterarcia.html' title='Da autarcia à heterarcia'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-2484802729917945988</id><published>2008-02-19T15:37:00.001Z</published><updated>2008-02-19T15:41:49.657Z</updated><title type='text'>Aristóteles e Kant</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Filosofia &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; história : o exemplo de Aristóteles e de Kant&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;59. Num outro texto, Heidegger chama &lt;em&gt;Gestellung&lt;/em&gt; à &lt;em&gt;phusis&lt;/em&gt; de Aristóteles, a ‘natureza’, o que sugere que, sem o explicitar, ele teria pensado na variação desta palavra a diferença entre os dois tipos de sociedade, umas movidas pelas energias dos vivos e as outras pelas das máquinas. Sabe-se a importância que tem o motivo da autarcia em Aristóteles, a quem se deve o da &lt;em&gt;ousia &lt;/em&gt;(tanto a ‘substância’ dos vivos como a sua commum ‘essência’, digamos aproximativamente). Se se compara com Kant, que introduziu a física de Newton na sua metafísica (Vuillemin) e em consequência excluiu a ‘substância’ – a ontologia torna-se gnosiologia, o ser é interpretado como ‘tese’ (Heidegger) -, poder-se-ia verificar que os seus pensamentos correspondem cada uma ao tipo de civilização de cada modernidade&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Assim, por exemplo, a autonomia do sujeito kantiano, que tem nele as categorias do pensamento gnosiológico (racional e científico), é adequada ao novo indivíduo que está a emergir para uma civilização &lt;em&gt;Ge-stell&lt;/em&gt;, a saber de tipo científico e técnico, enquanto que as categorias de Aristóteles diziam mais respeito às narrativas dos seres vivos (quem, quando, onde, qual, quanto, em que posição, fazendo ou sofrendo o quê, um pouco como as dos jornalistas). Quer isto dizer que o contraste tão forte dos seus pensamentos releva das diferenças estruturais das respectivas civilizações, que são as diferenças entre duas Físicas, a dos seres vivos e a dos inertes. Se isto for admitido, podem-se encontrar paralelismos de espanto, com um projecto geral semelhante, digamos para privilegiar o movimento sobre a substância, a) sabendo-se que aquele é relativo (é também o caso da geração e da corrupção em Aristóteles), b) sem cair no relativismo (dos empiristas e sofistas) e c) criticando o eterno ou absoluto (Platão e Descartes ou Leibniz), a &lt;em&gt;separação dualista&lt;/em&gt; entre o céu das ideias e a terra das coisas. Ora, este programa não é possível senão na medida em que a sintaxe teórica proposta&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; seja simultaneamente a do sujeito que conhece (Kant) ou do &lt;em&gt;logos&lt;/em&gt; (Aristóteles) e do movimento físico na sua causalidade, este ‘e’ designando o lugar irredutível nos dois pensadores da experiência sensível a caminho do conhecimento inteligível. Quer dizer que, tanto num como no outro, &lt;em&gt;mutatis mutandis&lt;/em&gt;, as categorias (de pensamento) são também o que unifica as causas do movimento físico : não se trataria de ‘duas’, uma do pensamento e outra do movimento, mas duma só (&lt;em&gt;ousia&lt;/em&gt;, em Aristósteles, é tanto a essência quanto a substância). Assim como em Kant o transcendental torna possível o empírico na síntese a priori, há que compreender que em Aristóteles, também o &lt;em&gt;logos&lt;/em&gt; ‘antecipa’ (acolhe e unifica) aquilo de que se pode falar, sem separação entre ideal e real. Esta síntese a priori acaba por negar, no fundo, a oposição ‘análise / síntese’, isto é que haja um qualquer ‘antes’ da dispersão : os númenos das coisas em Kant teriam um estatuto próximo quer da &lt;em&gt;ousia&lt;/em&gt; primeira, a ‘substância primeira’ ou substrato de cada ente particular, não susceptível de ciência, cognoscível apenas no seus ‘acidentes’, quer da &lt;em&gt;hulê&lt;/em&gt;, a ‘matéria’ aristotélica – que não é verificável senão informada por uma forma – a qual desaparece em Kant (no sentido pelo menos em que o fenómeno é o que aparece) com os númenos, a coisa em si desconhecida, a existência do Mundo.&lt;br /&gt;        60. E encontramos outra semelhança : o gesto aristotélico de criticar as Ideias eternas de Platão, gesto que permite conhecer as coisas deste mundo, é a aproximar da colocação por Kant de Deus fora do conhecimento humano, e portanto também da sua contestação das provas da existência de Deus. Porque se trata do mesmo gesto : a recusa dum referencial absoluto (exterior) para o conhecimento. É certo que os argumentos escolásticos a favor da existência de Deus (excepto o ontológico, claro) são de origem aristotélica, o que depende da sua física, do privilégio dos seres vivos como tendo o movimento por eles mesmos (&lt;em&gt;euatô&lt;/em&gt;); em Kant, é a inércia dos corpos da física newtoniana que, relativizando a ‘substância’ – como massa mensurável ou quantidade de matéria, portanto em relação essencial com outras massas, não há massa senão em relação a outras massas (§ 66n) – e atribuindo qualquer modificação do estado inerte dum corpo (em repouso ou em movimento rectilíneo uniforme : isto é qualquer efeito de aceleração, positiva ou negativa) a forças exteriores ao corpo (recusa pois da « força de inércia » de Newton), é pois essa inércia do movimento físico que despede o Deus dos filósofos. A alma imortal, com a sua relação privilegiada às Ideias ou a Deus, também é despedida do conhecimento, tanto em Aristóteles como em Kant, pelas mesmas razões realistas, como se diz : para que o conhecimento possa começar exclusivamente pela experiência sensível, sensações, percepções, imaginação, etc. É, em cada um à sua maneira própria – autarcia e autonomia respectivamente – a afirmação racional e com brio da finitude humana. Tão opostos nas respectivas físicas, tão próximos no entanto no grande gesto filosófico : será necessário afastar-se tanto dum pensador para se tornar seu próximo ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Havendo o cuidado, é claro, de precisar que as relações entre os diversos elementos da civilização moderna europeia não se explicitaram simultaneamente, mas com disparidades cronológicas : a máquina a vapor foi inventada cem anos antes da termodinâmica que fornece a teoria dela, ou então as armas de fogo, substituindo as armas brancas da civilização ‘natural’, surgiram na viragem do século 15 para 16, um pouco antes do protestantismo. E se Napoleão toca o sino pela morte da conquista, também inaugura com o seu código civil a administração moderna.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Que leva Kant a ultrapassar o atomismo, como Aristóteles recusa o de Demócrito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-2484802729917945988?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/2484802729917945988/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=2484802729917945988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2484802729917945988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2484802729917945988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/aristteles-e-kant.html' title='Aristóteles e Kant'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-4443362190621590682</id><published>2008-02-19T15:32:00.002Z</published><updated>2008-02-19T15:37:22.762Z</updated><title type='text'>O quadrado das inscrições</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O quadrado sinóptico das ‘inscrições numa matéria de empréstimo’&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;61. Façamos um parêntesis para olhar, na cena da linguagem, outras estruturas diferentes dela. Distingamos entre os usos sociais os que são do género técnico doutros que não o são : os rituais, as leis, outros usos parecidos. Aonde situar a linguagem ? Como a caracterizar entre as estruturas da habitação humana ? Não se trata dum uso como os outros ; se também se aprende, quão lentamente !, e se se reproduz portanto de geração em geração tal como os outros, ela tem a especificidade de ser necessária também, sob forma de &lt;em&gt;receitas&lt;/em&gt;, para a reprodução dos outros usos. Esta característica parece ligada a uma outra que a distingue dos usos de tipo técnico, os quais têm, por assim dizer, uma função ‘substancial’ (construção, máquinas, instrumentos, alimentos, etc) que tem uma relação essencial com a matéria inerte de que são construídos : a linguagem, pelo contrário, é constituída por um jogo diferencial de elementos, de palavras duplamente articuladas (s 27) que se inscrevem numa ‘matéria’ outra, sonora ou superfície (os sons das gargantas humanas ou do morse dos telégrafos, os papeis ou equivalentes das escritas, os buraquinhos salientes do braille)&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; e mudam dela facilmente, já que destinados a trocas entre vozes e ouvidos. Ora, esta forma de inscrição da linguagem é comum a outros jogos de diferenças, como a música, os caracteres matemáticos e as imagens. A primeira partilha a matéria de inscrição com a linguagem propriamente dita, a oral, mas também é susceptível de notação escrita, a qual por seu lado é essencial às operações com números e às imagens. Temos hoje uma maneira cómoda de distinguir estes quatro tipos de inscrição dos outros usos técnicos : só eles são susceptíveis de transmissão ao longe por fios eléctricos ou ondas electromagnéticas, de serem reproduzidos em computador.&lt;br /&gt;62. Já que parece que não há nome comum a estes quatro tipos de inscrição, diferenciais e não ‘substanciais’, pode-se alargar ao conjunto a expressão de Alain, citada por P. Somville, para caracterizar a pintura : « inscrição numa matéria de empréstimo » (p. 46). Tratar-se-á aqui dum ensaio de caracterização recíproca destas quatro formas de inscrição, segundo um quadrado (quase) sinóptico. Para o fazer, tomaremos uma característica que lhes é comum à excepção das imagens : os seus elementos articulam-se segundo uma &lt;em&gt;linearidade ao mesmo tempo espacial e temporal&lt;/em&gt;, de maneira tal que se distinguem reciprocamente sem se sobreporem (salvo as harmónicas musicais), são compostas (implicitamente) por operações de comutação (dos linguistas). Eis o quadrado. A &lt;strong&gt;linguagem oral e a sua escrita alfabética&lt;/strong&gt; são duplamente articuladas, já que formam as suas frases por articulação (sintaxe) das unidades de referência às coisas, as palavras, que por seu turno são compostas por unidades imotivadas (os fonemas e as letras, que não são referência nem imagem de nada, não têm significação). A &lt;strong&gt;escrita matemática&lt;/strong&gt; articula apenas unidades de referência, números, letras e signos sintácticos de operação, cuja significação é convencionada previamente : ela ignora portanto o nível das unidades imotivadas. A &lt;strong&gt;música&lt;/strong&gt; também só tem uma articulação, mas é de unidades imotivadas (as chamadas notas musicais), já que sem referência, com as quais são compostas as melodias musicais. As &lt;strong&gt;imagens&lt;/strong&gt;, por fim, unidades de referência por definição, não se articulam linearmente, são compostas em superfícies ou planos sem que se possa sequer falar de elementos discretos, de segmentação.&lt;br /&gt;63. Este quadrado sinóptico permite deduzir as propriedades principais destes quatro tipos de inscrição numa matéria de empréstimo. As &lt;strong&gt;línguas duplamente articuladas&lt;/strong&gt; utilizam a &lt;em&gt;polissemia&lt;/em&gt; das palavras mais frequentes como maneira económica essencial que permite uma grande variabilidade de discursos, de estilos e de performances, desde as diferentes poesias e literaturas até aos textos gnosíológicos das ciências e filosofias (que se defendem como podem da polissemia através da definição). Tratando-se de línguas necessárias a qualquer sociedade para a reprodução dos seus outros usos, a imotivação das suas unidades elementares teve como consequência histórica a multiplicação das línguas, separando as populações em indígenas e estrangeiros, quaisquer que sejam as incidências genealógicas dumas sobre as outras&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. Não há universalização sem tradução, o que é um grave problema para a universalidade da razão europeia. A &lt;strong&gt;articulação matemática&lt;/strong&gt; apenas das unidades de referência exclui a polissemia e torna possível a exactidão desta escrita e a sua ‘verdade’, o erro sendo de ordem puramente sintáctica ; mas os limites dos caracteres ‘letras’ (para as constantes e as variáveis) mostram como as matemáticas sãs estruturalmente fragmentárias&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;, segundo equações respondendo a problemas específicos (definidos pela constelação das suas variáveis) e não formando textos (que supõem sucessões de frases diferentes quanto ao sentido) ; sendo essencialmente escrita, ela não depende nem das línguas orais nem dos alfabetos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;, é portanto universal &lt;em&gt;de jure&lt;/em&gt;. Imanente, uma vez que sem unidades de referência, a &lt;strong&gt;música &lt;/strong&gt;é a única destas inscrições que possa ser dita abstracta, insusceptível de verdade e com liberdade máxima de composição. O próprio da &lt;strong&gt;imagem&lt;/strong&gt;, sem articulação de elementos discretos, é ser singular, nem resumível, sem polissemia (em sentido estrito) nem ‘sentido’. Só existem em composição, em geral rectangular ; a arte da fotografia, do cinema e da pintura é justamente a da composição dos planos, do que há que incluir neles e excluir, da escala (do grande plano à panorâmica) e da perspectiva. Susceptíveis de ficção desde sempre, o quadro e o desenho, e por isso dubitativos quanto à verdade, a fotografia introduziu uma época de ‘verdade’ das imagens que está a acabar com a sua digitalização recente.&lt;br /&gt;64. A questão da liberdade e da verdade no que respeita às línguas duplamente articuladas é mais complexa e merece reflexão à parte. Se nas línguas não houvesse senão a liberdade musical sem nenhuma verdade possível, seria a anarquia das liberdades, ninguém se entenderia. Se, pelo contrário, só houvesse a verdade exacta das matemáticas, falaríamos como máquinas, sem nenhuma liberdade. Se enfim as palavras fossem singulares como as coisas a dizer, permitindo milhares de ‘fotos’ diferentes de cada uma, elas seriam pura e simplesmente inúteis. Ora, enquanto que as outras inscrições são em geral negócio, senão de especialistas, pelo menos de gente dotada, a linguagem oral tem que ser – como os outros usos comuns da tribo – o bem de toda a gente, permitindo a cada um, não só marcar o seu lugar singular como antes de mais de pensar e ser estruturado como ser humano. A dificuldade é que tornar-se singular no seu estilo e nas suas performances quando se tem que aprender dos outros e a repetir as regras deles para se fazer entender e aceitar. Um texto curto e muito forte de F. Flahault (1979) resolveu a questão, sublinhando como numa conversa há sempre um só lugar que se tem que tomar : quem fala tem que fazer valer o seu direito a se fazer ouvir pelos outros, a sua &lt;em&gt;pertinência&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. Ora esta não nasce espontaneamente, tem que ser cultivada e para tal é preciso ser corrigido pelos outrros, aprender a não dizer logo o que vem espontaneamente à cabeça, a criticar-se a si mesmo primeiro, silenciosamente, para evitar a crítica social, ou seja a aprender a dissimular, a guardar segredos, a cultivar o seu foro interior, a sua ‘vida interior’, o seu pensamento, em suma. Esta &lt;em&gt;capacidade de dissimulação&lt;/em&gt; é também a condição da mentira que pode fazer mal a outrem, sem dúvida, mas é a arte do actor, da ficção literária e artística. A singularidade de cada um implica a sua distância, o seu retiro em relação ao dizer dos outros, não lhes sofrer os constrangimentos impostos sem os avaliar. A linguagem duplamente articulada, elíptica e polissémica, presta-se muito bem a esse efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Com algumas diferenças devidas à diferença das matérias de inscrição (a linguagem oral não faz um intervalo entre todas as palavras como a nossa escrita alfabética, por exemplo, em que o branco faz parte do sistema de diferenças), trata-se no essencial do mesmo sistema.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Assim as línguas latinas, de que se conhece bem a língua-mãe, não deixam de tornar os seus indígenas estrangeiroos aos das outras.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; E exaustivas, enquanto que qualquer discurso em lºíngua é estruturalmente elíptico.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Apesar das convenções de definição das unidades precisarem das línguas, elas operam automaticamente, as calculadoras são testemunhas.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Como é óbvio quando se trata de publicar, em artigo de jornal ou em livro, o problema é o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-4443362190621590682?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/4443362190621590682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=4443362190621590682' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4443362190621590682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4443362190621590682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/o-quadrado-das-inscries.html' title='O quadrado das inscrições'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-3654034670724234850</id><published>2008-02-19T15:26:00.001Z</published><updated>2008-02-19T15:32:01.654Z</updated><title type='text'>O retiro regulador das oscilações</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O retiro regulador das oscilações entre pequenas repetições e acontecimentos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;65. Após este longo percurso através das ciências das sociedades&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, voltemos à questão dos retiros constitutivos dos tão diversos fenómenos das diferentes disciplinas científicas, a fim de poder abordar um pouco melhor a questão mais difícil, a dos respectivos &lt;em&gt;double binds&lt;/em&gt;. O que chamei, com inspiração heidegeriana directa, &lt;em&gt;retiro doador&lt;/em&gt;, diz respeito à ‘vinda ao ser’ destes mecanismos autónomos vivos, à maneira como os mecanismos que estão na origem deles os ‘deixam ser’ autónomos de maneira progressiva, segundo a temporalidade do seu tamanho : retirados, esses doadores permanecem ‘apagados’ nesses mecanismos, que são o ‘rasto’ deles (Derrida). Enquanto que o &lt;em&gt;retiro estrito&lt;/em&gt; – este de inspiração derridiana – faz parte dos mecanismos, retém a energia demasiada em repetições que se podem dizer automáticas, já que fora de qualquer interferência directa : no caso do automóvel, por exemplo, é impossível pôr a mão no cilindro onde se faz a explosão da gasolina ; o núcleo atómico é inexpugnável nas condições terrestres de temperatura ; os biólogos defendem como dogma que o ADN não recebe aquisições do ambiente ; o sistema fonológico de cada língua resiste também às mudanças na longa duração, reformula a fonética das palavras estrangeiras recebidas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; ; o interdito do incesto permanece inexpugnável quando todos os ‘tabus’ sexuais parecem ter caído ; o próprio nome de recalcamento diz como tudo o que se aproxima dele é engolido com ele. O elenco é eloquente : obviamente que estas repetições automáticas não são adequadas às cenas em que a lei obriga a ter em conta o aleatório provocado pelos outros mecanismos autónomos, é portanto necessário que haja entre eles um mecanismo de regulação, que deve ter a espontaneidade da autonomia e a maleabilidade rigorosa da adequação à cena dos outros, à sua lei de circulação. No caso do carro, o mais simples porque sem auto nutrição, esta regulação é assegurada pelo aparelho, por tudo o que não é o motor cilíndrico de explosão. Desembraiado, ao ralenti, ele consiste apenas nas repetições estritas do êmbolo, a embraiagem e a caixa de velocidades são mecanismos de oscilação que permitem à máquina mudar de comportamento segundo os acasos do trânsito, de travar quando a toda a velocidade ou, pelo contrário, a acelerar depressa quando a estrada se abre, ganhar intensidade, a exaltação de guiar : trata-se do acontecimento em relação à monotonia dum engarrafamento, feita de pequenas repetições, pára, arranca. Estes mecanismos repetem-se – como &lt;em&gt;uso&lt;/em&gt; – no condutor do carro. Ele aprendeu a regular as pequenas repetições da máquina e as suas oscilações, a ter também pequenas repetições automáticas na condução, a tornar-se ele próprio em certo sentido uma peça da máquina, já que os seus movimentos têm que seguir os acasos do tráfego quase maquinalmente, automaticamente, sem dar quase atenção, com a espontaneidade da habilidade, atento à direcção a tomar, aos outros carros, aos sinais do trânsito na estrada, com uma espécie de atenção flutuante, em calão psicanalista, que as pequenas repetições, com o seu automatismo, tornam possível. A atenção está sempre na expectativa dum acontecimento sempre possível ou à procura duma intensidade de velocidade, num rally, por exemplo, uma perseguição de carros num filme de acção.&lt;br /&gt;66. Podem-se dar para a linguagem exemplos semelhantes de oscilações entre pequenas repetições e acontecimentos. Os fonemas (ou letras) são repetições estritas, em que a voz que as diz tem um papel motor, de ex-pressão (ou os dedos no teclado, de im-pressão). Mas as frases que se dizem têm uma quantidade de regras de morfologia e de sintaxe, preposições, conjunções, acordo de género e número, flexão dos verbos, que nós fazemos automaticamente, sem pensar nelas. Podemos supor que escolhemos, muito rapidamente aliás, os nomes e adjectivos, verbos e advérbios, mas eles chegam-nos à boca já encadeados em frases linguisticamente correctas. Poderíamos falar se tivéssemos que dar atenção a cada uma dessas regras ? Não posso evitar de falar aqui do livro mais extraordinário, do ponto de vista da metodologia linguística&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; : em 1975, pela primeira vez desde as gramáticas da Antiguidade, o livro &lt;em&gt;Méthodes en syntaxe&lt;/em&gt; de Maurice Gross apresentou um análise de cerca de 3000 ver&amp;shy;bos franceses, isto é uma análise bastante perto da&lt;em&gt; exaustividade&lt;/em&gt; dos verbos franceses mais frequentes, algo que nenhum linguista antes dele parece ter sequer sonhado (sempre só se trabalhou com alguns exemplos). Ele apresenta 19 quadros em que esses 3000 verbos são classificados segundo a sua aceitação de frases completivas em posição quer de sujeito quer de complemento&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;, cada quadro dando um número maior ou menor de outras propriedades sintáxicas permitindo distinguir os seus verbos num conjunto de 2000 classes (1,5 em média) de verbos segundo as suas propriedades sintácticas. Ora bem, são estas propriedades que em cada um de nós saem todas feitas, permitindo-nos ter uma conversa ou uma discussão, com todos os seus aleatórios e surpresas, a ponto de por vezes se dizer algo que surpreende o que o diz, lapso que faça rir ou ideia que dê que pensar.&lt;br /&gt;67. As unidades sociais &lt;em&gt;privadas&lt;/em&gt; que são retiradas estritamente, são-no para assegurar a rotina quotidiana dos usos, usos diferentes consoante as especializações, é claro, mas segundo gestos (de cozinha ou de higiene, escrever em papeis, pôr tijolos, arrumar caixas, que sei eu ?) que se repetem em todo o lado. Esta rotina, tão mal afamada, é todavia aquilo que qualquer empresa tem que assegurar para ter um mínimo de produtividade, já que esta seria nula, ou melhor extremamente negativa, se cada empregado tivesse que inventar os seus gestos minuto a minuto. Ela é, ao contrário do que parece que se pensa muitas vezes, a condição da habilidade e da agilidade diante de qualquer acontecimento, de qualquer dificuldade que haja que evitar ou resolver mais ou menos depressa : tal como na estrada, quando o acidente possível ameaça, há que dominar as pequenas repetições e não que inventar novidades ! Week-ends, feriados, férias, são para os que trabalham acontecimentos que interrompem essa rotina, como para o patrão a conclusão dum bom contrato ou, ao contrário, uma greve do seu pessoal, uma epidemia, uma revolução.&lt;br /&gt;68. Igualmente para a biologia. Deixemos de lado a questão complicada do metabolismo celular, para olharmos esse espantoso ‘meio interior’ (Claude Bernard) que J.-D. Vincent (1986) expõe e cujo equilíbrio homeostático é o que está verdadeiramente em jogo em qualquer organismo animal. O equilíbrio do sangue entre dois limiares : de temperatura, pressões arterial e de osmose, taxas de oxigénio, açúcar, pH, e por aí fora. A rotina da respiração (com os seus acontecimentos : constipação, tosse, charuto, corrida) e a da circulação do sangue (acontecimentos : refeição ou jejum, indigestão, infecção, bebedeira), são pequenas repetições ao serviço da alimentação de cada célula do organismo, cujo metabolismo está em certo sentido em retiro estrito, constantemente repetitivo, do conjunto orgânico. Encontra-se assim portanto uma regulação entre pequenas repetições e acontecimentos que nos poderá ajudar a precisar melhor, embora de maneira breve, o que está em questão nisto : &lt;em&gt;um equilíbrio instável, oscilante, porque dependente do aleatório exterior em que ele vai buscar aquilo com que manter a sua estabilidade&lt;/em&gt;. O jogo hormonal parece ser o principal mecanismo que vigia sobre este equilíbrio, quer jogando sobre órgãos internos, quer pulsionando a comportamentos (de predação, de fuga ao predador, ao frio ou ao calor, etc.). Para o conseguir, ele tem que estar ‘presente’ quando é preciso e ‘ausente’ quando não o é (a hormona que comanda o apetite duas horas e meia mais ou menos - o tempo da digestão chegar ao sangue - antes de as células precisarem do alimento, tem que ser anulada por outra de saciedade desde que a refeição seja suficiente, também muito antes de as células terem beneficiado). &lt;em&gt;É esta oscilação entre presença e ausência que me parece característica desta regulação&lt;/em&gt;, a ausência sendo justamente um retiro disponível para qualquer eventualidade, à maneira da atenção flutuante do automobilista.&lt;br /&gt;69. Este exemplo permite passar ao jogo do cérebro e da sua misteriosa memória. Por um lado, tem-se a oscilação entre a atenção agarrada pelo acontecimento (ou surpreendida por ele) e a atenção flutuante dos usos de rotina, depois entre esta e a relaxação divagante, e ainda entre esta e o sono, e ainda entre o sono profundo ou lento e o sono paradoxal dos sonhos. Por outro lado, tem-se a memória requerida por estas oscilações. Quem sabe dizer o que é que ela é, a memória ? Em princípio, a resposta é simples e exacta : ela não pode ser senão os grafos das sinapses neuronais (Changeux, § 24), sob forma química, que é susceptível de estabilidade em contraponto com o fluxo nervoso, de electricidade iónica (portanto capaz de química) que percorre esses grafos, grafados aliás pela repetição desses fluxos. Mais difícil é querer precisar melhor. Seja o exemplo da língua : quando eu, português, escrevo em francês, onde está a memória da minha língua ?&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt; E vice-versa, quando falo português, onde está o meu francês ? A memória é ausência. Nós sabemos uma quantidade imensa de coisas desde que aprendemos a falar e que fomos à escola : é-nos todavia impossível ‘saber’ explicitamente esse imenso saber, expô-lo diante de nós à maneira duma enciclopédia pessoal, ele só nos vem em conta-gotas, quando o aleatório dum acontecimento atrai a nossa atenção e o faz vir (sous-venir, sub-vir, dizem os franceses). Uma lembrança não é nunca senão um fragmento ínfimo dessa memória que se torna ‘presente’, a imensa memória permanecendo ‘ausente’, esquecida. &lt;em&gt;Retirada&lt;/em&gt;. Só vem ao apelo de outra coisa, ainda que uma simples associação de ideias, segundo regras que nos escapam quase totalmente&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;, além das dos textos, linguísticas e culturais à vez, a que ela obedece, parece, regras essas que parecem ter desaparecido dos sonhos.&lt;br /&gt;70. Será que as unidades sociais têm uma memória ? Poderia ser o paradigma de Kuhn, tal como ele o definiu&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;, se o alargássemos dos sistemas de usos dos laboratórios científicos aos de qualquer unidade social : o que, atraindo-os&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt;, liga os diversos useiros para cumprirem os usos tal como os aprenderam dos mais velhos iniciados, o seu sistema de receitas, em suma, a memória social do que há que fazer. Desde que o cérebro seja requerido, linguagem, uso, aprendizagem, unidade social, a memória faz parte : ausente que se torna presente de maneira fragmentária pelos seus efeitos na cena em questão, &lt;em&gt;retiro regulador&lt;/em&gt; que torna as repetições susceptíveis de adequação ao aleatório dos acontecimentos, da mesma maneira que, &lt;em&gt;mutatis mutandis&lt;/em&gt;, o jogo das hormonas para regular o equilíbrio homeostático do sangue. &lt;em&gt;Não se pode opor a estrutura e o acontecimento, a repetição e o singular, a língua e a fala, a sociedade (a espécie, a instituição) e o indivíduo&lt;/em&gt;, e por aí fora : nenhum destes termos é mais do que uma forma de oscilação entrópica com o outro do seu par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Bem maiscomplexas do que as outras : elas contêm os fenómenos de todas as outras disciplinas, sem que os seus sejam mecanismos autónomos semelhantes, mas estruturas ligando mecanismos, é talvez a razão pela qual estão menos avançadas, do ponto de vista fenomenológico aqui proposto.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Mais os brasileiros do que os portugueses, no caso.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; O método supõe, é claro, a linguística gerale de Saussure (1972), Benveniste (1966), a dupla articulação (Martinet, 1967), muito importante para o fenomenólogo.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Um exemplo ao acaso da p. 65, traduzível em sintaxe do português. Testes darão conta do funcionamento de tal verbo com as completivas no indicativo (para ‘saber’ : ‘Paulo sabe que Maria virá’ , mas não ‘Paulo sabe que Maria venha’) e de tal outro com as completivas no conjuntivo (para ‘querer’ : ‘ Paulo quer que Maria venha’, mas não ‘Paulo quer que Maria virá’).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; « Nos erros », responde Wally Bourdet que os corrigiu.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; A psicanálise jogou dde maneira muito astuciosa a associaçõa de ideias para encontrar algumas. Estas regras são pequenas repetições ? Como os velhinhos que se repetem frequentemente, ou nós quando algo nos preocupa muito e nos tornamos incapazes de pensar noutra coisa ?&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; A Física de Aristóteles, o Almageste de Ptolomeu, os Prin&amp;shy;cipia e a Óptica de Newton, a Electricidade de Franklin, a Química de Lavoisier e a Geologia de Lyell, são performances que, escreve ele. « serviram durante muito tempo para definir implicitamente os problemas e os métodos legítimos dum domínio de investigação para gerações sucessivas de investigadores. Se puderam ter esse papel, foi porque tinham em comum duas características essenciais : écrit-il, “ont longtemps servi à définir implicitement les problèmes et les mé&amp;shy;thodes légitimes d’un domaine de recherche pour des générations successives de chercheurs. S’ils pouvaient jouer ce rôle, c’est qu’ils avaient en commun deux caractéristiques essentielles: leurs o que tinham conseguido era suficientemente notável para atraír [eu subl.] um grupo coerente de adeptos a outras formas de actividade científica concorentes ; por outro lado, eles abriam perspectivas suficientemente vastas para fornecer a este novo grupo de investigadores toda a espécie de problemas a resolver [eu subl.]. Às performances que têm em comum estas duas cracterísticas, continua Kuhn, chamarei doravante paradigmas » (pp. 30-31). A herança, a transmissão entre gerações (e portanto a aprendizagem) é-lhe essencial.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; Por vocação ao ofício, por um lado, pelo salário necessário para a alimentação, por outro (para muitos, infelizmente, só este é que conta). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-3654034670724234850?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/3654034670724234850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=3654034670724234850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3654034670724234850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3654034670724234850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/o-retiro-regulador-das-oscilaes.html' title='O retiro regulador das oscilações'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-7315530931420885216</id><published>2008-02-19T15:25:00.000Z</published><updated>2008-02-19T15:26:55.467Z</updated><title type='text'>A entropia de Prigogine</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A entropia de Prigogine&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;71. Estes fenómenos de oscilações obrigam a fenomenologia a ter em conta a respectiva dimensão energética, a que nem as filosofias&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; nem as ciências dos fenómenos sociais e humanos estão muito habituadas. E é aonde a reelaboração do conceito termodinâmico de entropia por Prigogine se torna preciosa. Trata-se para este químico (Prémio Nobel em 1977) de compreender a possibilidade física da estabilidade de instâncias instáveis que ele chamou « estruturas dissipativas », o metabolismo celular sendo o domínio das suas investigações. Nestes fenómenos bioquímicos que recebem a sua energia do exterior, predominam reacções químicas não-lineares de auto-catálise, auto-inibição e catálise cruzada num conjunto de « milhares de reacções químicas simultâneas, que transformam a matéria de que a célula se alimenta, sintetizam os seus constituintes e rejeitam para o exterior os produtos não utilizáveis ». Estes fenómenos não podem ser estudados apenas ao nível molecular da química estabelecida, há que considerar também a organização super-molecular e ainda as flutuações que, em vez de regressarem ao estado de equilíbrio (de acordo com o 2º princípio da termodinâmica), amplificam-se e invadem todo o sistema, o qual evolui para um estádio instável, longe do equilíbrio, em que essas flutuações no entanto ficam estruturadas de maneira dissipativa. Em contradição com o princípio de ordem da termodinâmica estatística de Bolt&amp;shy;&amp;shy;z&amp;shy;mann, a dissipação entrópica produz uma nova ordem, que mão é inteligível senão ao nível macroscópico das células e permanece independente dos fenómenos moleculares microscópicos. Trata-se portanto duma &lt;em&gt;produção de entropia&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; que cria uma ordem instável, de estabilidade longe do equilíbrio, longe da entropia nula da estabilidade tradicional em física.&lt;br /&gt;72. Se se generaliza para a dimensão energética (entrópica) da cena de circulação de ‘agentes autónomos’, pode-se pensar que sempre que, historicamente, esta cena se encontrou em estado de uma pletora caótica, de turbilhões, sem saída ao seu nível, tê-la-á encontrado (Acontecimento, Ereignis) através da constituição duma nova cena (e portanto dum novo rodeio nos seus mecanismos entrópico-formais de autonomia com heteronomia apagada) ; esta nova (sub) cena é instável em relação àquela donde ela de desdobra, mas dotada duma nova lei e de novas regras, que lhe asseguram uma circulação estável. Assim o metabolismo celular é dum outro nível do que o das moléculas inorgânicas dos campos de gravidade, e as diversas aquisições estruturais mais importantes da evolução dos seres vivos – de que a sexualidade, a homeostasia do sangue e as redes sinápticas dos neurónios estão entre os exemplos mais extraordinários – poderão ser eventualmente estudadas como novas (sub) cenas na cena geral da selva. Elas prolongaram-se coma aquisição da utilização da mão e da boca para os usos técnicos e da fala nos humanos (Leroi-Gourhan), e de seguida para os diversos níveis sociais (agricultura, cidade, mercado, organização política monárquica ou democracia na Grécia, escola, igreja, etc., e assim de seguida até à revolução industrial, que poderão ser estudadas como produções de novas entropias. Ou sublimações, em linguagem freudiana. O motivo do &lt;em&gt;suplemento &lt;/em&gt;(Derrida) permitirá pensar, com a contribuição prigoginiana, a maneira como estas (sub) cenas se desdobram umas a partir das outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Derrida, com o seu motivo das différe/ances de forças, parece estar entre as excepções.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Em geral, a entropia será a energia retida de forma estrita por forças atractivas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-7315530931420885216?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/7315530931420885216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=7315530931420885216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7315530931420885216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7315530931420885216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/entropia-de-prigogine.html' title='A entropia de Prigogine'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-2699248277577111754</id><published>2008-02-19T15:18:00.002Z</published><updated>2008-02-19T15:25:11.185Z</updated><title type='text'>A difícil questão neurológica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A difícil questão neurológica : cérebro, usos e discurso, sem o chamado ‘mental’&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;73. Venhamos agora à questão tão difícil da abordagem científica do cérebro, órgão tanto do corpo como do psiquismo humano ; muito difícil por se encontrar na raiz do dualismo filosófico greco-europeu entre o corpo e a alma (&lt;em&gt;psychê&lt;/em&gt;, em grego), de que os neurólogos têm razão em desconfiar. Infelizmente sem se darem conta de que estão apanhados também por ele através da representação mental. A questão é a do estatuto do cérebro : órgão corporal sem a menor dúvida, inventado muito cedo sob formas embrionárias pela evolução biológica, mas também sem dúvida que órgão do pensamento. Ora, este segundo ‘sem dúvida’ merece ser matizado : o que nós chamamos ‘pensamento’, na medida em que não é dissociável da linguagem duplamente articulada&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, só bastante tardiamente se tornou uma função do cérebro dos antropóides que inventaram os primeiros utensílios e as primeiras palavras. Isto obriga a não nivelar as duas faces do cérebro e, por exemplo importante, a excluir imediatamente qualquer incidência dos genes dos neurónios dobre tudo o que releva do chamado psiquismo.&lt;br /&gt;74. Qual é a especificidade dos neurónios entre as outras duas centenas de células especializadas dos vertebrados ? Quando se escreveu no § 31 que a eficácia dos genes e do ribotipo de Barbieri estava limitada ao metabolismo celular, deixou-se entender que as células são uma espécie de ilhotas que se agrupam em tecidos e órgãos. É verdade, mas justamente os neurónios são uma excepção : a sua especialidade é criar com as sinapses que os ligam uns aos outros uma ‘rede nervosa’ cerrada de afectação mútua, que permite ao conjunto de, através de órgãos perceptivos, ser afectado de fora e de se auto-afectar. Não de forma anárquica, é claro, mas segundo &lt;em&gt;grafos&lt;/em&gt; (Changeux), dos quais sem dúvida muitos inatos, criados muito precocemente, enquanto que outros, pelo contrário, inscritos (grafados !) pela aprendizagem dos usos e da palavra. Estes novos usos acrescentam-se assim às funções do cérebro, articulando um velho cérebro ‘réptil’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; ao novo cérebro das aves e mamíferos, onde justamente a melhor parte é sem dúvida reservada aos grafos da aprendizagem da maneira de habitar como humano.&lt;br /&gt;75. Os especialistas do sono e do sonho mostraram como há em nós duas formas de sono, um lento de cerca de hora e meia que é interrompido, antes de retomar por outra hora e meia, por um sono agitado de uma vintena de minutos que M. Jouvet chama paradoxal. Seria nestes períodos mais breves que nós sonhamos, mas Jouvet não o pode saber pelos seus instrumentos e métodos que lhe permitiram discernir os diferentes sonos, tem que acordar os seus pacientes e perguntar-lhes : ‘você estava a sonhar ? com quê ?’. Sem parecer dar-se conta, ele assinala assim uma dicotomia entre duas abordagens do psiquismo, uma propriamente neurológica, à base de análises químicas e de instrumentos eléctricos, e outra, que há que qualificar como ‘discursiva’, que se faz pelo diálogo com o paciente (própria da psicanálise e de outras psicologias). Não é pois surpreendente que o seu livro se termine numa insatisfação quanto ao estudo neurológico dos sonhos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. No entanto, suponho que ele estaria de acordo para recusar a pretensão de dar conta, por meios neurológicos, das regras linguísticas das diversas línguas : todavia estas também se jogam essencialmente nos cérebros humanos. Há portanto que concluir que há um &lt;em&gt;dualismo metodológico irredutível&lt;/em&gt; entre as duas abordagens do cérebro e do psiquismo (§ 107).&lt;br /&gt;76. Mas não se trata com esta constação importante de ceder ao dualismo&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;, antes pelo contrário. Peçamos auxílio aos engenheiros de dos computadores : esta irredutibilidade da abordagem instrumental do hardware e do software também se encontra entre eles. Com os seus meios de reparação do hardware, eles não podem saber que programa é que está a passar, em que linguagem, têm que perguntar ao operador, que está do lado do software. Igualmente, não se pode, com os meios eléctricos adequados (sem as membranas acústicas dos telefones), saber o que se está a dizer ao telefone pela análise da respectiva corrente eléctrica, nem assinalar os actores dum filme de televisão na corrente eléctrica que chega à antena. Nos grafos do cérebro, que são uma espécie de cabos eléctricos com corrente iónica&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;, o problema é idêntico. Neles não há nem palavras, nem músicas, nem números (que os há nos ouvidos e na voz), nem imagens mentais, tal como no hardware dos computadores só há electricidade que passa (corrente de electrões, que não afecta quimicamente os fios) : as palavras e os problemas estão à entrada, nos teclados ou em cartas perfuradas, e à saída, nos écrans e nas impressoras. Não há no cérebro representações mentais, ideias, imagens que recordam alguém. É certo que é difícil de aceitar, mas é inútil procurá-los. O ‘mental’, tal como a ‘ideia’ inventada por Descartes e a ‘alma’ de Platão’, é uma ficção, o sonho de largar a materialidade, seja a do corpo como a das letras. O fenomenólogo põe assim, como tese filosófica, que estas duas palavras, ‘cérebro’ e ‘psiquismo’, nomeiam a mesma realidade ôntica e o velho conflito entre as suas duas abordagens possíveis, a da neurologia e da sua análise do ‘corpo’ e a da experiência da autoafectação e do diálogo. O ‘mental’ separa e opõe ‘sujeito’ no interior e ‘objecto’ no exterior. Mas se eu vir um objecto nunca visto antes, que portanto esteja verdadeiramente no exterior, não o percebo nem o conheço ; só conheço os que já estão inscritos em mim ; aquilo a que se chama o interior, não é senão o exterior, o ‘mundo’, grafado no meu cérebro, o que me permite ‘ser-no-mundo’, ser o &lt;em&gt;Dasein&lt;/em&gt; de Heidegger, todo no exterior&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;. A minha interioridade – que é uma das coisas a que eu dou mais importância, os meus segredos – não é senão a minha maneira de estar retirado em relação aos outros, como sugeri (§ 63), mesmo quando penso ‘mentalmente’, como se diz, estou no ‘exterior’, ao pé daquilo em que penso (das personagens dum livro bíblico que leio, por exemplo).&lt;br /&gt;77. Em suma, os neurónios foram feitos, em relação com as hormonas reguladoras da homeostasia do sangue (sistema de alimentação), para a mobilidade, o cérebro ligando os órgãos perceptivos aos músculos dos membros de locomoção. O neo-cortex das aves e dos mamíferos especializou-se nas estratégias de predação, de luta e de fuga, é isso que para eles é ‘pensar’, segundo o que aprenderam e experimentaram. A linguagem e os outros usos foram inventados socialmente para a aprendizagem : vêem-se inscrever de fora em grafos específicos do cérebro nas mesmas regiões cerebrais do pensamento mamífero. Perguntar-se-á : como compreender, nessa perspectiva, o cogito, o ‘eu penso’ ? ‘Eu’ pertence aos grafos, foi grafado com as aprendizagens, faz essencialmente parte delas, os grafos não falam nem pensam sem serem guiados por ele, digamos, e, ao mesmo tempo, este jogo auto-afecta o ‘eu’, como se diz &lt;em&gt;con&lt;/em&gt;-sciência : ‘eu’ sei de ‘mim’, do que digo e faço &lt;em&gt;quando&lt;/em&gt; o digo e faço, como condição de o dizer e de o fazer. O ‘eu’ é reforçado ao longo da sua vida, dos seus usos e acontecimentos. Ao contrário de tudo o que aprendemos no Ocidente, de toda a nossa filosofia e literatura, é por isso é que é tão difícil. Eu não é um outro, é um vestígio, um rasto de muitos outros. &lt;em&gt;Não há maior enigma&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;78. É esta concepção - filosofia com ciências – que deveria, creio, ser fecunda em neurologia. Como fazer ? Não é o fenomenólgoo que tem que o saber, mas uma das coisas seria pedir ajuda aos linguistas, por exemplo, como fazem os engenheiros de software, mas de preferência aos do laboratório de M. Gross (§ 65), infelizmente precocemente desaparecido. Disse que a área de Broca, que os neurólogos descobriram, parece ser aquela em que se fazem as associações sintácticas automáticas para falar ou pensar (§§ 27 e 65), também a de Wernicke parece ser aquela onde se ‘escolhem’ as palavras. Seja uma última vez o exemplo do software : Como é que se faz para que o computador seja capaz de ‘jogar’ ao xadrez ? Não se podem ensinar-lhe raciocínios, mas as regras do jogo, tanto aquelas que definem os deslocamentos das diversas peças como as das estratégias dos campeões. Isto é, ensina-se-lhe uma ‘linguagem’. É provavelmente o que há que procurar nos grafos : como é que as nossas línguas são grafadas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; É hoje facilmente admitido pelos neurologistas e por numerosos filósofos, sem que muitas vezes se compreenda que em consequência se tem que mandar embora a representação mental.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; É a nossa glândula endócrina mais importante, segregando nomeadamente as hormonas que velam pelo equilíbro homeostático do sangue.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Uma vez que, por razões de brevidade, não me ocupo aqui da psicanálise, que faz parte no entanto dos cinco domínios no texto de referência (o capítulo a ela dedicado procura esclarecer o seu especial estatuto científico), assinalo em todo o caso como é notável a diferença entre duas ou três coisinhas que ele recolhe de 2500 sonhos e a interpretação dos sonhos do livro admirável de Freud de 1900. A propósito deste, pode-se legitimamente falar em ‘ciência dos sonhos’ ou, mais rigorosamente, duma &lt;em&gt;semiótica experimental do discurso neurótico na sua relação à energia sexual dos humanos&lt;/em&gt;. Esta semiótica exerce-se sobre o discurso do paciente quando este se entrega às suas associações livres, por vezes próximas do delírio, em volta do ‘ego’. São as resistências que esse ‘ego’ manifesta a dizer, gaguejando, auto-censurando-se, denegando, rindo ou chorando, em suma surpreendendo-se a si mesmo, que permite ao analista dar por um ‘super-ego’ relevando da lei social e que se opõe ao pulsional sexual (confissão de relações ‘imorais’ ao pai e à mãe, na interpretação dos sonhos, por exemplo) a que Freud chamou ‘id’. Ciência &lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt;, que atravessa (e revela-os articulados entre si) a linguagem, o social no seu interdito do incesto e a sexualidade (biologia), isto é, os três principais domínios das ciências respeitantes aos humanos.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Digamos em todo o caso que esta irreductibilidade presta honra a Platão e a Descartes, de quem este texto está bastante afastado.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Portanto susceptível de mudança química nas sinapses e de as grafar.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Isto foi proposto em 1927 : paarece-me que ainda não passou nos costumes, mesmo dos filósofos, mesmo de muitos especialistas de Heidegger, porque não é nada fácil de pensar. Talvez que não tenha havido nunca distância tão grande entre uma ‘verdade de pensamento’ e a nossa experiência comum, excepto talvez a do heliocentrismo, o inverso do que os nossos olhos vêem.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; A comparação entre cérebro e computador nos engenheiros de I. A. ganharia em ter em conta as duas diferentes maneiras dos computadores jogarem com os números (susceptíveis de linguagem binária, correspondendo à passagem ou não de corrente : pode-se calcular com ela) e com as palavras (cuja polissemia - (§§ 61-62) - não é discernível directamente, apenas pelo jogo de diferenças com as outras palavras) : não se pode senão transpor letras e sequências de letras, qualquer operação de pensamento tem que ser inscrita pelos linguistas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-2699248277577111754?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/2699248277577111754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=2699248277577111754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2699248277577111754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2699248277577111754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/difcil-questo-neurolgica.html' title='A difícil questão neurológica'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-2778720735385212522</id><published>2008-02-19T15:06:00.002Z</published><updated>2008-02-19T15:18:07.920Z</updated><title type='text'>As cenas científicas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As cenas científicas com double bind : da indeterminação ao enigma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;79. Cada (sub) cena tem a sua &lt;em&gt;população de assemblagens&lt;/em&gt;, cada uma destas sendo composta de unidades duplamente ligadas, em dependência de duas leis inconciliáveis que fazem todavia do conjunto uma unidade indissociável. Trata-se agora de seguir as (sub) cenas dos principais domínios (à semelhança parcial dum automóvel) – respectivamente dos graves / dos mamíferos / da fala / da habitação social (limitada, neste texto curto, às sociedades chamadas primitivas – descrevendo de forma simplificada, telegráfica, esta composição em duplo laço ou &lt;em&gt;bind&lt;/em&gt; que é a garantia da constituição e da autonomia relativa de circulação de cada assemblagem, numa cena cuja lei geral de circulação é inconciliável com essa autonomia, sendo no entanto a ‘mesma’, a heteronomia dada, indissociável pois.&lt;br /&gt;80. Eis o desenho. Qualquer (sub) &lt;em&gt;cena&lt;/em&gt; supõe&lt;br /&gt;a) que uma &lt;em&gt;pletora caótica&lt;/em&gt; de elementos (explosão de gasolina) – respectivamente protões, neutrões e electrões / moléculas de carbono / gritos / gestos de anarquia incestuosa&lt;br /&gt;b) sofra os efeitos de &lt;em&gt;forças inibidoras&lt;/em&gt; respeitantes a alguns desses elementos que permanecem em &lt;em&gt;retiro estrito&lt;/em&gt; (o cilindro do motor) – respectivamente as forças nucleares dos átomos / inibição do ADN no núcleo das células e disciplinação das pulsões hormonais / sistema fonológico / um interdito sexual implicado pelo paradigma dos usos -, em relação com a energia motora da autonomia da assemblagem ;&lt;br /&gt;c) supõe em seguida que as outras unidades da assemblagem sejam dispostas de maneira a poderem responder à &lt;em&gt;lei da cena&lt;/em&gt; (lei do tráfego) – respectivamente lei da gravidade / da selva (nutrição e mobilidade) / da verdade / da guerra -&lt;br /&gt;d) por um sistema em &lt;em&gt;retiro regulador&lt;/em&gt; (embraiagem e caixa de velocidades) – respectivamente campo gravítico / homeostasia do sangue e memória cerebral / língua e senso comum / paradigma da unidade social – susceptível de oscilações entre pequenas repetições e acontecimentos diante de outras assemblagens da cena,&lt;br /&gt;e) os quais acontecimentos reproduzem a assemblagem&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, com &lt;em&gt;retiro da doação&lt;/em&gt;, quer do conjunto duplamente ligado que constitui a assemblagem, quer de elementos que as alimentam e alteram, o qual retiro - o rasto dos doadores – torna possível a autonomia da assemblagem na cena. Segue-se (até ao § 85) uma rápida comparação das quatro (sub) cenas científicas.&lt;br /&gt;81. Os átomos dos graves são ligados por um lado às forças nucleares e por outro às da gravidade. As primeiras tornam cada átomo impenetrável a qualquer outro átomo&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, elas são o fundamento da alteridade irredutível das coisas deste mundo ; é a verdade de todos os empirismos : nada é idêntico a nada. Foi o rasto vivo (Derrida) que ultrapassou esta irredutibilidade, criando patamares inéditos de &lt;em&gt;mesmidade&lt;/em&gt; : das espécies biológicas / das línguas / dos usos e costumes. O que marca uma diferença importante entre estas cenas de vivos e a da &lt;strong&gt;Física-Química&lt;/strong&gt; : pode-se falar, ao nível desta aonde não há rasto, de retiro doador e de autonomia com heteronomia apagada ? Apenas num certo sentido. A autonomia consiste na &lt;em&gt;inércia&lt;/em&gt; dos graves, garantida pelas forças nucleares (retiro estrito) : &lt;em&gt;resistência&lt;/em&gt; por um lado à desagregação (salvo pressão e temperatura muito altas), &lt;em&gt;oferta&lt;/em&gt; por outro lado às forças de gravidade e às transformações químicas (forças electromagnéticas intra e extra-moleculares : retiro regulador quântico dos electrões de valência). A estabilidade muito improvável do sistema do sol e dos seus planetas, que os faz escapar à expansão do universo, dá-nos um bom exemplo (que não é qualquer, é fundador da física) : o retiro doador seria o do próprio campo das forças de gravidade de cada um dos astros, que só existe devido aos (outros) astros   que o compõem e sem o qual eles derivariam para os espaços segundo a sua inércia (autónoma). O que significa que cada astro é dado&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; pelos &lt;em&gt;outros&lt;/em&gt; astros, no sistema deles, cada um é duplamente ligado : pela sua força de gravidade que reúne todos os seus componentes (é isso ‘um’ astro) e pela do sistema (o conjunto de todos) que o liga, o retém, o prende na estabilidade da sua órbita elíptica.&lt;br /&gt;82. Saltemos para a cena da &lt;strong&gt;Biologia&lt;/strong&gt; dos mamíferos, por cima da dos unicelulares e das principais etapas da evolução. Trata-se, como se viu, dum duplo sistema, nutricional e neuronal, visando a reprodução do indivíduo, e dum terceiro, o sexual, suplementar, visando a reprodução da espécie. Os &lt;em&gt;doubles binds&lt;/em&gt; multiplicam-se : 1) primeiro o de cada célula com a sua dupla membrana&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;, que precisou de três biliões de anos de evolução, contra 600 milhões para a de todos os organismos ; 2) em seguida, fundamental, o laço de cada célula nela mesma e o laço ao sistema de circulação do sangue que a alimenta ; 3) o deste sistema nutricional, com as suas hormonas assegurando a &lt;em&gt;homeostasia&lt;/em&gt;, e os grafos neuronais da mobilidade, 4) por sua vez desdobrado, nas espécies mais complexas entre dois cortex, o ‘paleo’ e o ‘neo’. Se pensarmos que qualquer mamífero é, em teoria, ameaçado duma espécie de caos interno (os laços desligando-se, todos os tecidos tornando-se cancros), percebe-se que será necessário, além da inibição celular do ADN no seu núcleo (reserva da produção de proteínas), um suplemento de inibição visando os genes especializados das células dos outros tecidos (que são cobertos) e os do desenvolvimento embrionário que asseguram a boa dimensão dos órgãos. Isto é, um &lt;em&gt;suplemento&lt;/em&gt; de inibição que guarda as células em retiro estrito especializado para a reprodução sã do conjunto. No que respeita ao &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; do nutricional e do neuronal, a questão que se põe é a da relação entre as hormonas, por exemplo as da fome, e os grafos da aprendizagem : basta pensar na situação dum gato louco de fome diante dum predador que ele quereria comer, se pudesse, para compreender que ele tem que reter retiradas as suas hormonas da fome durante o tempo da sua fuga e de encontrar segurança e à vontade para voltar à caça ; quer dizer que os grafos do neo cortex, pulsionados pelas hormonas, aprendem a discipliná-los para a eficácia das estratégias da espécie, ficam em retiro regulador (memória) diante da situação ecológica (lei da selva), enquanto que elas estão em retiro estrito, podendo ir até à loucura se não houver saída para as suas pulsões nutricionais (ou sexuais). A sexualidade, por seu lado, está do lado do retiro doador dos progenitores, em quem ela tem um papel que pode fazer-se à custa da sua auto reprodução (é por isso que é necessário que a cópula seja gratificante) : nomeadamente a fêmea deve dar por sua vez, numa &lt;em&gt;espécie de ética biológica&lt;/em&gt;, deve tornar-se doadora do que lhe foi dado outrora e retirar-se, segundo os ritmos da gravidez e do aleitamento, não deixando senão o seu rasto, o programa genético da espécie com as suas marcas singularizantes e a aprendizagem das crias.&lt;br /&gt;83. Na cena das &lt;strong&gt;Linguísticas&lt;/strong&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;, basta agora sublinhar que o sistema fonológico em retiro estrito para a formação das palavras é o que torna as línguas estrangeiras umas às outras, as sintaxes-semânticas da língua (retiro regulador) mais ou menos próximas tornando possível traduzir&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;, tanto quanto as fonologias e as singularidades dos usos, e portanto dos códigos textuais, o permitem. Na &lt;em&gt;cena da verdade&lt;/em&gt; que qualquer língua instaura, é esta e o senso comum cultural que, em retiro regulador&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;, asseguram o entendimento corrente entre os falantes. A contribuição de Flahault (§ 63) permite compreender o que está em questão : a verdade do que é dito, desde o processo da aprendizagem (que no sentido do ‘saber’, nunca está terminado), nunca está garantida àquele que escuta, sem que muitas vezes ele tenha maneira de ter garantia, como atesta a panóplia dos verbos a respeito da dúvida e da certeza. É por essa razão que é a verdade que está em jogo nesta (sub) cena instaurada pela linguagem : tanto diz respeito ao entendimento com os outros como à relação ao que é dito ; mas a autonomia da palavra de cada um torna possível o erro, a mentira, a ficção, o que sublinha como esta autonomia, indissociável da lei do senso comum, é inconciliável com ela. Dá-se por isso quando há proposta de novidades e choque com as ortodoxias. Ou quando a autonomia se exaspera e se torna delírio de louco. A poesia é o discurso que joga a fundo com este &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt;, da maneira enigmática que fez os românticos falar de ‘inspiração’, joga sobre a dupla articulação da linguagem, sobre a lei do significante (jogo sonoro entre as palavras, ritmo) e sobre a do sentido das frases. A lógica, no extremo oposto, desconfiou tanto dela, da polissemia, das chamadas ambiguidades das línguas, que acabou por inventar uma escrita de tipo matemático com uma única articulação : exacta, pois, mas fora das línguas. Por outro lado, está-se ligado, pela língua comum, a todos os outros (salvo emigração, bem entendido). Também aqui a importância crucial da aprendizagem e portanto do papel social dos ‘mestres’ (em retiro doador) implica uma &lt;em&gt;ética elementar&lt;/em&gt; de dar aos jovens (e em geral a quem ignora e pergunta) o que se recebeu de outrem.&lt;br /&gt;84. Façamos uma pausa para sublinhar de novo a impossibilidade de estender às cenas terrestres o &lt;em&gt;determinismo&lt;/em&gt; que os cientistas herdaram dos filósofos e dos teólogos. O que foi sugerido da inércia como uma espécie de grau zero da autonomia, mostra que os graves, enquanto abandonados à cena da gravidade e das transformações químicas, são indeterminados quanto àquilo que lhes pode suceder. Devido aos aleatórios da cena (mesmo as rochas face à erosão, para não falar das tempestades, dos terramotos). De forma geral, eles não são susceptíveis de previsão científica, que é apenas laboratorial. Os graus de autonomia dos vivos – mecanismos regrados para o aleatório das cenas – na escala das espécies aumenta esta indeterminação, a complexidade dos respectivos cérebros parecendo ser um bom índice de medida : o neo cortex das aves e dos mamíferos coloca-os no alto da escala das performances etológicas. Sem dúvida que há um salto forte quando se passa aos humanos com a invenção da fala, dos usos técnicos e dos usos religiosos dando um papel de relevo aos antepassados mortos. A indeterminação torna-se mais forte, as tradições tendo reservado o termo&lt;em&gt; liberdade&lt;/em&gt; para a dizer. Essas tradições « opuseram » assim os humanos e os animais : é aonde reside o dualismo que já recusámos atrás. A questão não consiste em voltar atrás e em negar a liberdade humana, mas em não « opor » &lt;em&gt;todos&lt;/em&gt; os humanos e &lt;em&gt;todos&lt;/em&gt; os animais. Sejam exemplos simples. Um humano está muito mais próximo dum leão ou duma andorinha do que estes estão duma formiga, o que estes animais têm a mais do que a formiga é condição necessária (embora não suficiente) dos humanos. Ou então, à maneira de Deleuze : do lado dos afectos, um cavalo de guerra está mais próximo dum touro do que dum cavalo de carroça que, por sua vez, está mais próximo dum burro que puxa a nora. Não há que comparar apenas ‘essências’, além das espécies zoológicas as diferenças entre vivos são imensas. O que também vale das diferentes complexidades das sociedades humanas. O que no Ocidente chamamos ‘liberdade’, que reclamamos desde o Iluminismo, era inacessível aos indígenas das sociedades tribais, que tinham uma outra, comunitária, ou aos da (Modernidade chamada) Antiguidade. Da mesma maneira, a escola moderna cria muitas diferenças culturais que tornam bem mais livres do que outros (sem ter que ver com a riqueza em dinheiro) aqueles que acabaram os seus estudos. Na escala da evolução biológica e histórica, há inegavelmente crescimento da indeterminação e da liberdade. Todavia, a diferença que a fala e os usos e costumes introduziram como liberdade, permite que se possa falar desta em termos de enigma, na medida em que a convergência das diversas indeterminações, dos diferentes doubles binds, os dos mamíferos, da linguagem e dos outros usos e costumes, a multiplica muito, torna muito enigmático qualquer outro que esteja diante de mim, quaisquer que sejam as nossas diferenças culturais. Ele é estruturalmente inédito, o seu rosto&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt; releva do enigma que ele é ontologicamente, rasto de muitas doações, a sua voz tem que ser sempre escutada, posso sempre aprender com ele, já que ele sabe sempre coisas demais que eu não sei. Por exemplo, qualquer indígena africano pode-se desenrascar em lugares sem electricidade infinitamente melhor do que eu. As catástrofes ecológicas que parecem anunciar-se serão muito mais prejudiciais aos civilizados electro-dependentes do que aos outros. Esteve outrora em jogo algo de semelhante entre Romanos e Bárbaros, os nossos antepassados europeus. Se a história se repetir desta vez (não será para amanhã), seria à custa dos descendentes dos ‘vencedores’ de então (e herdeiros dos ‘vencidos’).&lt;br /&gt;85. Seja enfim a (sub) cena da &lt;strong&gt;Antropologia.&lt;/strong&gt; O seu caos é a multidão, como se vê, hélas ! sempre que há turbas de refugiados, escapados de zonas de guerra, ou então nos subúrbios-cancros de algumas metrópoles do chamado Terceiro Mundo. Para evitar esse caos, as sociedades organizam-se em unidades locais privadas, em retiro estrito da multidão, quer acolhendo os que nelas nascem ou se casam, quer, nas instituições modernas, atraindo os seus agentes pelos seus paradigmas e salários : em todos os casos, são os paradigmas (em retiro regulador) que regulam os usos de forma a assegurar a alimentação de cada um pelos usos herdados. Estas unidades sociais são ligadas entre elas por laços globais, que o sistema de parentesco e a respectiva troca de mulheres garante, através de regras políticas e religiosas (também em retiro regulador, ligando-se aos paradigmas locais : ausentes habitualmente, têm efeitos quando tem que ser) herdadas dos antepassados (em retido doador). O jogo mútuo das ‘envies’ que opõem entre si as diferentes unidades locais e a solidariedade em caso de guerra ou outro relevam de duas leis inconciliáveis e indissociáveis, do &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; que é uma sociedade. Assim como ela integra os &lt;em&gt;doubles binds&lt;/em&gt; das (sub) cenas biológica e da fala, serão criados outros duplos laços à medida da maior complexidade histórica, nomeadamente o regime monárquico, e depois republicano da instância política, personalizada na casa dum guerreiro ou em colectivos democráticos (ou não), o mercado e a moeda, a escola, a igreja, a máquina, as instituições modernas e as famílias ‘apartadas’, os médias, tratando-se em todos os casos de estruturas ou mecanismos em double bind.&lt;br /&gt;        86. Uma palavra para retomar as duas alusões à questão ética (§§ 80 e 81). O retiro doador é parte estrutural quer das espécies biológicas quer das sociedades humanas : que haja que se deixar desapropriar das regras permanentes da auto-reprodução para dar autonomia a outros, apagando-se, assim como se a recebeu dos seus antepassados. Esta autonomia contempla antes de mais a nutrição como imperativo social-biológico : &lt;em&gt;nenhuma sociedade pode abandonar à fome nenhum dos seus, trata-se dum imperativo social prévio a qualquer ordenação jurídica&lt;/em&gt;. Em seguida, as sociedades heterárcicas, que excluíram qualquer possibilidade de sobrevivência autárcica, devem, pelo mesmo tipo de imperativos, agora de ordem social elementar, também prévios ao jurídico, dar a cada um capacidades de uso adequadas, através de escolaridade, e integração numa instituição (emprego), ou um salário de desemprego em caso de crise. Esta ética estrutural, ontológica, pode também reclamar-se dos profetas da bíblia hebraica e dos apóstolos da bíblia cristã : a lição de ética deles (« que não haja pobres no meio de ti », « ama o teu vizinho, o teu próximo, como a ti mesmo ») releva justamente do imperativo de dar do que, nosso, foi também dom (aqui ancestral, neles divino). E apagar-se, retirar-se, para que a autonomia seja&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[9]&lt;/a&gt;. Enfim, além de que « as ‘envies’ não se devem cumprir senão segundo os usos » (§ 42), há uma &lt;em&gt;ética elementar dos ofícios em sociedade heterárcica&lt;/em&gt; : já que nós recebemos de outrem a quase totalidade das coisas de que temos necessidade para a nossa habitação e temos que ter uma enorme confiança (Fidalgo) nesses anónimos que ‘trocam’ essas coisas com as nossas, também temos que fazer da melhor maneira que soubermos e pudermos o que fazemos e que irá para outros anónimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Sem analogia na máquina.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Nas condições de temperatura do nosso universo terrestre, o que se poderia chamar a ‘homeostasia’ do sistema planetário.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Heteronomia doadora apagada : que surpreendeu tanto Newton ! Há sempre coisas para nos espantar, se formos capazes de ultrapassar os nossos hábitos escolares. Primeiro o sistema planetário, em seguida todo o terrestre está cheio de aleatório. Assustador para a boa lógica clássica, para o velho determinismo cientista.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; O contributo de Marcello Barbieri permite ultrapassar o ‘dogma’ (Crick) do determinismo pelo ADN : com efeito não se pode comprrender a célula a partir do ADN e da sua determinação, mas, ao contrário, o ADN só é compreensível como uma parte da célula.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; A gramática gerativa não parece ser susceptível deste tipo de análise.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Excepto para o chinês e para as suaas palavras monosilábicas, parece. Em todos os outros casos, é no fundo a gramática de raiz aristotélica que foi adaptada às traduções e à elaboração das gramáticas de cada língua desconhecida.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; A língua nunca está inteiramente numa fala, num texto. O que os linguistas chamam paradigma, joga-se ‘in absentia’ (Saussure), retiradamente. Por exemplo, se eu digo uma frase com a palavra ‘pequeno’, é preciso saber que ela faz paradigma com ‘grande’, médio’, ‘dimensão’, ‘pequena’, palavras que não estão na frase mas que são essenciais para o seu sentido.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; Motivo que Levinas colocou em grande relevo filosófico, de maneira diferente desta ontologia inspirada em Heidegger e em Derrida.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[9]&lt;/a&gt; Ao contrário da « substituição » e do « refém » de Levinas, parece-me. As citações bíblicas são respectivamente do &lt;em&gt;Deuteronómio&lt;/em&gt; 15,4, do &lt;em&gt;Levític&lt;/em&gt;o 19,18, do evangelho de &lt;em&gt;Marcos&lt;/em&gt; 12,31 e paralelos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-2778720735385212522?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/2778720735385212522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=2778720735385212522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2778720735385212522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2778720735385212522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/as-cenas-cientficas.html' title='As cenas científicas'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-8242352418165244278</id><published>2008-02-19T14:22:00.002Z</published><updated>2008-02-19T14:29:19.629Z</updated><title type='text'>A verdade fenomenológica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A verdade fenomenológica : relativa e verdadeira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;        87. O relativismo céptico é a doença infantil da filosofia e das ciências, a de não se conseguir ir além da dúvida e da curiosidade - motor de toda a busca de saber -, deixando que aquela desfeite esta. Os grandes pensadores, para o refutar, assentaram quase sempre a sua verdade em absolutos transcendentes. A excepção&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; foi Aristóteles e a sua &lt;em&gt;Physica&lt;/em&gt;, de que Heidegger (1968) disse que ela era « em retracção, e por essa razão nunca suficientemente atravessado pelo pensamento, o livro de fundo da filosofia oci&amp;shy;dental ». Ora, pode-se perceber para começar que é nos dois primeiros livros deste texto mal conhecido que os motivos filosóficos de Aristóteles são colocados, definidos e argumentados em vista de compreender o entre enquanto phusis, enquanto capaz de movimento, isto é geração, crescimento, alteração e corrupção dos vivos. Perceber-se em seguida que são esses motivos que, por um lado, estruturam os seus textos científicos (zoologia, meteorologia, poética, política) e que, por outro lado, são retomados na &lt;em&gt;Metafísica&lt;/em&gt; em vista de compreender o ente enquanto ente. Chegar-se-á assim a perceber o estatuto desta &lt;em&gt;Physica&lt;/em&gt; no corpus aristotélico, na raiz tanto dos seus textos científicos como metafísicos : o duma &lt;em&gt;filosofia com ciências&lt;/em&gt; que durou vinte séculos, até Newton e Kant, tanto quanto durou a civilização autárcica que ele pensou.&lt;br /&gt;88. A sua primeira categoria é a de &lt;em&gt;ousia&lt;/em&gt;, indissociavelmente ‘substância’ (real) e ‘essência’ (discurso, pensamento), mas devendo opor-lhe o acidente, o acontecimento, a temporalidade enquanto afecta o movimento da própria &lt;em&gt;ousia&lt;/em&gt;, esta acidentalidade afectando-a na sua ‘substância’. Era a única maneira de satisfazer às exigências de intemporalidade, inlocalidade e incircunstancialidade da textualidade gnosiológica inventada pela definição (§§ 12-14), tinha que se consentir na oposição&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, que acompanha toda a história da filosofia, entre ser e tempo. A tradução latina de &lt;em&gt;ousia&lt;/em&gt; em dois termos, substância e essência, e a introdução por Tomás de Aquino na teologia cristã, até aí platónica e augustiniana, dum aristotelismo em que o movimento já não ocupava o lugar central, tornou possível a querela do realismo e do nominalismo que separou a ‘real’ substância da ‘nominal-mental’ essência e abriu assim à revolução cartesiana do sujeito e do seu cogito, por um lado, e à filosofia natural experimental sobre a ‘matéria’, ou seja à física e ao seu laboratório, por outro. Kant tentou reconciliar o inconciliável, se dizer se pode : era o nosso ponto de partida.&lt;br /&gt;        89. Para justificar a minha maneira de retomar a fieira Husserl, Heidegger, Derrida, tenho agora que retomar, à luz da filosofia com ciências, o alargamento da redução fenomenológica (§§ 15-18). Com Husserl, houve redução ou suspensão da coisa aparecendo na sua empiricidade, a sua substancialidade física e os seus laços no mundo (na cena), para não se reter senão o seu aparecer estrutural, fenomenal ; ora, esta redução encontra-se retomada, alargada e confirmada, não apenas como operação de pensamento filosófico, mas também nas operações das ciências retidas aqui. Com efeito, a doação apagada pelo &lt;em&gt;Ereignis&lt;/em&gt; só foi possível por esta redução do substancialismo : retiro da mãe que deu o bebé para que ele se torne criança, de pois adulto, retiro das vozes que ensinam ; sem se preocupar em exemplificar e talvez sem dar por isso, Heidegger terá pensado quer o nascimento quer a aprendizagem, quer mesmo o fabrico técnico&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;, a vinda à presença de tudo o que aparece, a pro-dução de qualquer fenómeno : &lt;em&gt;dado e deixado ser&lt;/em&gt;. Em seguida, Derrida deslocou a redução fenomenológica para a diferença entre os sons aparecendo (aos ouvidos) e o aparecer desses sons, dando conta, talvez sem dar por isso, do que se passa quando uma criança começa a falar e quando nós aprendemos o que quer que seja : o que escutamos (ou lemos), assim como o que vemos ou mexemos, é reduzido das vozes (ou tipografias) nos nossos grafos neuronais, não permanecendo senão as &lt;em&gt;diferenças significantes&lt;/em&gt; que podem estar na origem da nossa voz e do nosso saber. Ora, como é que isto sucede ? Tendo em conta Heidegger, estas diferenças retidas ‘vêm ao ser’ devido à redução da voz do outro, dos seus sons, e é essa redução que ‘deixa’ aparecer essas diferenças na nossa voz e saber : &lt;em&gt;a pro-dução de Heidegger não se pode realizar sem a redução de Husserl&lt;/em&gt;. A grande astúcia de Derrida – « eu diria que a différance me pareceu estrategicamente o mais apropriado para pensar o mais irredutível da nossa época », dizia ele em 1968 – foi a de abraçar estas duas descobertas fenomenológicas principais na sua différance ou trace (rasto), espaçamento-temporalização, estrutura da relação ao outro, origem da linguagem como escrita (1967a). Proponho no texto de referência grafar esta dupla operação &lt;em&gt;re(pro)dução&lt;/em&gt;, para guardar, fora dos parêntesis, a redução de Husserl, no ‘pro’ a doação heideggeriana que &lt;em&gt;faz&lt;/em&gt; vir à presença como tempo e nos parêntesis o seu apagamento que &lt;em&gt;deixa&lt;/em&gt; vir ao ser, autónomo. Não se trata apenas da aprendizagem da fala e do saber, mas também dos usos das unidades sociais, aonde é o paradigma que é retido na redução dos gestos dos mestres para que os discípulos aprendam (‘faz-se assim, vês ?’) ; pode-se dizer que qualquer descrição etnográfica consiste em restituir esse paradigma, reduzindo a contribuição do empírico dos intérpretes. Mas é também o famoso genoma dos biólogos que é reduzido da sua metade na formação dos genes para que o seu encontro, duma célula fêmea e duma célula macha, torne possível a vinda à presença temporal dum ovo que será alimentado (por re(pro)duções indefinidas, de cada vez que cada célula se divide em duas) até ao nascimento (pro-dução) do mamífero, dado e deixado vir à presença temporal. Quer isto dizer que não se trata apenas de operações de análise laboratorial científica, mas de &lt;em&gt;verdadeiras operações ônticas, em que a igualdade da essência e da existência do I Heidegger se estende na II a qualquer ente, não apenas aos humanos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;        90. Com certeza que será necessária, ao leitor que seja atraído por estas considerações breves, muita paciência na leitura do texto de referência para concordar com o que avanço aqui, que a &lt;em&gt;Fenomenologia destes três grandes filósofos do século 20, iluminando as suas cinco principais descobertas científica e iluminada por elas, reunindo de novo filosofia e ciências, dá-se como o acabamento do projecto do saber aberto por três outros grandes, Sócrates, Platão e Aristóteles, ultrapassando nomeadamente a oposição entre as essências e os acidentes, isto é, entre o ser e o tempo&lt;/em&gt;. Se tenho razão (lamento muito ser obrigado, pelo género literário dum manifesto, a não detalhar minimamente a argumentação), se a filosofia com ciências, gregas e europeias, encontra assim a sua unidade, ela não pode deixar de encontrar também a sua verdade&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;. Pode-se dizer que estas grandes descobertas, científicas e fenomenológicas, que reencontram a sua verdade reconhecida pela composição e articulação com as outras, são mais do que as verdades do século : elas permanecerão verdadeiras enquanto existir a civilização actual saída delas. &lt;em&gt;Esta verdade, claro, é relativa à história gnosiológica do Ocidente, entre a Grécia e a Europa, ela é histórica de cabo a rabo, não é absoluta&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;em&gt;[5]&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;. Mas é verdadeira, da ‘nossa’ verdade ocidental (a única que temos).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;        91. Estas verdades, o acabamento da filosofia com as ciências, a &lt;em&gt;Physica&lt;/em&gt; de Aristóteles substituída pela nova Fenomenologia, não significam nenhum ‘fim do pensamento’, nem das ciências, mas, pelo contrário, a abertura de possibilidades totalmente novas. Digamos que há aqui uma &lt;em&gt;aposta filosófica a respeito desta verdade&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt; : &lt;em&gt;que as futuras descobertas científicas nestes domínios não virão contradizer estes mecanismos de autonomia com heteronomia apagada&lt;/em&gt;, mas antes afiná-los, torná-los mais complexos. Uma aposta também em favor duma interdisciplinaridade mais avançada e firme, porque melhor compreendida, tendo encontrado os nós das articulações dos domínios. E ainda uma aposta sobre a indefinidade de teses filosóficas (‘com’) que poderão encontrar nela recursos, quer em relação à história da filosofia, relida à luz dos grandes gestos fenomenológicos esclarecidos, quer pelas possibilidade de recurso às investigações científicas nas questões filosóficas que lhes dizem respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Não o conhecendo suficientemente, não tenho em conta o esforço gigantesco de Hegel para ultrapassar esta oposição : sem dúvida que ele não teve ciências à altura da ambição do seu programa.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Do gnosiológico às narrativas e discursos que dizem o singular temporal.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; De maneira muito simplificada : da experimentação científica em labortório a técnica só retém a equação cujas variáveis correspondem às medidas experimentais, a materialidade das coisas experimentadas sendo reduzida ; esta equação servirá em seguida para a produção dum artefacto técnico, na sua ma sua matéria e capacidade de funcionar, no seu tempo de validade. O laboratório-fábrica terá dado uma máquina por exemplo, e deixa-a ir enquanto capaz de funcionar fora do alcance do físico e do engenheiro.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; O &lt;strong&gt;&lt;em&gt;quadro fenomenológico&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; do texto de referência tenta resumir a demonstração. A escrita desse texto foi uma aventura de descobertas, espero que ele tenha leitores para o apreciar. Entre essas descobertas inesperadas, é óbvio que uma tão improvável – e intempestiva – verdade relativa ao conjunto da história dopensamento ocidental é a mais gratificante. É toda a sua epopeia de pensadores, de sábios, que é reconhecida na sua paixão de pensar e de conhecer em verdade, reconhecida mesmo nos seus erros eventuais.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Não há verdades absolutas em filosofia e em ciências, só as há para crentes em revelações transcendentes.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Trata-se duma tese &lt;em&gt;filosófica&lt;/em&gt; com alcance sobre a história. Esta pode contradizê-la, já o fez aliás : a gramática gerativa, que está em posição dominante nas universidades americanas e europeias, sem ser no entanto científica segundo os critérios fenomenológicos expostos, marca uma recessão histórica em relação à ciência linguística saussuriana que triunfava nos anos 60 na Europa e de que o texto citado de M. Gross (§ 66) é o melhor expoente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-8242352418165244278?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/8242352418165244278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=8242352418165244278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/8242352418165244278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/8242352418165244278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/verdade-fenomenolgica.html' title='A verdade fenomenológica'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-4062264431319557495</id><published>2008-02-19T14:15:00.001Z</published><updated>2008-02-19T14:21:59.510Z</updated><title type='text'>Evolução e heterarcia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Lógica da evolução por suplemento (1) : em direcção da heterarcia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        92. Visto da Terra com as nossas ciências, o Universo constitui uma única cena de circulação de graves que se desdobrou em outras que acrescentaram às precedentes novas regras de circulação. Para se ver um pouco mais claro, se se tomar o ponto de vista da estritura da energia excessiva e caótica, pode-se dizer que há &lt;em&gt;quatro grandes linhas&lt;/em&gt; de (sub) cenas : a da gravidade (estriturado o núcleo atómico), a da alimentação (o programa genético), a da habitação humana (a privação das unidades sociais com interdito do incesto ou equivalente), a da inscrição (o sistema fonológico). Desdobradas umas a partir das outras, as linhas terrestres desdobraram-se por sua vez – por diferenciação em espécies variadas – em numerosas sub cenas, segundo duas grandes evoluções, uma biológica e outra histórica ; com o mesmo tipo de estritura, estas evoluções consistiram numa complexidade crescente do jogo oscilante em retiro regulador.&lt;br /&gt;        93. Olhemos do lado deste jogo de oscilações. As células de um mamífero fazem tudo o que têm que fazer na sua especialidade para conseguirem ser alimentadas, esta alimentação permitindo-lhes em seguida fazerem tudo o que têm que fazer na sua especialidade para conseguirem ser alimentadas, e assim de seguida, sem que se possa decidir entre ‘fazer’ e ‘ser alimentada’, &lt;em&gt;entre o activo e o passivo&lt;/em&gt;. Chamemos a isto o &lt;em&gt;círculo homeostático.&lt;/em&gt; É a &lt;em&gt;indecibilidade&lt;/em&gt; deste círculo que torna tão difícil de afirmar teoricamente uma lógica, quer da origem da vida, quer da sua evolução em seguida. Porque as células e o seu programa genético, ligadas entre si pela circulação do sangue, atêm-se tenazmente à sua reprodução tal e qual : a evolução deveria ser impossível&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Igualmente, Lévi-Strauss descreveu as sociedades chamadas primitivas como &lt;em&gt;sociedades frias&lt;/em&gt;, isto é, resistentes às invenções e à mudança histórica, sociedades contra o Estado, insistiu P. Clastres. Como as células, trata-se de resistência à evolução, duma espécie de ciclo repetitivo da ordem do parentesco, os seus mitos e rituais tendo essencialmente um papel conservador (« fazemos como os nossos pais sempre fizeram »). Heidegger falou do &lt;em&gt;círculo hermenêutico&lt;/em&gt; : não se entra num texto sem se estar já, duma certa maneira, dentro dele, dentro da sua problemática. É o enigma da aprendizagem, da sua impossibilidade : a andar, a nadar, a falar, a tornar-se indígena duma unidade social, residência tribal ou laboratório muito especializado ; e no entanto, da mesma maneira que houve evolução, aprende-se o tempo todo (sem que nos espantemos suficientemente), as sociedades re(pro)duzem-se apesar das contradições entre as ‘envies’ (invejosas) das suas unidades locais de habitação. Enigma ainda das invenções impossíveis que abrem novos paradigmas : e no entanto elas acontecem. Trata-se, em cada nível, da inconciliabilidade e da indissociabilidade das duas leis do &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt;, entre a autonomia dada e a heteronomia doadora que permanece retirada, que, no jogo complexo dos acontecimentos, torna possível o que é impossível, &lt;em&gt;sem que se saiba como&lt;/em&gt;. E visto que não se sabe, &lt;em&gt;é preciso de-cidir&lt;/em&gt;, quebrar o círculo para o compreender. Foi a obra da definição, que quebrou o círculo hermenêutico ; de Crick que decretou o dogma do determinismo genético para garantir a evolução apenas pelas mutações ; de Newton, recorrendo ao Criador para pôr em órbita os planetas do sistema solar&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; ; dos pais, mestres e outros chefes que castigam para obrigar a aprender. No entanto os &lt;em&gt;doubles binds&lt;/em&gt; resistem : com efeito, &lt;em&gt;acima do mineral &lt;/em&gt;pelo menos, &lt;em&gt;só as homeostasias são capazes de durar, esses equilíbrios instáveis que Prigogine nos deu a compreender&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;        94. O motivo do &lt;em&gt;suplemento&lt;/em&gt;, que Derrida (1967a) propôs para compreender as relações entre escrita e sexualidade em Rousseau, pode vir ajudar-nos aqui. Um suplemento vem a mais, acrescenta qualquer coisa ao que havia já, suprindo uma carência, uma falta que ele vem preencher, como um jogador suplente numa equipa desfalcada de outro que se magoou : é um ‘sobre-mais’ (surplus) indispensável ao suprido. Se se quiser pensar assim a evolução, esta falta da cena precedente é preenchida pelas novas assemblagens numa nova (sub) cena. Paradoxo prigoginiano, a falta aqui é um excesso de energia a que falta ordem, estabilidade, que pede portanto um suplemento&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. Ora, parece que em Derrida, que retomou frequentemente este motivo, ele jogou sobretudo para articular natureza e cultura, como se diz, sem ruptura entre ambas, sem dualismo pois. Seja um exemplo, o da invenção do neo cortex nas aves e mamíferos, desdobrado a partir do antigo (peixes e répteis)&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;. Há um duplo efeito suplementar, de acrescento e de retorno atrás. Quanto a este, a homeotermia (o sangue quente) devida a esse sobre-mais cerebral, beneficia o sistema de nutrição que pode em consequência adaptar-se a climas muito diferentes (é mais ‘biológico’, ‘natural’). O primeiro traz um desenvolvimento essencial na habitação, traduzido, segundo creio, num leque maior de astúcias e estratagemas, quer de predação e fuga, quer de capacidade de demarcar um território para si, um habitat, e de o defender : os ninhos seriam um testemunho eloquente, encetando a futura técnica. A emissão de sonoridades terá crescido também : ainda os pássaros e os seus cantos, encetando a futura palavra. Ora, trata-se de ‘criar’ um ‘mundo’ para os grupos, um mundo no exterior (mais ‘cultural’), o dos ninhos, dos ramos de árvores, das tocas, dos sons também, das vibrações do ar a certas frequências : ‘natureza’ e ‘cultura’ já são indissociáveis nestas espécies, pois que não se pode restringir a natureza apenas ao sistema de nutrição (como sucederá talvez nas plantas).&lt;br /&gt;        95. Este motivo derridiano permite generalizar a transição histórica das sociedades de casas autárcicas às sociedades heterárcicas contemporâneas, permite uma abordagem da lógica das evoluções, tanto biológica como histórica, ou até mesmo do enigma das origens&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. A lógica da autarcia é a duma &lt;em&gt;justaposição&lt;/em&gt; de assemblagens semelhantes, &lt;em&gt;homogéneas&lt;/em&gt;, enquanto que a heterarcia consiste numa nova &lt;em&gt;organização&lt;/em&gt; de assemblagens especializadas, &lt;em&gt;heterogéneas&lt;/em&gt;, criando portanto uma assemblagem dum nível mais elevado. Ora bem, é o que se encontra antes de mais na passagem do não vivo ao vivo, um grave (uma pedra, água) sendo uma justaposição de moléculas iguais, uma célula uma nova ordem de moléculas especializadas, diferentes entre si. É em seguida a lógica da evolução : colónias unicelulares dão primeiramente origem a organismos (de células com alguma especialização) em segmentos ou anéis justapostos ; a grande etapa seguinte, repetida quer nos invertebrados quer nos vertebrados, foi a das espécies com metamorfoses, passagem dum estádio de segmentos justapostos a um outro onde a especialização é generalizada ao conjunto do organismo ; enfim, as espécies acima encontraram os meios de da sua embriologia seja já a da especialização organizada dos tecidos.&lt;br /&gt;        96. Encontra-se uma lógica semelhante na evolução histórica das sociedades humanas. As mais simples segmentaram a sua população em unidades locais, em que os usos são, por definição, especializados já&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;, mas o conjunto da sociedade é a &lt;em&gt;justaposição&lt;/em&gt; dessas unidades. As sociedades de casas justapõem as agrícolas que asseguram as funções de alimentação, mas especializam as de defesa pelas dos nobres, enquanto que as cidades esboçam já o futuro suplemento heterárcico nas casas dos artesãos especializados (o conjunto regional em autarcia) ; todavia, estes diversos tipos de casas asseguram todas a reprodução sexual do parentesco, em conjunto a hereditariedade e a herança. E será o desenvolvimento heterárcico das cidades, fecundado pelos laboratórios científicos e pela escola, que quebrará as casas autárcicas entre unidades de actividade económica (ou equivalente) especializada e unidades exclusivamente de parentesco, as famílias. Esta heterarcia também conheceu desenvolvimentos, até à tendência actual a globalizar-se. Posto isto, uma nova questão se coloca : porquê ter-se chegado a estas unidades especializadas na reprodução sexual ? Haverá um outro aspecto da lógica escondida das evoluções, biológica e histórica ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; É também o que provavelmente torna muito difíceis as investigações em embriologia.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; A inércia de cada planeta é passiva enquanto ‘dada’ pelo campo (§ 79), activa enquanto que jogando neste sobre os outros. Newton compreendeu o seu funcionamento, mas não como é que começou.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Em Rousseau aliás também.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; É este o responsável da homeostasia do sangue e da sua articulação com os comportamentos de predação e de fuga. O neo-cortex, cujos grafos passam também pelo paleo-cortex (é por isso que se trata dum duplo cérebro e não de dois cérebros), especializa-se nestess comportamentos. Esta articulação, a mais enigmática que há, entre as hormonas do paleo-cortex e portanto a homeostasia do sangue, por um lado, e os neurotransmissores e grafos do neo-cortex, por outro, é o lugar enigmático do chamado psico-somático, provavelmente das doenças com esse nome.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Este enigma consiste essencialmente em que é a repetição, a reprodução, que é originária, isto é que não há origem.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; À maneira das moléculas duma célula.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-4062264431319557495?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/4062264431319557495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=4062264431319557495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4062264431319557495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/4062264431319557495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/evoluo-e-heterarcia.html' title='Evolução e heterarcia'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-3396578011469671434</id><published>2008-02-19T14:10:00.002Z</published><updated>2008-05-05T15:04:25.378+01:00</updated><title type='text'>Evolução e sexualidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Lógica da evolução por suplemento (2) : o papel da sexualidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;97. Para responder a esta questão, retomemos o círculo homeostático uma espécie animal qualquer. Para compreender a evolução, há que ter em conta os 3 (ou 4) &lt;em&gt;doubles binds&lt;/em&gt; que dissemos (§ 80), na sequência, sem dúvida, de tremores da cena ecológica ; tratar-se-á, de cada vez, de substituir um círculo homeostático por um outro um pouquinho diferente, que continuará a andar bem, sem que haja nenhuma razão para excluir o jogo das oscilações entre os 3 ou 4 &lt;em&gt;doubles binds&lt;/em&gt;, suplementares uns aos outros. Para ter lugar, essa substituição terá que ter que contar com cumplicidades dentro do círculo homeostático, que todavia não façam parte da sua lógica nem das suas oscilações. Acontece que as hormonas esteróides da sexualidade têm essa estranha lógica, de estarem dentro e de ao mesmo tempo pulsionarem para o outro de fora, de terem origem no metabolismo (de certas glândulas) e deitadas no « meio interior » em que a homeostasia é regulada, escapando no entanto à economia da nutrição. Ela é a inversão desta, uma contra-economia, um desperdício desatinado (§ 39). Ao invés de todas as outras células especializadas, estas glândulas não estão ao serviço da alimentação de todas, formam outro sistema ao serviço da espécie, em excesso em relação à sua lei fundamental. Se se pensa no que se passa com as espécies assexuadas, pode-se dizer que a reprodução sexual das espécies animais implicou a invenção da morte (dos cadáveres), da bipolaridade fêmea / macho, da filiação e da fraternidade e portanto do parentesco, das condições da aprendizagem. Não há razão para espantos quando se encontram estes motivos no discurso psicanalítico sobre a sexualidade humana enquanto sempre-já submetida à lei. Foi uma espécie de segunda invenção da vida, de que o resultado foi a imensa diversidade das espécies. Sucede por outro lado, segundo J.-D. Vincent, que as hormonas sexuais têm um papel decisivo na embriologia do cérebro, uma plasticidade espantosa entre hormonas machas e fêmeas, a possibilidade em certas circunstâncias de virem tomar lugar no genoma para a síntese das proteínas ; têm também um papel fundamental nas metamorfoses dos invertebrados e dos vertebrados. Ora, a ultrapassagem desse curiosíssimo fenómeno das metamorfoses teve como termo – tanto nos invertebrados como nos vertebrados – a formação de espécies endogâmicas de maneira bem mais estrita do que nas espécies menos evoluídas, como se a reprodução sexual, tendo entrado muito cedo na evolução, tivesse acabado por ser de certa maneira a sua finalidade. Mais ainda, no cimo dos vertebrados, ela deu origem a espécies classificadas como ‘mamíferas’, em que o sistema de reprodução das espécies, até aí feito através de ovos postos no exterior, veio alojar-se no ventre e nas mamas das fêmeas : esta revolução da anatomia e da fisiologia do sistema de nutrição pelo sistema (terceiro) da reprodução sexual não teria nada a ver com as hormonas esteróides ? Na sequência destas reflexões, o texto de referência esboça uma hipótese&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; sobre o papel eventual das hormonas sexuais na evolução (verificável talvez na embriologia), que não é possível desenvolver aqui mas que se prende com o papel (suplementar, de sublimação) da sexualidade na evolução histórica das sociedades humanas.&lt;br /&gt;98. Para começar, espécie endogâmica como as outras mamíferas, as sociedades humanas deram-se fronteiras de endogamia bem mais apertadas, fazendo da troca das mulheres – tornadas elemento ultra-precioso da reprodução - um laço social principal, enquanto que a sexualidade excessiva (as mulheres não são já limitadas pelo cio) era interdita ente gente do mesmo ‘sangue’ ou da mesma ‘carne’. Tal como as fêmeas dos outros primatas, as mulheres são menos robustas do que os homens, por um lado, uma boa parte do tempo embaraçadas com gravidezes e aleitamentos, e portanto tendo que ser protegidas, por outro ; a lei da guerra parece ser a razão principal desta troca generalizada&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;99. Para compreender a génese desta lei, há que seguir a evolução das ‘forças’. Os físicos mostraram que as forças constitutivas da matéria – nucleares, electromagnéticas e gravitacionais – são permanentes e atractivas, o que já tinha espantado muito Newton, porque ele tinha desenvolvido a sua mecânica em torno de forças ocasionais, por assim dizer locais. Pode-se dizer que na terra as primeiras forças não-atractivas foram de ordem biológica, primeiro as membranas celulares, depois as forças musculares de mobilidade em geral, de &lt;em&gt;preensão&lt;/em&gt; pela boca na predação (Leroi-Gourhan), as forças das lutas. O neo cortex dos mamíferos tornou possível a &lt;em&gt;com-preensão&lt;/em&gt;, o desenvolvimento de estratégias para a preensão. Foi sobre esta compreensão que a linguagem sonora se veio enxertar (Vygotsky) e içar a capacidade dos humanos&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; a formarem sociedades mais vastas, que têm antes de mais as finalidades dos mamíferos, alimentarem-se e defenderem-se. As suas unidades sociais terão inventado, no nó das suas diversas linhas (alimentar-se, defender-se, compreensão estratégica, linguagem), um tipo de força atractiva não-física, a dos &lt;em&gt;paradigmas&lt;/em&gt; das unidades sociais que atraem cada um dos seus agentes para cumprirem os usos da unidade para assegurar a alimentação a e a defesa (sozinhos, eles perdem-se diante da lei da selva). Ora, esses paradigmas implicam na sua lei atractiva o interdito do incesto, o que significa que a moderação das ‘envies’ sexuais excessivas faz parte do nó paradigmático.&lt;br /&gt;100. A invenção da linguagem e mais tarde da escrita (técnica de inscrição durável de algarismos para contar e calcular e da linguagem oral) esteve na origem da quarta grande linha evolutiva, a das inscrições numa matéria de empréstimo, que se desenvolveu no Ocidente sob duas formas de instituições, uma de origem grega, a escola, outra de origem judaica, a igreja cristã. A transmissão da herança escriturária – e é a razão de fundo que faz dela uma linha à parte da das casas, onde todavia a linguagem oral tem um papel decisivo – faz-se sempre por aprendizagem, com certeza, mas fora do parentesco, já não entre pai e filho ou entre mãe e filha, mas entre mestre e discípulo, por ‘vocação’’ (§ 51). É por isso que se trata de instituição : o parentesco está excluído dela, isto é, a reprodução sexual, a sexualidade, em resumo a natureza ou a ‘phusis’. Que a igreja seja ‘sobre-natural’ (na latinidade, o seu clero é celibatário)&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; e a escola, poder-se-ia dizer ‘meta-física’, é efeito da relação essencial que elas têm à leitura e à escrita, como &lt;em&gt;diferentes da natureza&lt;/em&gt;. E é a &lt;em&gt;sublimação&lt;/em&gt; freudiana – deslocamento das energias sexuais excessivas para motivas actividades não-sexuais, as ‘envies’ espirituais e de conhecimento em vez das ‘envies’ das casas (desde os prazeres da mesa até à glória do poder) – que parece dever ser invocada para compreender a relação &lt;em&gt;suplementar&lt;/em&gt; destas instituições às casas que lhes fornecem os seus agentes e a respectiva alimentação.&lt;br /&gt;101. Estas duas instituições constituíram uma linha marginal à do parentesco. Elas encontraram-se na passagem do 2º ao 3º século e fizeram uma trança, na elaboração da teologia cristã, que foi buscar as categorias filosóficas de Platão para se constituir (Clemente de Alexandria e sobretudo Orígenes). Foi a fortuna da futura Europa, já que a primeira grande etapa dessas instituições de escrita após o afundamento da primeira modernidade do Mediterrâneo, do império romano do ocidente, foi a generalização religiosa da igreja imperial às sociedades chamadas bárbaras, a constituição da Cristandade. A igreja do livro envolvia toda a gente, mesmo os analfabetos. E depois a invenção das universidades medievais, &lt;em&gt;misto de escola e de igreja&lt;/em&gt;, se dizer se pode, que colocou Aristóteles no programa escolar (aliás um tanto platonizado). A terceira etapa foi a do estilhaçar da Cristandade pelo protestantismo que a invenção da imprensa tornou possível, ambos tendo precipitado a separação progressiva das duas instituições. A quarta foi a da invenção dos laboratórios científicos onde, como Newton escreveu, geometria e mecânica de juntaram no seio da filosofia natural : será o que revolverá a escola, introduzindo as mãos e os instrumentos técnicos de medida na busca do conhecimento. Esta mecânica encontrava-se já em instituições quase modernas como os estaleiros navais : era a técnica dos usos que abandonava as casas dos artesãos das cidades, assim como por outro lado as manufacturas justapunham teares antes das fábricas heterárcicas que a máquina a vapor ia tornar possíveis como última e revolucionária etapa. Foi a conjunção da escrita escolar e da técnica, este duplo passo, quer nos laboratórios quer nas fábricas industriais e capitalistas, que garantiu &lt;em&gt;o triunfo da escola sobre a igreja&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt; : é agora a escola da escrita que envolve toda a gente e torna possível e necessária a democracia política, assumindo a laicidade. Foi também esse duplo passo que quebrou as casas em instituições e famílias. A reprodução sexual permanece excluída das instituiçõess em que trabalhamos, como dantes da escola e da igreja, as energias sexuais têm que ser &lt;em&gt;sublimadas&lt;/em&gt;. N. Elias contou a pré-história dessa sublimação, a génese do ‘super-ego’ da civilidade europeia nas cortes das monarquias : ele descobria assim o ‘pendant’ na nossa modernidade da lição de Lévi-Strauss sobre as sociedades dos inícios humanos. Com efeito, pode-se dizer que a importância acrescida da escola e dos médias na educação das pessoas, a entrada massiva das mulheres no mundo do trabalho e a descoberta da pílula desembocaram nas sociedades ocidentais na diminuição súbita do peso do patriarcado, da autoridade social sobre a sexualide, primeiro juvenil e feminina, numa verdadeira ‘revolução sexual’, cuja dimensão política se manifestou estrondosamente nas décadas de 60 e 70. &lt;em&gt;Inventada no início da evolução biológica, a sexualidade liberta-se da sua função reprodutora e torna-se erotismo acessível a toda a gente, no final – a nossos olhos – da evolução histórica&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;102. Nem Lévi-Strauss nem Elias teriam sido possíveis sem passar por Freud. Que a psicanálise tenha dificuldade em ser recebida como ciência, que nela a sublimação permaneça pouco trabalhada, são índices de como este motivo do suplemento será sem dúvida difícil de elaboração satisfatória. Ele consiste na maneira como se tece o nó dum double bind, dum duplo laço – nem ‘um’ nem ‘dois’, ‘um duplo’, já que nenhum existindo sem o outro, indissociáveis – que contém o excesso de energia duma cena de circulação dada por uma (outra) força estriturando-a (inibição de alguns elementos) e torna essa energia, tornando-a oscilante, adaptável à circulação da nova cena, suplementar. A dificuldade reside em que se trata, em certo sentido, do enxerto duma homeostasia nas suas pequenas repetições noutra homeostasia nas suas pequenas repetições. Se se pensa na sequência evolutiva seguinte – unicelular / organismo com circulação de sangue / rede neuronal / usos e linguagem na unidade local de habitação / sociedade global -, pode-se perceber que é o que era (e não deixa de ser, é claro) regulador na homeostasia na cena suprida que é inibido estritamente na cena suplementar : as células especializadas na passagem do primeiro ao segundo, as hormonas do paleo-cortex na do segundo ao terceiro, os gestos (‘primitivos’) e os ruídos dos hominídeos na do terceiro ao quarto, as unidades locais privadas na última passagem.&lt;br /&gt;103. Um pequeno parêntesis. Creio que há que pensar (para melhor agir) que as diversas sociedades actualmente em relação entre elas (a chamada globalização) não têm o mesmo percurso histórico, nomeadamente no que diz respeito aos dois tipos de instituição de escrita que se acaba de evocar (mesmo entre países de tradição ocidental : protestante, católica ou ortodoxa e diferentes épocas de alfabetização). É por isso que não surpreende que estas diferenças temporais coloquem problemas muito graves. Pode-se compreender que o anti-ocidentalismo de numerosos clérigos do Islão (não falo de terrorismo, que é um caso de polícia) é comparável à rejeição da modernidade pela Igreja Católica até aos anos 1960, que também precisarão de tempo histórico, a medir talvez em termos de gerações. Enquanto que as civilizações asiáticas, tão antigas, com uma longa tradição de escrita e sem o ‘absoluto’ do Monoteísmo, não tiveram este tipo de obstáculos na sua modernização acelerada. A questão que está aberta, mais talvez do que um ‘choque’ de civilizações, é a maneira como estas culturas asiáticas, &lt;em&gt;sem a operação de definição nas suas tradições&lt;/em&gt;, vão (ou estão a) reagir às ciências não matemáticas, que enxertos resultarão daí. O problema das sociedades de África « mal partida » é sem dúvida que elas eram ainda tribais há duas ou três gerações : quantas gerações lhes serão precisas para uma modernização consequente com as suas tradições, permitindo-lhes escapar à exploração neocolonial das multinacionais ? A maneira como Mandela, Kofi Anan e tantos outros Africanos se tornaram personagens históricos mostra que não se trata duma questão de racismo ; há que dar atenção às diferentes temporalidades das sociedades, &lt;em&gt;às suas ancestralidades retiradas&lt;/em&gt;. Por sua vez, os Ocidentais poderão aprender com estes Outros, em termos de solidariedade, o que séculos de individualismo de ‘almas’ e de ‘sujeitos’ nos fizeram perder ; esperemos inversamente que as grandes civilizações asiáticas ganhem, com a tecnologia, algo da ‘liberdade’ ocidental e saibam de imunizar do nosso individualismo acérrimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Neste caso, trata-se apenas de ligar coisas conhecidas mas disseminadas.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Pode suceder que o quadro quase feminista das ilhas de Trobriand descrito por Malinowski não tenha sido possível senão pelo isolamento insular da tribo, condição necessária, talvez não suficiente.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; A sua aprendizagem pelas crianças iça-lhes a voz até às receitas dos usos aprendidos, poupando-lhes o esforço impossível de os descobrir sozinhas ; ao receberem as palavras com as quais a comunidade pensa, as vozes delas aprendem muito depressa a pensar.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; É o sentido da oposição entre espírito e carne no Novo Testamento. Esta é a ordem do parentesco, em que a reprodução sexual tem o seu lgar, sem dúvida, mas que não é visada pore la mesma. Um dos equívocos mais graves sobre a sexualidade foi a interpretação muito tardia das narrativas míticas sobre o nascimento virginal de Jesus como indicando que Maria tenha ficado virgem toda a sua vida, quando no entanto os evangelhos nomeiam os irmãos e irmãs de Jesus, um deles, Tiago, tendo-se tornado o principal dirigente da igreja de Jerusalem, com quem Paulo teve desavenças. Aquelas narrativas não visavam o sexo : o recém-nascido, à maneira de Isaac, Samuel e João Baptista, tinha sido dado por Deus, tinha um destino messiânico, não viera da carne, da ordem do parentesco. Foi o maniqueismo outras correntes anti-sexualidade do 3º século que estão na origem do que se chama erradamente moral judaico-cristã : deveria dizer-se helenístico-cristã, já que nas Bíblias, hebraica e cristã, não há vestígios dela.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Que o cristianismo, pelo seu melhor como pelo seu pior, esteja &lt;em&gt;retirado&lt;/em&gt; nas estruturas da civilização moderna, incompreensível sem isso como sem filosofia nem ciências, não dá nenhuma hegemonia ‘simbólica’ às Igrejas actuais, da memsma maneira que a Gréica actual também a não tem por os seus antepassados terem inventado a filosofia e o discurso científico (lógica, geometria). Com efeito, a modernidade instituiu-se laica, é isso a « morte de Deus » (Nietzsche) : tanto o crente como o anticlerical têm que aceiar a parte ancestral do outro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-3396578011469671434?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/3396578011469671434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=3396578011469671434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3396578011469671434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3396578011469671434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/evoluo-e-sexualidade.html' title='Evolução e sexualidade'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-3543788393220484798</id><published>2008-02-19T14:06:00.001Z</published><updated>2008-02-19T14:10:51.850Z</updated><title type='text'>Não há última instância (contra o reducionismo)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não há última instância (contra o reducionismo)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;104. O reducionismo é a pretensão de certos cientistas de colocar a sua ciência no lugar da filosofia clássica e de dar conta, senão do conjunto das coisas do universo (o fisicalismo de certos físicos), pelo menos do que diz respeito ao social e ao humano : a economia marxista ou neo-liberal, a tendência de Freud e Lacan a explicar tudo pelo Édipo ou o inconsciente, a sociobiologia, que sei eu ? Em todos os casos trata-se, segundo creio, de não se entender a necessidade esrutural do laboratório na respectiva ciência, na medida em que essa necessidade implica um gesto de redução que o reducionismo ignora.&lt;br /&gt;105. Mas a questão também se põe das ambições epistemológicas da filosofia, do seu alcance enquanto disciplina que inventou a definição e a consequente argumentação lógica sobre essências abstractas : a fenomenologia de Husserl que deveria ‘fundar’ as ciências, os diversos materialismos, idealismos e espiritualismos. É desse primado – marcado na expressão filosofia das ciências – que abdica o com no título deste texto.&lt;br /&gt;106. A introdução dele fez-se relacionando a redução com a definição e alargando-lhe o alcance. Pode-se agora precisar melhor que, além do gesto de arranque ao contexto e de redução (ou exclusão) deste, a &lt;em&gt;definição&lt;/em&gt; tem o seu lugar, quer em filosofia quer nas teorias científicas, para determinar a constelação dos motivos respectivos da maneira mais precisa possível. Enquanto que a &lt;em&gt;redução&lt;/em&gt; terá a ver, mais precisamente, com o gesto de tomada do fenómeno (arrancado ao contexto, que é reduzido) para o trazer ao laboratório : se se trata de física, exemplo maior, de o trazer às operações de medição e experimentação. Estas reduzem a ‘substância’ daquilo que é medido (espaço, tempo, temperatura, massa, intensidade da corrente eléctrica, etc.) para não reter senão as diferenças medidas, as proporções, que servirão para preencher as variáveis das equações dos problemas dessas operações. Seja o exempo de Galileu. Sem cronómetros na época, teve que inventar a seguinte ‘técnica’ para medir o tempo ‘pesando-o’ ! « Para medir o tempo, tomávamos um grande balde cheio de água que atévamos bastante alto ; por um orifício estreito praticado no fundo escapava um fio de água que recolhíamos num recipiente, durante o tempo em que a bola rolava no canal. As quantidades de água recolhidas assim eram de cada vez pesadas com a ajuda duma balança muito sensível, as dif&amp;shy;erenças e proporções entre os pesos davam-nos as dife&amp;shy;renças e proporções entre os tempos ». É espectacular : meça-se em segundos ou em gramas de água, tanto faz do ponto de vista do próprio ‘conhecimento’ físico ; com efeito, não se tem lá ‘tempo’ como também não ‘espaço’, apenas medidas, &lt;em&gt;diferenças não-substanciais&lt;/em&gt;. E isso basta essencialmente à física. É por isso que, ao nível laboratorial que define a física enquanto ciência (aonde a matemática está compreendida), esta não sabe nada do espaço nem do tempo nem da massa, devendo propor teorias ‘filosóficas’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; como condição de interpretação da experimentação e das equações. E foi esta redução do ‘substancialismo’ (do aristotelismo medieval e europeu) que Husserl herdou, por via de Kant que a introduziu na sua filosofia juntamente com a física de Newton, reduzindo aquela às tarefas do conhecimento não científico.&lt;br /&gt;107. Assim, por exemplo, a acústica, região da física que se ocupa dos fenómenos sonoros, não pode saber nada das leis linguísticas que se jogam na corrente sonora que é uma palavra humana, como também não a fisiologia da fonação ou do cérebro. A física é incompetente em linguística, porque os sons que ela estuda são reduzidos, na sua maneira de virem ao laboratório, das suas ‘qualidades’ sonoras, linguísticas ou musicais : a redução que ela opera impede-a de distinguir texto e música numa canção&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. Mas a linguística, Saussure afirmava-o nitidamente no seu &lt;em&gt;Cours de Linguistique Générale&lt;/em&gt;, reduz por sua vez a acústica e a fisiologia da fonação para poder estabelecer a fonologia. Quando acima se falava de irredutibilidade metodológica entre a neurologia e a psicanálise ou qualquer outra psicologia (§ 75), o que estava em questão era a necessidade recíproca de cada uma das disciplinas reduzir o que releva da outra&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. De forma geral, qualquer ciência é-o duma certa (sub) cena de circulação e das respectivas assemblagens e só o pode ser reduzindo as regras das outras (sub) cenas, quer as que a precedem (são pressupostas, as novas regras não as podem contradizer), quer sendo-lhe suplementar (e por isso jogando com novas regras em relação à sua). &lt;em&gt;A articulação interdisciplinar que se quer aqui favorecer só se pode fazer no respeito das autonomias da cada disciplina ou cena&lt;/em&gt;. E no entanto nenhuma destas cenas e ciências respectivas é independente das outras, já que elas são todas suplementares umas em relação às outras, articulam-se entre si segundo doubles binds.&lt;br /&gt;108. Dito isto, é fácil de mostrar as interdependêncas recíprocas. Que todas as ciências europeias dependem da filosofia, a história delas mostra-o facilmente : todas nasceram dela, reformulando, ‘de forma filosófica’ antes de mais, as categorias recebidas da tradição (e os métodos, a começar pela definição e respectiva maneira de argumentar gnosiologicamente). E continuam a depender : por exemplo, nenhuma ciência pode justificar, com a sua metodologia, nem o seu laboratório nem a sua conceptualidade, nem estas próprias noções, de ‘noção’, ‘ciência’, ‘justificação’, ‘método’, ‘conceito’, como também não as de ‘essência’, ‘matéria’, ‘realidade’, ‘fenómeno’, ‘descrição’, ‘definição’, etc., etc. Mas a filosofia também não deixa de depender, na sua história, da geometria (Platão), da zoologia e da botânica (Aristóteles), da matemática (Descartes, Leibniz, Husserl), da física de Newton (Kant), etc. Da mesma maneira que hoje não pode deixar de depender da história (exemplo de Aristóteles e Kant há pouco), nem das filologias linguísticas (do grego, do latim, do alemão, etc.), mesmo quando um Heidegger (1968) reformula, com argumentos filosóficos, as traduções aceites dum capítulo da &lt;em&gt;Physica&lt;/em&gt; de Aristóteles. Por seu lado, estas filologias também não podem fazer uma parte do seu ofício sem conhecer a história da filosofia. &lt;em&gt;De jure&lt;/em&gt;, além da filosofia, tanto a história e/ou a sociologia&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; como a filologia linguística são incontornáveis para a interpretação dos conhecimentos científicos produzidos numa língua e num contexto social dado, sem que se possa, dizer o mesmo, julgo eu, da física-química ou da biologia, cujas regras são no entanto decisivas para tudo o que diz respeito ao humano. É esta ausência de última instância que justifica o levantamento aqui do parêntesis kantiano : a filosofia &lt;em&gt;com ciências&lt;/em&gt; é, por um lado, a busca do que há de filosófico nas principais ciências, de como as suas descobertas no século 20 permitem reelaborar o discurso filosófico, por outro a demonstração do ‘solo’ histórico comum que é o das seis disciplinas e da sua essencial interdisciplinaridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; É por isso que Heidegger dizia que as ciências não ‘pensam’. Mas deveria ter acrescentado que os cientistas pensam como filósofos : é por isso que as suas teorias são susceptíveis de crítica filosófica ou epistemológica.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Portanto nem as leis físicas da Acústica nem as biológicas da Genética e da Neurologia determinam as das línguas, maravilha de Babel ameaçada, tão pouco as das matemáticas ou das músicas.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Pode-se dizer que A. Damásio descobriu nos seus pacientes do tipo Phineas Gage, a redução dos neurotransmissores dos usos de trabalho que lhes deixaram apenas os grafos de Changeux, as pequenas repetições desses usos. Pode suceder que os sonhos sejam, ao invés, os neurotransmissores jogando sozinhos nos grafos cerebrais sem a intervenção das zonas Broca e Wernicke da linguagem (de que relevariam o que Freud chamou « elaboração secundária »).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Ou a antropologia que estuda um laboratório (B. Latour).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-3543788393220484798?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/3543788393220484798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=3543788393220484798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3543788393220484798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3543788393220484798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/no-h-ltima-instncia-contra-o.html' title='Não há última instância (contra o reducionismo)'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-5580521407410590539</id><published>2008-02-19T14:02:00.000Z</published><updated>2008-02-19T14:06:31.383Z</updated><title type='text'>Poluição e monetarismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Poluição e monetarismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;109. Não quereria terminar estas indicações sobre as reduções sem indicar duas que nos fazem sofrer hoje e que ameaçam piorar. As diversas poluições são o efeito indirecto da redução dos laboratórios dos engenheiros : máquinas ou substâncias químicas são experimentadas de forma fragmentária e reduzindo todos os fenómenos das cenas fora dos muros do laboratório, isto é, os ambientes que podem sofrer efeitos indesejáveis&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. A esta ameaça, a única resposta técnica possível, quando for possível, é a de trazer, por sua vez, estes fenómenos de poluição ao laboratório, para tentar remediar. Mas a redução é a condição de qualquer invenção técnica e simultaneamente de todos os seus efeitos prejudiciais eventuais, de que a  alteração dos climas é a mais temível, devido ao seu carácter catastrófico global e às suas incidências nas grandes economias, e portanto às suas resistências.&lt;br /&gt;110. Também a redução económica está ligada, como a das experimentações físicas e químicas, à sua utilização privilegiada da matemática, de números que, em rigor, consistem em contar unidades de mercadorias em termos de unidades monetárias e de taxas abstractas (os seus custos, preços de venda e lucros). Porque não há em economia dimensões mensuráveis como em física e química, que tornam possível que haja nestas ciências técnicas adequadas ; está excluído portanto o carácter fragmentário &lt;em&gt;preciso&lt;/em&gt; das suas operações laboratoriais. Sendo com efeito de tipo estatístico, a economia não ‘mede’, apenas &lt;em&gt;conta&lt;/em&gt;, ao nível laboratorial não faz álgebra, apenas aritmética. Que a fragmentaridade experimental não seja &lt;em&gt;precisa &lt;/em&gt;nos seus critérios de levantamento dos seus fenómenos, significa a ausência de fronteiras laboratoriais nítidas : não há critérios intrínsecos que delimitem os campos das estatísticas, entre o micro e o macro, nem entre as diversas (sub) cenas sociais, esses campos sendo indefinidos, entregues a um certo arbitrário (da teoria ou do economista). Por exemplo antigo de A. Gorz, os custos em acidentes (reparações mecânicas, hospitais, remédios, seguros), contam tanto como a produção agrícola ou dos automóveis, para o PIB duma nação, que portanto aumentará com a sinistralidade nas estradas e diminuirá se forem tomadas medidas eficazes para a diminuir.&lt;br /&gt;111. Ora, o que é que é reduzido pelas contas do economista ? As coisas compradas e vendidas, a sua qualidade e fiabilidade, os que recebem salários em troca do seu trabalho, a sua justiça social – se eles são ‘muito’ altos, aproveita-se para deslocalizar e obterem-se melhores números - ; em resumo, é o que faz a &lt;em&gt;qualidade da habitação&lt;/em&gt; duma dada sociedade que é reduzido como condição de poder fazer o balanço económico dela, para que ela seja governável (sem balanços, seria o caos). A redução não é um defeito, é um limite, é certo, mas que é condição de cientificidade. É um pouco como a nossa afirmação de que a matemática só tem uma articulação : é o que lhe permite ser exacta, sem polissemia (§§ 61-62). O problema é o de saber qual é o lugar da economia entre as ciências das estruturas sociais. Há várias sub-cenas, respeitando os diversos tipos de estrutura que formam sectores bem diferenciados, os transportes, a alimentação e a saúde, a construção, etc. Mas três entre elas respeitam a estruturas que atravessam todos os outros sectores. A linguagem (escola e médias), a instância de regulação política (o Estado) e o mercado. A economia só diz respeito a uma sub-cena social, a do mercado : ela não é senão uma ciência social entre outras (a linguística, as ciências do direito, a demografia, etc.), que, de jure, deve ser compreendida por aquela que deve ser a ciência global da sociedade, a sociologia. Ora, esta falta-nos justamente como ciência global, que deveria ser capaz de propor fins às outras ciências sociais, e a economia aproveita da sua transversalidade e do seu &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; específico, o da moeda, para tomar o lugar vazio da ciência da sociedade, para o suprir. &lt;em&gt;O neo-liberalismo monetarista, forma dominante da teoria económica desde há duas ou três décadas, está assente sobre a redução que é própria ao retiro da moeda&lt;/em&gt;. É portanto o discurso da moeda que ocupa o lugar de direcção do conjunto da sociedade, que a seguir à guerra de 39-45 foi ocupado pelo discurso da economia política, com alcance além do estrito mercado. Ora, entre os factores que contam para as suas contas, um só não é reduzido, o capital, pela boa razão que ele é, de si mesmo, cifrado em moeda (qualquer que seja o proprietário, que é reduzido, obviamente). Uma vez que os altos lugares do capital são doravante multinacionais, afastados das unidades locais de habitação donde retiram os seus lucros, e uma vez que, lá no alto, o capital prevalece sobre a técnica e a sua poluição possível, o risco de devastações sociais e ecológicas permanece uma preocupação das populações, dos políticos e dos militantes, mas a nível local : ora é este nível local que é reduzido pelos números estatísticos globais que interessam nos altos lugares. Ora bem, é o que é reduzido da cena que exige que haja regulação, esta é essencial a qualquer cena, como se terá compreendido.&lt;br /&gt;112. É pois a ausência duma sociologia científica susceptível de guiar as escolhas dos números a contar pelo economista (este tipo de escolha, essencialmente política, é feita por exemplo na elaboração de orçamentos) que tem como consequência que a economia jogue nos factos o papel de &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; ciência da sociedade (papel indispensável, é claro, é por isso que é tão perigoso). Incapaz de ultrapassar os limites da sua redução, de regressar à tradição da economia política do após guerra, ela ignora, pela sua estrutura monetarista, a lei da habitação ou ecologia, o cuidado da terra e dos vivos, enquanto que os defendem um desenvolvimento sustentável reclamam uma abordagem sistémica destas questões, que os economistas, ‘sistémicos’ também à sua maneira e em posição hegemónica, impedem, se for verdade que os seus critérios residem em números cada vezx mais altos. « O capital prospera, a sociedade degrada-se », escrevem Boltanski e Chiapello num belo e longo livro em que reclamam um « novo espírito da capitalismo » para que a civilização seja viável. Poder-se-ia transpor a lógica dos double binds às sociedades contemporâneas bem mais complexas : a guerra dos números enormes que se fazem as unidade multilocais (ou multinacionais) e as devastações que ela provocam – nas ecologias que alimentam as populações e nos seus empregos – nas sociedades nacionais, mais ou menos impotentes, mas ameaçadas do interior pelos descontentamentos e revoltas inevitáveis, que não deixarão de ter lugar, mais tarde ou mais cedo, essa guerra não pode deixar de ter repercussões sobre os próprios capitais financeiros. Talvez não esteja longe o dia em que se veja defender as propriedades privadas das unidades locais contra a sua multinacionalização com os mesmos argumentos de não há muito contra as nacionalizações. Um médico espanhol do século 19, Letamendi, escreveu isto : « do médico que não sabe senão medicina, podes estar certo de que nem medicina sabe ». É verdade também no que diz respeito ao filósofo, mas ainda é mais perigoso no economista. Já que o ‘eco’ (oikos, casa), que dá o nome à sua ciência tal como à ecologia, deveria ligar as duas disciplinas na mesma finalidade, à maneira da medicina : &lt;em&gt;um fim terapêutico à habitação&lt;/em&gt;. É imperativo sem dúvida nenhuma que os economistas encontrem – urgentemente, porque já é tarde de mais – ume ‘economia política’ adequada, a terapia dos graves problemas que a globalização está a suscitar, tant de poluição e clima como de fome, doença e pobreza de milhões de humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Assim como as experimentação dum remédio para a doença dum certo órgão não podem, por elas mesmas, terem em conta todos os outros tecidos que podem recebê-lo no sangue, do que se chama efeitos secundários, seriam necessários outros ensaios. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-5580521407410590539?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/5580521407410590539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=5580521407410590539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/5580521407410590539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/5580521407410590539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/poluio-e-monetarismo.html' title='Poluição e monetarismo'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-7952366527650481696</id><published>2008-02-19T13:58:00.001Z</published><updated>2008-02-19T14:02:29.302Z</updated><title type='text'>Double bind e acontecimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; : a impossibilidade de pensar o acontecimento&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;113. O &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; é o motivo chave desta nova fenomenologia. Tomado de Bateson, foi introduzido por Derrida na sua gramatologia em &lt;em&gt;Glas, Que reste-t-il du savoir absolu ?&lt;/em&gt; (1974), texto de viragem ao nível do estilo, e depois em &lt;em&gt;La Carte postale, De Socrate à Freud et au-delà&lt;/em&gt; (1980). Retomou-o depois frequentemente a propósito de questões éticas e políticas, mas, tanto quanto sei, nunca com as preocupações ‘ontológicas’ voltadas para as ciências que tiveram um peso tão considerável nos seus primeiros textos. Cabe-me pois a mim assumir a responsabilidade. Levinas, que no entanto não morria de amores pela ontologia, escreveu o seguinte : « A obra de Derrida corta o desenvolvimento do pensamento ocidental por uma linha de demarcação semelhante à do kantismo, que separou a filosofia dogmática do criticismo ? Estamos de novo à beira duma ingenuidade, dum dogmatismo insuspeito que dormitava no fundo daquilo que tomávamos por espírito crítico ? Pode-se perguntá-lo. […] Novo corte na história da filosofia ? Também marcaria a sua continuidade. A história da filosofia não é provavelmente senão uma consciência crescente da dificuldade de pensar »&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Gostaria que o esboço que é este manifesto fosse suficiente para que o leitor tivesse encontrado um certo fundamento para a afirmação de Levinas. A linha de demarcação em relação ao kantismo é também uma dificuldade crescente de pensar : o motivo do &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; é o motivo dessa dificuldade, senão dessa impossibilidade. Pensar é estar sempre diante duma aporia, um caminho sem saída para o pensador : enquanto que nas cenas da chamada realidade essas aporias são ‘resolvidas’ pelo que se chama ‘acontecimentos’.&lt;br /&gt;114. Dou três exemplos simples. Uma lei indissociável do tráfego – para que haja estradas e estações de gasolina, é preciso que haja muitos carros (não se as fazem só para meia-dúzia) – manifesta-se inconciliável com a autonomia de viagem de cada um nos engarrafamentos das entradas das grandes cidades. Nenhum condutor pode ‘pensar’ a resolução desta aporia, tem que se resignar a ela, a menos que seja o presidente da república com as sua motas a abrirem caminho. A lei da selva também não é dominável por nenhum animal, sempre susceptível de ser a presa de outros quando ele também tem que procurar alimentar-se. Mas a evolução resolveu a aporia, é certo que pagando o preço da extinção de inúmeras espécies. Os campeonatos desportivos só são apaixonantes quando nenhuma equipa está segura de antemão de vitória. Os Globle-trotters, para não ganharem todos os campeonatos americanos de baskett-ball, foram obrigados a saírem e a dedicarem-se ao circo.&lt;br /&gt;115. De maneira geral, qualquer assemblagem sendo indeterminada por causa dos &lt;em&gt;doubles binds&lt;/em&gt; que a constituem, nenhuma pode tão pouco dominar os acontecimentos possíveis na sua cena de circulação. É isso que torna a existência dos humanos ao mesmo tempo sempre ameaçada e exaltante de suspense, o ‘sentido’ de cada vida, como se diz, devendo ser decidido em cada grande acontecimento, através de estratégias que põem a sua competência à prova, mas devendo por outro lado economizar a energia estratégica em rotinas, pequenas repetições adaptadas. &lt;em&gt;Há que ser ao mesmo tempo conservador e capaz de risco&lt;/em&gt;. Esta palavra ‘sentido’ lembra a bifurcação no começo deste texto : a linguagem torna possível ‘sair’ do lugar e momento em que se está, tomar distância, entre outras coisas, para o pensar, mas não permite anular a circulação da cena onde há muitos outros e as suas estratégias (incluindo micróbios !). Ao nível de cada animal, o &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt; entre a reprodução das células e a do organismo, de sua circulação do sangue, cada uma devendo contar estrutuuralmente com a outra, mas esta inibindo o jogo do metabolismo celular para que ele cumpra a sua ‘especialidade’, é este double bind que parece ser v encido quando irrompe um cancro. Ao nível dos textos, é na poesia que parece que se manifesta mais claramente o seu &lt;em&gt;double bind&lt;/em&gt;, jogando qao mesmo tempo com a lei do significante (musicalidade do poema) e com a do pensamento. A filosofia tentou dominar esta aporia, a irreductibilidade do jogo significante, reduzindo os ‘acidentes’, os acontecimentos que sucedem em lugares e momentos mais ou menos circunscritos, que se contam em narrativas : a definição foi o seu meio de produzir textos fora das particularidades narrativas e dos ‘eu’ e ‘tu’, textos gnosiológicos de essências definidas e argumentadas, inlocais, intemporais, incircunstanciais. Apenas linguagem, sem corporalidade assinalada : as cenas foram reduzidas no escritório do filósofo. Como nos laboratórios dos cientistas mais tarde. O que implicou apagar, não ter em conta, as circunstâncias concretas da produção desses textos, da sua lei de produção na cena cívica da discussão dos saberes. Este apagamento é estrutural, mas torna-se um pouco legível quando as circunstâncias se alteram suficientemente, a aporia torna-se assinalável por outro pensador, foi sempre ela que impulsionou a história do saber. Além da morte dos pensadores em seus lugares e tempos de vida, os textos venceram-na, à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;116. As três grandes linhas acima da gravitação – a da alimentação, a da habitação humana, a da inscrição – as da vitória sobre a fragilidade intrínseca que é a morte. Esta vitória é a da repetição, muito estrita, do rasto, sem origem e quase imortal : &lt;em&gt;dos genes, dos usos, das palavras&lt;/em&gt;, do que se poderia chamar, em glosa de Derrida, &lt;em&gt;quase-transcendentais&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; “Tout autrement”, &lt;em&gt;L’Arc, nº 54, Jacques Derrida&lt;/em&gt;, 1973, p. 33&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-7952366527650481696?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/7952366527650481696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=7952366527650481696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7952366527650481696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/7952366527650481696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/double-bind-e-acontecimento.html' title='Double bind e acontecimento'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-2370207795112802762</id><published>2008-02-19T13:55:00.000Z</published><updated>2008-02-19T13:58:02.142Z</updated><title type='text'>Isto é apenas um manifesto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Isto é apenas um manifesto&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;117. Não se tratava pois aqui senão do anúncio (e da iniciação, talvez necessária) do texto de referência – O JOGO DAS CIÊNCIAS &lt;em&gt;COM&lt;/em&gt; HEIDEGGER E DERRIDA. Foi uma aventura de escrita, quase como um romancista que não sabe como é que a história se desenvolverá, aonde o conduzirá, que novos caminhos se abrirão. Espero que haja leitores para as entender à medida em que for lendo, a paixão de compreender e a surpresa. Sem dúvida que pedirá tempo, mas será para o poupar depois, já que a aposta deste texto é que, &lt;em&gt;ao compor as questões fenomenológicas dos diversos domínios entre elas,&lt;/em&gt; ele dê acesso a&lt;em&gt; um novo patamar da razão&lt;/em&gt;, um patamar mais elevado das questões do conhecimento, entre ciências e filosofia. Quando se lêem ensaios, ou mesmo teses académicas, é fácil dar-se conta que uma boa parte do texto serve apenas para criar um contexto àquilo que está em questão&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, sem ter muitas vezes senão critérios empíricos. Novo patamar da razão significa a aposta de que esta com-posição entre diversos domínios possa trazer uma grade economia dessas introduções sem fim e tornar assim as inteligências mais livres para avançarem mais longe na aventura da escrita. Que a fenomenologia que Husserl, Heidegger e Derrida abriram é, pelo menos ao nível das ciências do século 20, eis a minha presunção. Aqui tratava-se apenas dum manifesto.&lt;br /&gt;        118. Retomemos a abertura. O que é aberrante no panorama pulverizado das ciências actuais é que os conceitos mais gerais das diversas ciências não tenham comunicação entre eles, como se não tivessem saído dum pensamento filosófico que fosse relativamente coerente, como se as ciências tivessem sido geradas ao acaso. Encontrar uma coerência adequada, forçosamente nova, não poderia fazer-se do exterior, nem da filosofia nem das ciências respeitantes aos principais domínios da chamada realidade. Ela não poderia vir senão da convergência das suas principais descobertas durante o século 20.&lt;br /&gt;        119. Um manifesto anuncia a abertura dum futuro, rompe também em parte com o seu passado. Todavia, mais do que ruptura, trata-se aqui dum acabamento : o do percurso filosófico que vai de Sócrates, Platão e Aristóteles, até à fenomenologia husserliana e aos seus dois grandes dissidentes, Hei&amp;shy;degger e Derrida, tendo em conta também a dimensão filosófica das principais ciências paridas durante esse percurso. este acabamento abre um futuro, além da separação, introduzida por Kant, entre a filosofia e as ciências, um futuro interdisciplinar : que é chamado Filosofia-com-Ciências, finalização do projecto da fenomenologia de Husserl. Por outras vias do que as que ele visava, sem papeis privilegiados : uma nova fenomenologia, em suma, verdadeira, ainda por cima. Para além do fracasso de Husserl, trata-se de manifestar como, por vias subterrâneas, se dizer se pode, as duas obras principais dessa corrente, as de Heidegger e de Derrida, tornam possível hoje&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; unificar e articular os campos das principais ciências respeitantes à vida, às sociedades, à linguagem, ao psiquismo e, duma certa maneira, à energia e à matéria. Se sucede, como presumo, que os paradigmas de Thomas Kuhn representam o melhor que a corrente da filosofia analítica produziu no que se chama filosofia das ciências, encontrar-se-á no texto de referência ao mesmo tempo o acabamento do trabalho dos maiores pensadores do século que acabou e a abertura, fecunda e rigorosa, da interdisciplinaridade que se busca há já algumas décadas. Em termos de Kuhn, dir-se-ia que se trata da ‘solução’ (parcial, é claro, lacunar, incoativa, a continuar e corrigir indefinidamente) do imenso puzzle do saber filosófico-científico do Ocidente. Além das sugestões que especialistas poderão encontrar eventualmente a respeito da dimensão filosófica de sua ciência e portanto dos obstáculos epistemológicos escondidos nos seus paradigmas, espera-se que qualquer leitor possa encontrar também uma espécie de mapa dum panorama geral, duma paisagem composta desses saberes, uma espécie de mapa de navegação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colares, Janeiro de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Com vantagens sem dúvida para o que escreve, que aprendeu muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2959361315162748641#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Qu’il s’agit bien de leur apport, une sorte de preuve serait le fait que cette possibilité était, depuis deux décennies au moins, à la portée de quelqu’un de compétence moyenne.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-2370207795112802762?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/2370207795112802762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=2370207795112802762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2370207795112802762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/2370207795112802762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/isto-apenas-um-manifesto.html' title='Isto é apenas um manifesto'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-8283904717236103609</id><published>2008-02-19T13:35:00.002Z</published><updated>2008-02-19T13:55:50.866Z</updated><title type='text'>Bibliografia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Filosofia e/ou ciências&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARISTOTE, &lt;em&gt;Physique&lt;/em&gt;, ed. bilingue, H. Carteron, Les Belles Lettres, 1952-56&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Physique&lt;/em&gt;, trad. A. Stevens, J. Vrin, 1999&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Metafísica&lt;/em&gt;, ed. trilingue [grego, latim, castelhano] V. Garcia Ye&amp;shy;bra, Gredos, 1982&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Catégories&lt;/em&gt;, trad. et notes J. Tricot, J. Vrin, 1977 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Poétique&lt;/em&gt;, ed. bilingue, trad. et com. R. Dupont-Roc et J. Lal&amp;shy;lot, Seuil, 1980 [trad. port]&lt;br /&gt;AUBENQUE, Pierre, &lt;em&gt;Le problème de l’être chez Aristote&lt;/em&gt;, P.U.F., 1962&lt;br /&gt;BELO, Fernando, &lt;em&gt;Lecture matérialiste de l'évangile de Marc, récit, pratique, idéo&amp;shy;lo&amp;shy;gie&lt;/em&gt;, Cerf, 1974&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Epistemologia do sentido, Entre filosofia e poesia, a ques&amp;shy;tão semântica,&lt;/em&gt; Gulbenkian, 1991a&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;A Conversa, Linguagem do Quotidiano, Ensaio de Filosofia e pragmática&lt;/em&gt;, Presença, 1991b&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Leituras de Aristóteles e de Nietzsche, A Poética, Sobre a Verdade e a Mentira&lt;/em&gt;, Gulbenkian, 1994&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Bible et Filosofia dans la construction de l’Europe. La séparation de la Terre et du Monothéisme&lt;/em&gt;, inédito&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Le Jeu des Sciences avec Heidegger et Derrida. I – Scène, retraits et régulation de l’aléatoire ; II – La Phénoménologie reformulée, en vérité&lt;/em&gt;, L’Harmattan, 2006&lt;br /&gt;COLLIN, Françoise, &lt;em&gt;Je partirais d’un mot&lt;/em&gt; , FusArt, 1999&lt;br /&gt;DELEUZE, Gilles, &lt;em&gt;Niezstche et la philosophie&lt;/em&gt;, P. U. F., 1962 [trad. port]&lt;br /&gt;DERRIDA, Jacques, “Introduction” à Husserl, 1962&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;De la Grammatologie&lt;/em&gt;, Minuit, 1967a&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;L'écriture et la différen&amp;shy;ce&lt;/em&gt;, Seuil, 1967b&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;La voix et le phénomène. Introduction au problème du signe dans la phénoménologie de Hus&amp;shy;serl&lt;/em&gt;, P.U.F., 1967c [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Marges. De la Filosofia&lt;/em&gt;, Minuit, 1972a [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Positions&lt;/em&gt;, Minuit, 1972b [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Glas, Que reste-t-il du savoir absolu?,&lt;/em&gt; Galilée, 1974&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;La Carte postale, de Socrate à Freud et au-delà&lt;/em&gt;, Flamma&amp;shy;rion, 1980&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Apories. Mourir - s’attendre aux ‘limites de la vérité’&lt;/em&gt;, Gali&amp;shy;lée, 1996&lt;br /&gt;FOUCAULT, Michel, &lt;em&gt;Les Mots et les Choses&lt;/em&gt;, Gallimard, 1966 [trad. port]&lt;br /&gt;GOUX, Jean-Joseph, "Nu&amp;shy;mismatiques II", &lt;em&gt;Tel Quel, nº 36&lt;/em&gt;, 1969&lt;br /&gt;HEIDEGGER, Martin, &lt;em&gt;Être et Temps&lt;/em&gt;, [1927], trad. E. Martineau, ed. hors-commerce, 1985&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;L’essence de la vérité&lt;/em&gt;, J. Vrin / Nauwelaerts, 1948 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, "L'origine de l'œuvre d'art" [1935], in &lt;em&gt;Che&amp;shy;mins qui ne mè&amp;shy;nent nulle part&lt;/em&gt;, Galli&amp;shy;mard, 1962a [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Lettre sur l’humanisme&lt;/em&gt;, ed. bilingue, Au&amp;shy;bier, 1964 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Aristote, Métaphysique Q 1-3&lt;/em&gt;, De l’essence et de la réalité de la force, [1931], Galli&amp;shy;mard, 1991&lt;br /&gt;Idem, "Ce qu'est et comment se détermine la Physis", [1940] in &lt;em&gt;Questions II&lt;/em&gt;, Gallimard, 1968&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Essais et conférences&lt;/em&gt;, [1954], Gallimard, 1958 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Le principe de raison&lt;/em&gt;, [1957], Galli&amp;shy;mard, 1962b [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, "Temps et être" [1962, 1969], &lt;em&gt;Questions IV&lt;/em&gt;, Gallimard, 1976&lt;br /&gt;HUSSERL, Edmund, &lt;em&gt;L’origine de la Géométrie&lt;/em&gt;, P. U. F., 1962&lt;br /&gt;KUHN, Thomas, &lt;em&gt;La structure des révolutions scientifiques&lt;/em&gt;, [1962, 1970], trad. L. Meyer, Flammarion, 1983 [trad. port]&lt;br /&gt;NIETZSCHE, Friedrich, “Introduction théorétique sur la vérité et le mensonge au sens extra-moral” [1873], in &lt;em&gt;Le Livre du philosophe&lt;/em&gt;, ed. bilingue Aubier Flammarion, 1969 [trad. port]&lt;br /&gt;PAISANA, João, &lt;em&gt;Fenomenologia e Hermenêutica, A Relação entre as Filosofias de Husserl e Heidegger&lt;/em&gt;, Presença, 1992&lt;br /&gt;PLATON, &lt;em&gt;République&lt;/em&gt;, trad. R. Baccou, Garnier-Flammarion, 1966 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Phédon&lt;/em&gt;, trad. E. Chambry, Garnier-Flammarion, 1965 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Ménon&lt;/em&gt;, trad. E. Chambry, Garnier-Flammarion, 1967 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Phèdre&lt;/em&gt;, trad. E. Chambry, Garnier-Flammarion, 1964 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Tééthète&lt;/em&gt;, trad. E. Chambry, Garnier-Flammarion, 1967 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Sophiste&lt;/em&gt;, trad. E. Chambry, Garnier-Flammarion, 1969 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, textos grecs de la Loeb Classical Library&lt;br /&gt;POIRIER, J.-L., “Introduction” à Aristote, &lt;em&gt;Leçons de Physique&lt;/em&gt;, Po&amp;shy;cket, 1990&lt;br /&gt;POMIAN, Krzysztof, "Le déterminisme: histoire d'une problémati&amp;shy;que", in K. Pomian (org.), &lt;em&gt;La querelle du déterminisme&lt;/em&gt;, 1990, Gal&amp;shy;limard, pp. 9-58&lt;br /&gt;POPELARD, Marie-Dominique et VERNANT, Denis, &lt;em&gt;Les grands cou&amp;shy;rants de la philosophie des sciences&lt;/em&gt;, Seuil, 1997&lt;br /&gt;PRIGOGINE, Ilya et STENGERS, Isabelle, &lt;em&gt;A Nova Aliança, me&amp;shy;tamor&amp;shy;fose da ciência&lt;/em&gt;, [19862] , s. d., Gradiva&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Entre le Temps et l'Éternité&lt;/em&gt;, 1988, Fayard [trad. port]&lt;br /&gt;ZARADER, Marlène, &lt;em&gt;Heidegger et les paroles de l'origine&lt;/em&gt;, 1986, J. Vrin [trad. port]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Biologia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;BARBIERI, Marcello, &lt;em&gt;Teoria Semântica da Evolução&lt;/em&gt;, Fragmentos, 1987&lt;br /&gt;IDEM, &lt;em&gt;I Codici organici. La nascita delle biologia semantica&lt;/em&gt;, pe&amp;shy;Quod, 2000&lt;br /&gt;BERTHOZ, Alain, &lt;em&gt;Le sens du mouvement&lt;/em&gt;, Odile Jacob, 1997&lt;br /&gt;CHANGEUX, Jean-Pierre, &lt;em&gt;L'homme neuronal&lt;/em&gt;, Fayard, 1983 [trad. port]&lt;br /&gt;DAMÁSIO, António, &lt;em&gt;L'erreur de Descartes, La raison des émotions&lt;/em&gt;, Odile Jacob, 1995 [trad. port]&lt;br /&gt;EDELMAN, Gerald, &lt;em&gt;La Biologie de la Conscience&lt;/em&gt;, Odile Jacob, 1994 [trad. port]&lt;br /&gt;GROS, François, &lt;em&gt;Les secrets du gène&lt;/em&gt;, Odile Jacob, 19912 [trad. port]&lt;br /&gt;JACOB, François, &lt;em&gt;La logique du vivant, une histoire de l’hérédité&lt;/em&gt;, Gallimard, 1970 [trad. port]&lt;br /&gt;JOUVET, Michel, &lt;em&gt;Le sommeil et le rêve&lt;/em&gt;, Odile Jacob, 1992 [trad. port]&lt;br /&gt;LEROY-GOURHAN, André, &lt;em&gt;O Gesto e a Palavra. 1 - Técnica e linguagem&lt;/em&gt;, ed. 70, [1964] [trad. port]&lt;br /&gt;MONOD, Jacques, &lt;em&gt;Le hasard et la nécessité. Essai sur la philosophie naturelle de la biologie moderne&lt;/em&gt;, Seuil, 1970 [trad. port]&lt;br /&gt;PROCHIANTZ, Alain, &lt;em&gt;Les stratégies de l'embryon&lt;/em&gt;, P.U.F., 1988&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;La construction du cerveau&lt;/em&gt;, Hachette, 1989&lt;br /&gt;RUFFIÉ, Jacques, &lt;em&gt;Tratado do Ser Vivo&lt;/em&gt;, Fragmentos, [1982], 1988&lt;br /&gt;TASSIN, Jean-Pol, "Biologie et inconscient", en&amp;shy;tretien avec Moni&amp;shy;que Sicard, in &lt;em&gt;Le Cerveau dans tous ses états&lt;/em&gt;, Presses du CNRS, 1991&lt;br /&gt;VARELA, Francisco, &lt;em&gt;Autonomie et connaissance, Essai sur le vi&amp;shy;vant&lt;/em&gt;, Seuil, 1989&lt;br /&gt;VINCENT, Jean-Didier, &lt;em&gt;Biologie des passions&lt;/em&gt;, Odile Jacob, 1986 [trad. port]&lt;br /&gt;WATSON, James, &lt;em&gt;A dupla hélice, Um relato pessoal da descoberta da estrutura do ADN&lt;/em&gt;, Gradiva, [1968], 1994&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciências das sociedades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOLTANSKI, Luc et CHIAPELLO, Ève, &lt;em&gt;Le nouvel esprit du capita&amp;shy;lisme&lt;/em&gt;, Gallimard, 1999&lt;br /&gt;BRAUDEL, Ferdinand, &lt;em&gt;La dynamique du capitalisme&lt;/em&gt;, Arthaud, 1985 [trad. port]&lt;br /&gt;CLASTRES, Pierre, &lt;em&gt;La Société contre l'État, Recherches d'Anthro&amp;shy;po&amp;shy;logie politique&lt;/em&gt;, Minuit, 1974 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, "Arqueologia da violência: a guerra nas sociedades primiti&amp;shy;vas", in &lt;em&gt;Guerra, religião, poder&lt;/em&gt;, [1977] trad. J. A. Santos, ed. 70, 1980, pp. 11-45&lt;br /&gt;DUBET, François et MARTUCELLI, Danilo, &lt;em&gt;Dans quelle société vi&amp;shy;vons-nous?,&lt;/em&gt; Seuil, 1998&lt;br /&gt;ELIAS, Norbert, &lt;em&gt;Über den Prozess der Zivilisation&lt;/em&gt;, [1939], trad. P. Kamnitzer, titrée vol. I La civilisation des mœurs, 1973, vol. II La dynamique de l’Occident, 1975, Calmann-Lévy [trad. port]&lt;br /&gt;FAVRET-SAADA, Jeanne, &lt;em&gt;Les mots, la mort, les sorts, enquête sur la sorcellerie dans le Bocage&lt;/em&gt;, Gallimard, 1977&lt;br /&gt;FIALHO, José, &lt;em&gt;Antropologia económica dos Thonga do Sul do Mo&amp;shy;çambique&lt;/em&gt;, vol. I, Tese de Doutoramento, 1989, Lisboa&lt;br /&gt;GIL, José, &lt;em&gt;Métamorphoses du corps&lt;/em&gt;, La Différence, 1985 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, "La lutte des envies - un mo&amp;shy;dèle de fonctionement d'une société égalitai&amp;shy;re", &lt;em&gt;Études Corses, janvier 1984&lt;/em&gt;, pp. 203-226&lt;br /&gt;GOODY, Jack , &lt;em&gt;The Logic of Writing and the Organization of Socie&amp;shy;ty&lt;/em&gt;, 1986 [trad. port]&lt;br /&gt;GORZ, André, &lt;em&gt;Adieux au prolétariat&lt;/em&gt;, Galilée, 1980&lt;br /&gt;GOUX, Jean-Joseph, "Numismatiques I et II", &lt;em&gt;Tel Quel, nº 35 et 36&lt;/em&gt;, 1969&lt;br /&gt;HÉNAFF, Marcel, &lt;em&gt;Lévi-Strauss&lt;/em&gt;, Belfond, 1991&lt;br /&gt;IRIGARAY, Luce, &lt;em&gt;Speculum. De l'autre femme&lt;/em&gt;, Minuit, 1974&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Ce sexe qui n'en est pas un&lt;/em&gt;, Minuit, 1977&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Le Temps de la différence&lt;/em&gt;, Libr. Générale Française, Le Li&amp;shy;vre de Poche, 1989&lt;br /&gt;JOAQUIM, Teresa, &lt;em&gt;Menina e Moça, A construção social da femini&amp;shy;li&amp;shy;dade&lt;/em&gt;, Fim de Século, 1997&lt;br /&gt;JONES, Eric L., &lt;em&gt;O milagre europeu&lt;/em&gt;, Gradiva, [1981], 2002&lt;br /&gt;LANDES, David S., &lt;em&gt;L'Europe technicienne ou le Promé&amp;shy;thée libéré - Révolution technique et libre essor industriel en Eu&amp;shy;rope occiden&amp;shy;tale de 1750 à nos jours&lt;/em&gt;, Galli&amp;shy;mard [1969], 1975/1980 [trad. port]&lt;br /&gt;LÉVI-STRAUSS, Claude, &lt;em&gt;Les Structures élémentaires de la pa&amp;shy;ren&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;té&lt;/em&gt;, P.U.F., 1947 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Anthropologie Structurale&lt;/em&gt;, 19582, Plon (ed. Pocket) [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Le Totémisme aujourd'hui&lt;/em&gt;, P.U.F., 1962 [trad. port]&lt;br /&gt;POLANYI, Karl, &lt;em&gt;La grande transformation. Aux origines politiques et économiques de notre temps&lt;/em&gt;, Gallimard, [1944], 1983&lt;br /&gt;REICH, Robert, &lt;em&gt;O Trabalho das Nações. Preparando-nos para o Capitalismo do século XXI&lt;/em&gt; [The Work of Nations], Quetzal, 1993&lt;br /&gt;SAPIR, Jacques, &lt;em&gt;Les trous noirs de la science économique, essai sur l’impossibilité de penser le temps et l’argent&lt;/em&gt;, Albin Michel, 2000&lt;br /&gt;SCHIAVONE, A,&lt;em&gt; L’histoire brisée. La Rome antique et l’Occident moderne&lt;/em&gt;, Belin, 2003&lt;br /&gt;TABET, Paola, "Fertilité naturelle, repro&amp;shy;duction forcée", in N.-Cl. Mathieu (org.), &lt;em&gt;L'arraisonnement des femmes. Essais en anthro&amp;shy;po&amp;shy;logie des sexes, Cahiers de l'Homme, série XXIV&lt;/em&gt;, E.H.E.S.S., Paris, 1985, pp. 61-146&lt;br /&gt;WAHL, François, "Les Ancêtres, ça ne se représente pas", in &lt;em&gt;L'In&amp;shy;terdit de la représentation&lt;/em&gt;, Col&amp;shy;loque de Montpellier, 1981, Seuil, 1984&lt;br /&gt;WEBER, Max, &lt;em&gt;L’éthique du protestantisme et l’esprit du capitalis&amp;shy;me&lt;/em&gt; [1904, 1920], tr. J. Chavy, Plon, Agora, 1994 [trad. port]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Linguagem&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;BARTHES, Roland, &lt;em&gt;Communications. Re&amp;shy;cherches sémiologiques: l'analyse structurale du récit, nº 8&lt;/em&gt;, Seuil, 1966, pp. 1-27 [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;S/Z, essai&lt;/em&gt;, Seuil, 1970 [trad. port]&lt;br /&gt;BENVENISTE, Émile, &lt;em&gt;Problèmes de Linguistique générale&lt;/em&gt;, Galli&amp;shy;mard, 1966&lt;br /&gt;FLAHAULT, François, "Le fonctionnement de la parole. Remarques à partir des maximes de Grice", &lt;em&gt;Communications, nº 30, La Con&amp;shy;versation&lt;/em&gt;, 1979&lt;br /&gt;GROSS, Maurice, &lt;em&gt;Méthodes en syntaxe: régime des constructions complétives&lt;/em&gt;, 1975, Hermann&lt;br /&gt;HJELMSLEV, Louis, &lt;em&gt;Le Langage&lt;/em&gt;, Minuit, 1966&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Prolégomènes à une théorie du langage&lt;/em&gt;, Minuit, 1968.&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Essais linguistiques&lt;/em&gt;, Minuit, 1971&lt;br /&gt;LÉVI-STRAUSS, Claude, "Introduction à l'œuvre de Marcel Mauss", in M. MAUSS, &lt;em&gt;Sociologie et Anthropologie&lt;/em&gt;, 1950, P.U.F., pp. IX-LII (ed. Quadrige)&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;La Pensée sauvage&lt;/em&gt;, 1962, Plon [trad. port]&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Mythologiques&lt;/em&gt;, 4 vol. 1964-71, Plon&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Anthropologie Structurale Deux&lt;/em&gt;, 1973, Plon [trad. port]&lt;br /&gt;LOPES, Silvina Rodrigues, &lt;em&gt;A Legitimação em Literatura,&lt;/em&gt; 1994, Cosmos&lt;br /&gt;Idem, &lt;em&gt;Carlos de Oliveira - O testemunho inadiável&lt;/em&gt;, C. M. Sintra, 1996&lt;br /&gt;MARTINET, André, &lt;em&gt;Éléments de Linguistique générale&lt;/em&gt;, Armand Colin, 1967 [trad. port]&lt;br /&gt;NATHAN, Tobie, &lt;em&gt;L'influence qui guérit&lt;/em&gt;, 1994, Odile Jacob&lt;br /&gt;SAUSSURE, Ferdinand de, &lt;em&gt;Cours de Linguistique Générale,&lt;/em&gt; ed. crit. T. de Mauro, Payot, 1972 [trad. port]&lt;br /&gt;VYGOTSKY, Lev, &lt;em&gt;Pensée et langage&lt;/em&gt;, Messidor, [1934], 1985 [trad. port]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Psicanálise&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;FREUD, Sigmund, [1900], &lt;em&gt;Traumdeutung /La interpretacion de los sueños&lt;/em&gt;, 3 vol., trad. L. Lopez-Ballesteros y de Torres, revista por Freud [1923], Alianza, 1966&lt;br /&gt;Idem, [1905], &lt;em&gt;Trois essais sur la théorie de la sexualité&lt;/em&gt;, trad. B. Reverchon-Jouve [1923], revista por Laplanche et Pontalis, Gal&amp;shy;li&amp;shy;mard, 1962&lt;br /&gt;Idem, "Pulsions et destins des pul&amp;shy;sions", "Le refoulement", "L'in&amp;shy;conscient", [1915], in &lt;em&gt;Métapsychologie&lt;/em&gt;, trad. Laplanche et Ponta&amp;shy;lis, Gallimard, 1968a&lt;br /&gt;Idem, "Au-delà du principe de plaisir" [1920], "Le moi et le ça", [1923], in &lt;em&gt;Essais de Psychanalyse&lt;/em&gt;, trad. S. Jankélévitch, Payot, 1968b&lt;br /&gt;LAPLANCHE, Jean et PONTALIS, Jean-Baptiste, &lt;em&gt;Vocabulaire de la Psycha&amp;shy;nalyse&lt;/em&gt;, P. U. F., 1967 [trad. port]&lt;br /&gt;LE GUEN, Claude, "La psychanalyse: une science?", in &lt;em&gt;La psycha&amp;shy;na&amp;shy;lyse, une science?, VIIèmes Rencontres psychanalytiques d'Aix-en-Provence, 1988&lt;/em&gt;, Les Belles Lettres, 1989&lt;br /&gt;RICŒUR, Paul, &lt;em&gt;De l'interpétation. Essai sur Freud&lt;/em&gt;, Seuil, 19952&lt;br /&gt;STENGERS, Isabelle, "Boites noires scientifiques, boites noires professionnelles", in &lt;em&gt;La psycha&amp;shy;na&amp;shy;lyse, une science?, VIIèmes Ren&amp;shy;contres psychanalytiques d'Aix-en-Provence, 1988&lt;/em&gt;, Les Belles Lettres, 1989&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Física-Química&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;EKELAND, Ivar, &lt;em&gt;O caos&lt;/em&gt;, Inst. Piaget, trad. A. Viegas, 1999&lt;br /&gt;FEYNMAN, Richard, &lt;em&gt;Seis lições sobre os fundamentos da Física&lt;/em&gt;, tr. M. T. Escoval, Presença, [1995], 2000&lt;br /&gt;FRITZSCH, Harald, &lt;em&gt;E = mc2, Une formule change le monde&lt;/em&gt;, Odile Jacob, trad. A. Brignone, [1988] 1998&lt;br /&gt;HAWKING, Stephen W., &lt;em&gt;Breve história do Tempo. Do Big Bang aos Buracos Negros&lt;/em&gt;, [A Brief History of Time], trad. R. Fonseca, Gradi&amp;shy;va, 1988&lt;br /&gt;MATEUS, Mª. Carmo, MARTINS, Mª. Rosário, Física-Química, uni&amp;shy;dade 1, &lt;em&gt;Como são e como se comportam os átomos&lt;/em&gt;, CNED, Marinha, Lisboa, 1998&lt;br /&gt;Idem, Física-Química, unidade 2, &lt;em&gt;Como os átomos constituem a matéria&lt;/em&gt;, CNED, Marinha, Lisboa, 1998&lt;br /&gt;NEWTON, Isaac, &lt;em&gt;Principes mathématiques de la Philosophie natu&amp;shy;relle&lt;/em&gt;, trad. Mme Châtelet, [1756], édition fac-simile de A. Blanchard, 1966&lt;br /&gt;NOTTALE, Laurent, &lt;em&gt;La relativité dans tous ses états. Au-delà de l’espace-temps&lt;/em&gt;, Hachette, 1998&lt;br /&gt;ORTOLI, Sven, PHARABOD, Jean-Pierre, &lt;em&gt;Le Cantique des quanti&amp;shy;ques, Le monde existe-t-il?,&lt;/em&gt; La Découverte, 1985 [trad. port]&lt;br /&gt;PIETTRE, Bernard, &lt;em&gt;Philosophie et science du temps&lt;/em&gt;, P. U. F., 1996&lt;br /&gt;PRIGOGINE, Ilya, &lt;em&gt;La fin des certitudes&lt;/em&gt;, Odile Jacob, 1996 [trad. port]&lt;br /&gt;REEVES, Hubert, &lt;em&gt;Dernières nou&amp;shy;velles du cosmos&lt;/em&gt;, Seuil, 1994 [trad. port]&lt;br /&gt;TAYLOR (ed.), Salam, Dirac, Heisenberg, &lt;em&gt;Em busca da unificação&lt;/em&gt;, [1990], Gradiva, 1991&lt;br /&gt;WEINBERG, Steven,&lt;em&gt; Os três primeiros minutos, Uma Análise mo&amp;shy;derna da Origem do Universo&lt;/em&gt;, trad. A. I. Simões, Gradiva, [1977] 1987&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-8283904717236103609?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/8283904717236103609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=8283904717236103609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/8283904717236103609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/8283904717236103609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/bibliografia.html' title='Bibliografia'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-3695868749134347569</id><published>2008-02-19T13:34:00.000Z</published><updated>2008-02-19T13:35:14.453Z</updated><title type='text'>Índice</title><content type='html'>1. Escândalos&lt;br /&gt;2. Alargar a redução fenomenológica&lt;br /&gt;3. O jogo : regras e aleatório&lt;br /&gt;4. Os mamíferos e as línguas humanas&lt;br /&gt;5. Um exemplo de obstáculo epistemológico&lt;br /&gt;6. As maiores descobertas científicas do século XX&lt;br /&gt;7. Cena e laboratório&lt;br /&gt;8. Unidades sociais : usos, aprendizagem, ‘envies’&lt;br /&gt;9. O double bind social&lt;br /&gt;10. O retiro doador dos antepassados : sagrado e cultura&lt;br /&gt;11. As duas modernidades e as suas violências : conquista e revolução&lt;br /&gt;12. Da autarcia à heterarcia&lt;br /&gt;13. Filosofia com história: o exemplo de Aristóteles e Kant&lt;br /&gt;14. O retiro regulador das oscilações entre pequenas repetições e acontecimentos&lt;br /&gt;15. A entropia de Prigogine&lt;br /&gt;16. O quadrado sinóptico das ‘inscrições numa matéria de empréstimo’&lt;br /&gt;17. A difícil questão neurológica : cérebro e discurso, sem o chamado ‘mental’&lt;br /&gt;18. As cenas científicas com double bind : da indeterminação ao enigma&lt;br /&gt;19. A verdade fenomenológica : relativa e verdadeira&lt;br /&gt;20. Lógica da evolução por suplemento (1) : em direcção da heterarcia&lt;br /&gt;21. Lógica da evolução por suplemento (2) : o papel da sexualidade&lt;br /&gt;22. Que não há última instância (contra reducionismo)&lt;br /&gt;23. Poluição e monetarismo&lt;br /&gt;24. O double bind : a impossibilidade de pensar o acontecimento&lt;br /&gt;25. É um manifesto apenas&lt;br /&gt;26. Bibliografia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-3695868749134347569?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/3695868749134347569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=3695868749134347569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3695868749134347569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/3695868749134347569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/ndice.html' title='Índice'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-9000696711394969794</id><published>2008-02-19T13:00:00.000Z</published><updated>2008-02-19T13:11:06.430Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FILOSOFIA – &lt;em&gt;COM&lt;/em&gt; – CIÊNCIAS&lt;/strong&gt;, ou seja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A FENOMENOLOGIA REFORMULADA, EM VERDADE&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fernando Belo, &lt;em&gt;Le Jeu des Sciences avec Heidegger et Derrida&lt;/em&gt;, L’Harmattan, 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. É certo que se trata dum texto muito ambicioso. Ele coloca-se todavia à altura dos que se preocupam com as ciências e com a cultura, que não podem deixar de deplorar a dispersão caótica das disciplinas científicas especializadas, em que ninguém é capaz de encontrar alguma unidade. Para os pedagogos avisados, é um dos problemas mais graves do sistema de ensino : se não se fala dele, deve ser porque não se vê solução para ele no horizonte. É o que se propõe aqui, de forma intempestiva. Pretende-se dar um novo passo nestas questões, após o de Thomas Kuhn há 45 anos : é preciso&lt;em&gt; osar&lt;/em&gt; entrar nos paradigmas científicos actuais.&lt;br /&gt;2. Para o conseguir, coloca-se em constelação, em frente a frente, seis disciplinas : dum lado, a fenomenologia, uma das correntes filosóficas mais importantes do século XX, com, por outro lado, os cinco principais domínos científicos elaborados nos dois últimos séculos – a respeito da matéria-energia, as biologias molecular e neuronal, as ciências das sociedades e as das línguas, a ciência psicológica que atravessa estas últimas. Esta colocação em conjunto articula os seis domínios uns aos outros, cada um recebendo uma luz nova. Fornece, além disso, um critério filosófico-científico para discernir as principais descobertas científicas deste mesmo século que passou. Ei-las : a) a teoria do átomo e da molécula, b) a biologia molecular, c) a teoria do interdito do incesto e da exogamia como constitutiva das sociedades primitivas (Lévi-Strauss), 4) a dupla articula&amp;shy;ção da linguagem (Saussure, Martinet, Gross), 5) a teoria freu&amp;shy;diena do psiquismo pulsional.&lt;br /&gt;3. A Fenomenologia (Husserl, Heidegger e Derrida), evocada, &lt;em&gt;a partir de exemplos,&lt;/em&gt; no capítulo 2, fornece aos capítulos 3 a 6 e 8 a maneira de descrever os cinco domínos científicos segundo o desenho destas descobertas principais. Por seu lado, a própria Fenomenologia, revisitada e enriquecida com esta contribuição científica múltipla, ganha um novo enfoque, assim como Heidegger e Derrida : pro&amp;shy;messa duma maior fecundidade.&lt;br /&gt;4. Ter-se-á assim, digamos, &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; &lt;em&gt;unificação articulada destes seis do&amp;shy;mínios, científicos e filosófico&lt;/em&gt;, numa espécie de novo patamar histórico da razão, que reata com a antiga aliança pré-kantiana entre filosofia e ciências, as quais retomam a dignidade filosófica que tinham perdido (filosofia da natureza, filosofia política e social, etc.). Esta abordagem filosófica das ciências tem em conta, essencialmente, as suas descobertas : a nova razão relevará da &lt;em&gt;filosofia-com-ciências enquanto fe&amp;shy;nomenologia&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;5. Ela torna possível as quatro teses (retiros e oscilação das assmeblagens, suplementaridade de articulação das cenas, verdade das estruturas encontradas) duma &lt;em&gt;nova ontologia&lt;/em&gt; (capítulo 7) respeitante aos seres vivos, às unidades sociais dos humanos e aos seus textos e paradigmas como &lt;em&gt;meca&amp;shy;nismos de auto&amp;shy;no&amp;shy;mia com hete&amp;shy;ro&amp;shy;nomia apagada&lt;/em&gt;, assemblagens tendo estruturas formais-entrópicas semelhantes, a que corresponde, dentro de certos limites, a &lt;em&gt;inércia&lt;/em&gt; química e gravítica dos corpos ma&amp;shy;teriais (capítulo 8). Esta autonomia joga-se nas &lt;em&gt;cenas&lt;/em&gt; do que se chama a ‘realidade’ – as cenas da gravitação, da alimentação, da habitação, da inscrição -, as respectivas &lt;em&gt;assemblagens&lt;/em&gt; relevando do mesmo tipo de regras (heteronómicas), as que as diversas ciências trouxeram à luz. Assim será questão de &lt;em&gt;articulação sem dualismo, de determinação sem determinismo, de relatividade sem relativismo, de redução sem reducionismo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;6. O capítulo 9 revisita a noção de ciência. O carácter estrutural do laboratório – enquanto lugar de teorização e experimentação que torna possíveis as condições de determinação e de redução de cada ciência – deve ser claramente distinguido da cena e do seu aleatório, do que acontece (na dita realidade), quer em termos de pequenas repetições homeostáticas (de cada assemblagem na sua cena, quer em termos de acontecimentos dizendo respeito a diversas assemblagens singulares. Não se oporá portanto história e estrutura : esta oposição, à maneira de muitas outras oposições filosóficas cortantes, releva duma falta de teorização desta diferença laboratório / cena.&lt;br /&gt;7. O segundo volume retoma com mais detalhe algumas das questões levantadas no primeiro. Começa pelo enigma estrutural de cada humano – a liberdade, a ética e a questão dainvenção e/ou descoberta (capítulo 10) – e termina com a da economia face à globalização, à injustiça e à fome (capítulo 15), enquanto que o capítulo 12 compara inscrições (linguagem, matemática, música, imagens), artes e médias, retomando o debate entre o cérebro e o computador (e o livro) pelo viez das maneiras de se relacionarem às diversas inscrições.&lt;br /&gt;8. O longo capítulo 11 trata de questões a respeito da articulaão de diversos domínios científicos : a evolução dos seres vivos, tendo em conta a notável teoria biológica de Marcello Barbieri ; a relação do cérebro à linguagem e aos outros usos sociais ; biologia e sociedade ; escrita, escola e sujeito, filosofia e história ; engenheiro e economista ; feminino e masculino ; o que está em jogo entre as sociedades de tradição agrícola e tendência à autarcia e as sociedades modernas mecanizadas com interdependência generalizada. É que a filosofia greco-europeia foi construída num epistema autárcico, submetido desde Galileu e Newton a uma desconstrição que põe em causa as noções substancialistas herdadas e as respectivas oposições conceptuais. O capítulo 14 retoma o conjunto da questão da articulação dos diversos domínios científicos, propondo, entre outras coisas, a hipótese dum fio da sexualidade, esclarecendo tanto a evolução biológica como a da história ocidental.&lt;br /&gt;9. O capítulo 13 propõe na sua primeira parte uma leitura dando conta do percurso da filosofia, desde a &lt;em&gt;Physica&lt;/em&gt; de Aristételes à Fenomenologia de Husserl, Heidegger et Derrida, tendo em conta o papel de ruptura dos laboratórios científicos : assiste-se, retomando a quarta tese de ontologia do capítulo 7, a uma espécie de acabamento da história greco-europeia da filosofia-com-ciências (a &lt;em&gt;Physica&lt;/em&gt; de Aristóteles substituída pela Fenomenolgia reformulada), isto é, à afirmação da sua &lt;em&gt;verdade&lt;/em&gt; histórica : portanto relativa, &lt;em&gt;contra o relativismo&lt;/em&gt; reinante. Esta verdade é, em certo sentido, formalizada – na sequência da elaboração do motivo fenomenológico de &lt;em&gt;re(pro)dução&lt;/em&gt; e à sua verificação em vários estratos dos di&amp;shy;versos domínios científicos - pela construção dum &lt;em&gt;&lt;strong&gt;quadro fenomeno&amp;shy;lógico&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; que coloca estes estratos em paralelo e &lt;em&gt;demonstra &lt;/em&gt;como se pode pensar que as descobertas principais das ciências do século XX permanecerão verdadeiras (e não provisórias) no futuro da civilização que elas estão a revolver.&lt;br /&gt;10. A Biologia substituindo a Física, matriz da Filosofia das Ciências durante o século passado, foi possível desconstruir a causalidade clássica europeia (e o seu modelo, a força local, substituída aqui pela força atractiva, como a da gravidade), assim como a representação enquanto exteriori&amp;shy;dade do sujeito e do objecto. E de contrariar em consequência (desde o exemplo do automóvel, no fim do capítulo 2) o &lt;em&gt;determinismo&lt;/em&gt; que as ciências europeias herdaram da metafísica augustiniana.&lt;br /&gt;11. O motivo derridiano do &lt;em&gt;suplemento&lt;/em&gt; como articulação entre as diversas cenas (capítulo 14) permite compreeender, por um lado, como cada laboratório científico deve necessariamente reduzir tudo o que, da cena da dita realidade, não lhe diz respeito e, por outro lado, como ela não pode ter pretenções re&amp;shy;ducionistas sobre os laboratórios das outras ciências.&lt;br /&gt;12. As cenas das diversas ciências e as suas descobertas são compreendidas a partir dos motivos fenomenológicos que as suas descrições permitiram (cena e assemblagem, sin-taxis dos três retiros, homeostasia, pequenas repetições e acontencimentos, duas leis inconciliáveis e indissociáveis em ‘double bind’). Assim : a) descrição do domínio da biologia molecular e neuronal (Vincent e Changeux) e da respectiva lei da selva ; b) uma definição de sociedade válida para as sociedades primitivas (antropologia), as sociedades de casas agrícolas (história) e sociedades de instituições e famílias (sociologia) dá a possibilidade de distinguir, de jure, estas três &lt;em&gt;ciências das sociedades&lt;/em&gt;, de todas as outras &lt;em&gt;ciências sociais&lt;/em&gt; (economia, linguística, sociologia do direito...), correspondendo a estruturas sociais (modernas) delimitadas ; o que é nomeadamente importante para a questão da relação entre sociologia e economia (J. Sapir e K. Polanyi) ; a hipótese duma lei da guerra, prolongando a da selva, e dos seus dois grandes tipos de violência, conquista e revolução ; c) descrição do domínio da linguagem, entre linguística saussuriana e semiótica ainda por vir (Lévi-Strauss e Barthes) ; d) descrição do domínio da psicanálise, mostrando o seu tipo específico de cientificidade e dos seus limites em relação às outras ciências, mormente a neurologia (irreducti&amp;shy;bili&amp;shy;dade metodolégiqca entre elas) ; e) proposição duma redescrição da Física-Química, muito discutível, sem dúvida, mas susceptível de articular a sua teoria do átomo e da molécula às outras cenas científicas e de lhes fornecer algumas indicações (precisão da diferença entre matéria mineral e matéria viva, alargamento do motivo prigoginiano de entropia enquanto produção de ordem instável, força atractiva).&lt;br /&gt;13. A única astúcia deste texto reside na compreensão de que se podia compor entre eles os pensamentos de alguns dos maiores pensadores científicos e filosóficos do século XX. É deles que vem a força deste texto.&lt;br /&gt;14. É por isso que ele pode ser tão anbicioso. Mas também muito arriscado. Ele não poderia ocorrer senão onde se puddesse estar mais à vontade de assumir profissionalmente o risco duma escrita - forçosamente lacunar e com insuficiências aos olhos dos cientistas das numerosas especialidades em cada um dos seis domínios – &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; &lt;em&gt;nenhum especialista, por definição, não poderia escrever&lt;/em&gt;. Há hoje apesar de tudo numerosos livros sérios de divulgação que põem esta tentativa ao alcance de alguém suficientemente curioso. A lista bibliográfica não poderia ser todavia grande demais, já que era preciso ler lentamente : aopenentrar nos domínios científicos, o filósofo tem que criticar a ‘filosofia escondida’ nos seus paradigmas, sobretudo o conceito de ‘representação’ em torno da oposição, do &lt;em&gt;dualismo&lt;/em&gt; sujeito / objecto, herdeiro da alma / corpo de outrora, o que não pode deixar de provocar resistências dos especialistas.&lt;br /&gt;15. O texto é preciso e claro, tudo nele é novo. Reenvia constantemente os motivos desenvolvidos a outros que lhes estão ligados. A abordagem filosófica tem muitos exemplos, úteis aos que não são iniciaidos aos autores de referência.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todos os motivos são definidos no momento certo, definições que um &lt;strong&gt;índice dos motivos&lt;/strong&gt; dos motivos assinala&lt;/em&gt;, assim como as principais incidências dos argumentos, as correlações esclarecedoras com outros motivos, os reenvios entre questões diversas. Poder-se-á assim prestar serviço aos leitores, nomeadamente quando se tratar de questões menos conhecidas, e também ajudá-los a entrar na novidade da argumentação. Pode ser que a leitura seja mais fácil para os jovens em curso de formação, aainda não estruturados nas suas competências por muitos anos de prática segundo os paradigmas clássicos aqui reformulados.&lt;br /&gt;16. Para concluir : trata-se duma revolução filosófica. Dito com toda a (i)modéstia : a nova fenomenologia deveria vir a ocupar na modernidade um papel análogo ao que foi o da&lt;em&gt; Physica&lt;/em&gt; de Aristóteles até Kant (demonstração na primeira parte do capítulo 13).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler aqui o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Manifesto duma Fenomenologia verdadeira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou em francês em &lt;a href="http://www.philosophieavecsciences.blogspot.com/"&gt;http://www.philosophieavecsciences.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-9000696711394969794?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/9000696711394969794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=9000696711394969794' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/9000696711394969794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/9000696711394969794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/filosofia-com-cincias-ou-seja.html' title=''/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2959361315162748641.post-1964815980223690287</id><published>2008-02-19T12:44:00.000Z</published><updated>2008-02-19T13:00:11.928Z</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>&lt;strong&gt;LE JEU DES SCIENCES&lt;br /&gt;&lt;em&gt;AVEC&lt;/em&gt; HEIDEGGER ET DERRIDA&lt;br /&gt;Vol. 1 Scène, retraits et régulation de l’aléatoire&lt;br /&gt;Vol. 2 La Phénoménologie reformulée, en vérité&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;editor L'HARMATTAN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog faz-se em torno deste livro ambicioso e do novo projecto que ele abre.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não Filosofia-&lt;em&gt;das&lt;/em&gt;-Ciências, já que o 'das' significa a exterioridade entre elas, a sua separação, o plural 'das ciências' sendo aliás quase sempre reduzido à Física, modelo das outras. Mas antes &lt;strong&gt;Filosofia-&lt;em&gt;com&lt;/em&gt;-Ciências&lt;/strong&gt;, em que o relevo dado à dimensão filosófica destas é a revelação / revolução deste projecto.&lt;br /&gt;Os nomes de Heidegger e de Derrida, supondo o de Husserl como mestre comum, assinalam que o projecto inscreve-se no campo aberto pela &lt;strong&gt;Fenomenologia&lt;/strong&gt; do século XX, que aliás ele busca reformular. O motivo do &lt;em&gt;jogo&lt;/em&gt; (unidade do acaso e da necessidade) diz que as Ciências são aqui abordadas quer na necessidade do seu laboratório quer no aleatório das cenas da dita 'realidade'.&lt;/div&gt;Tal como no livro, tentar-se-á clareza e modéstia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2959361315162748641-1964815980223690287?l=filosofiamaisciencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/feeds/1964815980223690287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2959361315162748641&amp;postID=1964815980223690287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/1964815980223690287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2959361315162748641/posts/default/1964815980223690287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiamaisciencias.blogspot.com/2008/02/apresentao.html' title='Apresentação'/><author><name>Fernando Belo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17937204465115284686</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://bp3.blogger.com/_wJTUujzcIp8/R7rZZlGhBrI/AAAAAAAAAAQ/LhoJTSp90mU/S220/FOTO.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
